A
castanha quente estoirou agora.
No dia
22 de Dezembro de 2004 dois jornais diários publicaram
notícias com os títulos:
-“Governo Culpa Câmara de Almada por atrasos nas Obras do
Metro” (Público).
-“Governo Acusa Câmara de atrasar Metro Sul do Tejo” (Jornal
de Notícias).
As
obras deste comboio encontram-se num impasse, por várias
razões e entre elas, porque o projecto tem defeitos e a sua
implantação prejudica os residentes.
A
Câmara mostrou-se no início muito relutante em ouvir e
aceitar as críticas da população.Considerou-as descabidas,
porque teimosamente não reconhece aos munícipes o direito de
criticar democraticamente as suas más decisões ou de terem e
exprimirem opiniões contrárias às suas.
Falta à
CMA um pouco de humildade quando tal é necessário.
O tempo
veio dar razão àqueles que em defesa de interesses dos
residentes e da sua qualidade de vida - foram muitos os
almadenses que o fizeram – disseram que este projecto tal
qual estava concebido e a ser concretizado não era útil para
Almada e sua população.
A
castanha quente estoirou agora. Esperemos que os residentes
de Almada e nomeadamente os directa e mais gravemente
afectados pela inserção do MST/comboio não venham a ser
atingidos pelos quentíssimos fragmentos da castanha.
O
diálogo humilde, franco e sincero com os moradores era
condição indispensável para que um projecto desta natureza
fosse um sucesso.
A CMA
esqueceu-se de importante pormenor : em Almada vivem pessoas
e o Metro deveria ser para servi-las.
Inverteu os papéis e em vez de idealizar e construir um Metro
para servir as populações pretendeu disponibilizar dos
almadenses para servir o seu Metro.
Pretendeu pôr os almadenses a “ver passar os comboios”em
condições muito penalizantes para todos os residentes ao
longo do espaço canal.
Esperemos que Almada e seus habitantes saiam dignificados
deste caso porque é humano corrigir erros. Grave será
ignorá-los e não aprender com eles.
Os
almadenses não deverão ser as vítimas dos erros cometidos por
quem não quis ou não soube ouvi-los em tempo oportuno.
Eurico
Marques