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Exmo Sr. Presidente da
Assembleia Municipal de Almada
Exma Srª Presidente da Câmara
Municipal de Almada
Exmos Srs
Deputados Municipais
Sras e Srs
Munícipes
Têm os moradores da Ramalha
vindo a defender, cívica e responsavelmente, os seus
interesses e qualidade de vida local, perante a agressão que
lhes foi dirigida com o traçado do MST.
Apresentámos uma proposta
alternativa ao traçado local do MST e nunca abdicámos de
participar activa e construtivamente na resolução dos problemas
que nos criaram, pese embora o mal estar da Câmara e de seus
apoiantes pela nossa presença e intervenção cívica e crítica.
Atribuir culpas ao Estado e ao Concessionário pelo que de
negativo está ocorrendo é estar a “tapar o sol com uma
peneira”. É tentar sacudir responsabilidades e escamotear
verdades.
Têm tido os
residentes da Ramalha o propósito de sempre se dirigirem à CMA,
porque este projecto e traçado do MST, embora há muito em fase
de execução, sem o projecto definitivo estar aprovado, se deve
única e exclusivamente à edilidade.
Fizeram-no
e fazem-no com a firme convicção de estarem a intervir no
âmbito restrito de defesa e exercício dos seus direitos e
deveres de cidadania, perante quem os meteu neste sarilho.
Não atribua
a Câmara rótulos ou contornos políticos a quem não os tem, nem
nunca teve.
Não
confundam exercício dos deveres de cidadania com outras
coisas.
Respeitamos
aqueles que se dispõem a trabalhar democraticamente em prol das
populações que os elegeram e quando o fazem.
O sentido
de responsabilidade e de cidadania não é qualidade exclusiva
de eleitos, nem constitui patente registada a favor de quem
quer que seja, mesmo que tenham sido eleitos democraticamente.
Portanto
não se tente passar a mensagem de que nós, quando propomos um
traçado alternativo, não temos sentido das responsabilidades,
como já ouvimos e lemos.
Se esta
Câmara quiser revelar a “transparência” da opção que tomou, ao
impor este Metro a Almada, faça um inquérito isento, à
população, depois de a deixar aperceber-se do traçado deste MST
e das suas implicações na vida urbana, na vivência diária local
e da necessidade do mesmo para a cidade e suas gentes.
Tem havido
por parte da Câmara omissões para com os munícipes e tentativas
de manipulação da opinião pública para este projecto, dado o
teor da informação acerca do MST que é divulgada sob vestes
democráticas, no boletim municipal e no seu “site”.
Quando nos
juntámos para defender os nossos interesses locais, perante a
prepotência da CMA, ninguém perguntou a quem quer que fosse
qual era a sua opção ou tendência política.
Agimos
única e exclusivamente em função da defesa da nossa dignidade
como pessoas que somos e da nossa qualidade de vida.
Respeitamos
a opção política de cada um, mas não confundimos o exercício e
defesa dos direitos cívicos com subserviências.
Estamos a
intervir com independência, unicamente submetidos ao imperativo
da nossa consciência de cidadãos livres, que somos.
Sabemos que
à CMA não agrada de maneira nenhuma, que qualquer munícipe se
levante para discordar da forma como a autarquia quer dispor
da vivência, do espaço e da qualidade de vida dos munícipes,
porque esta Câmara se considera interprete da consciência de
cada um de nós e de todos.
Poderá haver autarcas que se
consideram acima de tudo e de todos, só porque foram eleitos,
mas isso é uma mera questão de formação cívica e postura
social.
Os eleitos têm de se sujeitar
às possíveis críticas dos eleitores, porque até estes, podem
ter razão e porque também foi para isso que foram eleitos.
Os
moradores da R. Lopes de Mendonça sentem-se agredidos e lesados
com o traçado do MST que a CMA lhes quis ou quer continuar a
impor.
Por isso,
com a legitimidade inerente à sua condição de seres humanos,
cidadãos e residentes locais, manifestaram-se perante a
ilegalidade, tendo apresentado previamente uma proposta
alternativa, embora incómoda para a CMA,... temos de reconhecer
!
Sabemos que
a nossa proposta é viável .
Haja
coragem democrática por parte da CMA para se penitenciar dos
erros que cometeu e salvaguarda dos interesses e bem-estar dos
moradores locais.
O que os
moradores da Ramalha pensam sobre o traçado do MST localmente
deve ser respeitado e muito bem ponderado pela autarquia,
porque aqui vivem pessoas!
Pelo facto de ter sido eleita
democraticamente, esta Câmara não pode nem deve colocar-se
acima dos naturais e legítimos interesses dos residentes
locais, nem submeter-se a conveniências ou interesses de
ocasião.
Subalternizar os direitos dos moradores da Ramalha é ignorar a
nossa condição de pessoas e isso, nós não aceitamos.
Um grande
maestro dizia: “Qualquer bom musico deve sentar-se entre a
assistência, para perceber como soa a musica ao ouvido dos
outros”.
Julgamos
que isto é muito claro!
EURICO
MARQUES / Almada, 27-04-2004
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