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Colocação de professores: o concurso da estabilidade

Venho denunciar a seguinte situação:

O governo veio para a comunicação social propagandear  uma medida  da sua política educativa com o seguinte slogan " Colocação de professores: o concurso da estabilidade " ( ver o link seguinte na página do Ministério http://www.min-edu.pt/np3/105.html )
A medida que concretiza esta suposta intenção de estabilidade foi a de decretar a validade plurianual das afectações dos professores pertencentes ao Quadro de Zona ( designados de QZPs ), que passariam a ser por três anos. Só que mais uma vez esta equipa ministerial deu provas da sua incapacidade para gerir os assuntos educativos.
Com esta medida o Ministério da Educação acabou a promover uma situação de pura roleta russa na colocação dos docentes,  desrespeitadora da lista graduada e, por essa via, causadora de injustiças, pois permitirá que candidatos menos graduados ficarão afectos/colocados em lugares de escolas que teriam sido preenchidos por outros com maior graduação se a validade das afectações/colocações continuasse a ser anual, pois nesta circunstância todos concorreriam ao mesmo tempo.
Senão vejamos, se os candidatos menos graduados que, por pura sorte, em 2006-2007 ficaram afectos a escolas que continuaram a possuir horários para eles, então, de facto,  durante três anos ficarão descansados da vida. Enquanto que outros mais graduados, se tiveram a pouca sorte de ser afectos a uma escola na qual, por razões várias,  passaram a ter horários zero, como é o meu caso, têm de concorrer à afectação arriscando-se a ficar com os piores horários e em escolas mais afastadas dos seus locais de residência, com os inconvenientes a tal associados. É esta arbitrariedade que faz depender da sorte mais do que do mérito e da graduação, as afectações para este ano,  que eu quero denunciar.
Assim, com a introdução deste factor puramente arbitrário de se ter ou não a sorte de ter ficado afecto a uma escola que tem ou não horário nos três anos seguintes ao da afectação,  o Ministério da Educação faz tábua rasa das graduações e das listas ordenadas de graduação dos docentes, indo também contra o princípio que deve de nortear todos os concursos públicos, e ainda mais os do ensino se se quer um ensino de qualidade: o princípio de que à melhor graduação deve de corresponder a melhor colocação, e isto em todas as fases do concurso, e independentemente de sermos QE, QZP ou contratados.
Isto contraria, triplamente, as intenções do Governo: 1º a de dar estabilidade ao corpo docente: não há estabilidade alguma, porque na primeira vez que esta suposta intenção da estabilidade é intentada por meio da validade plurianual da afectação, eu ( e não serei o único ) que até estou em segundo lugar na lista graduada dos QZP da minha área,  tenho logo de concorrer, saindo da escola à qual estava afecto há já cinco anos enquanto  a validade do concurso de afectação foi anual;  2º  também não é  premiado o mérito, já que, se  candidatos menos graduados podem ficar afectos/colocados em lugares de escolas que teriam sido preenchidos por outros com maior graduação, então a lista graduada não serve para nada; quebra-se assim o princípio da hierarquia na colocação que é o que garante que à melhor graduação deve de corresponder a melhor colocação; em; 3º também não há o tão propagado rigor pois se se decretam coisas que  violam  princípios básicos que devem de nortear quaisquer concursos, e ainda mais este: o princípio da igualdade de tratamento dos opositores ao concurso em todas as fases do mesmo, nomeadamente que tem de ser dada a todos os que estão em situação legal de serem ou poderem vir a ser opositores ao concurso a faculdade de manifestarem as suas preferências face a toda a possível oferta disponível.
Após 16 anos no ensino, dez dos quais como QZP acabo por constatar que não vivemos num estado de direito, onde o esforço das pessoas pode ser posto em causa por medidas  mal pensadas, é também com tristeza que constato que afinal não progredi nada na carreira, continuo com a mesma instabilidade de quando era contratado; vou ter de concorrer em tempo de férias,  acabando por ter de ir a uma fase do concurso para a afectação que, por apenas restarem os horários supervenientes, em muito se assemelha à fase dos antigos mini-concursos aos quais eu concorria em Setembro. Mas há aqui uma diferença substancial e que é o fundamento da injustiça deste concurso que eu denuncio, é que quando eu estava no início da carreira tinha, na lista de graduação, um lugar correspondente e, em consequência disso, tinha de me sujeitar e aceitar o que viesse. Hoje com muitos mais anos de serviço, e após uma escalada nos lugares da lista até ser segundo do meu QZP, é com amargura que vejo que posso sair objectivamente prejudicado deste processo, porque colegas - QZPs e contratados -  que estão abaixo de mim na lista graduada vão continuar afectos/colocados às escolas que escolheram, algumas das quais próximo da minha área de residência e nas quais eu poderia ter ficado afecto se o concurso fosse anual, enquanto eu vou ter de me sujeitar a receber os horários que sobrarem não sabendo em que escolas e a que distância. Sem mais e certo que esta denúncia encontrará, da vossa parte, o tratamento mais adequado subscrevo-me com consideração e esperança.


Edgar Manuel Gonçalves Rendeiro