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Caros colegas
de fórum,
A CMAlmada e a sua presidente não perdem uma oportunidade de se
auto-elogiarem. Desta vez e, a propósito do 30º aniversário do
25 de Abril, o Boletim Municipal ALMADA traz um caderno que
resume o “grande trabalho” realizado pela autarquia almadense
durante
as últimas 3 décadas.
Entre o que é
dito naquele dossier, destaque-se pela sua elevada
profundidade, o facto de Almada ter evoluído. Uma coisa
perfeitamente inaudita, como se qualquer um dos concelhos deste
país não tivesse evoluído nas últimas 3 décadas !
O que
interessa saber não é se Almada evoluiu, porque isso é óbvio, o
que interessa saber é se evoluiu tanto como poderia ou por
outro lado se o desenvolvimento registado foi harmonioso ou
não.
E neste caso a
resposta é negativa: Almada não evoluiu tanto como poderia pois
é a própria CMAlmada o principal osbtáculo a que isso aconteça.
Para mais o desenvolvimento não foi, de uma maneira geral,
harmonioso. Continuou-se, tal como no tempo do Estado Novo, a
promover um urbanismo selvagem, desregrado e sem qualidade.
Isto até à actualidade.
Houve
problemas que se mantiveram ao longo deste tempo, como por
exemplo a recolha de lixo e a limpeza. Em 30 anos, os
iluminados da CMAlmada não conseguiram resolver a contento
estes problemas. Almada é sem sombras de dúvidas um dos
concelhos mais sujos do país.
Dizem também
respeitar o ambiente. Só se for a brincar. A CMAlmada queria
até há bem pouco tempo construir uma coisa chamada de Via
Turística. A dita coisa atravessaria a Paisagem Protegida da
Arriba Fóssil da Costa de Caparica e para isso seria necessário
o abate de centenas de árvores. Felizmente que, devido ao
trabalho do advogado Sá Fernandes, o Supremo Tribunal
Administrativo impediu a autarquia de construir tal aberração.
A posição defendida pelo referido advogado nunca foi sequer
aflorada nesse expoente máximo da democracia que dá pelo nome
de Boletim Municipal ALMADA.
Aliás, no
âmbito do POLIS da Caparica, prepara-se a mesma CM para
construir parques de campismo no Pinhal do Inglês, tendo de
abater, para isso, sensivelmente metade das árvores ali
existentes. Como se comprova, MES é sem dúvida alguma uma
grande protectora da natureza !
Das referidas
ruas em terra batida que a CMAlmada diz existirem à data do 25
de Abril, é necessário informar a excelsa autarca almadense que
passados 30 anos elas continuam a existir e não são tão poucas
como isso.
Com a entrada
em funcionamento das ETARs da Portinho da Costa e da Mutela,
garante a CMAlmada que 100% das águas residuais do concelho são
tratadas antes de ser lançadas no Rio Tejo. Basta saber se as
ETARs funcionam mesmo ou se são só para fazer vista como há
muitas por esse país fora. Pelo menos no que respeita ao fim
das cheias na baixa da Cova da Piedade, que a CMAlmada prometeu
irem desaparecer com a entrada em funcionamento da ETAR da
Mutela, posso assegurar que ainda no Inverno passado elas
aconteceram, para tanto tendo bastado uma chuvada forte de uma
quarto de hora.
Refere também
a CMAlmada que antes do 25 de Abril não havia árvores em
Almada. Confesso que se há 30 anos não havia, agora também não
há muitas. Aliás a CMAlmada é verdadeiramente alérgica à
plantação de árvores. A Árvores e jardins !
Mesmo o Parque
da Paz (publicitado como o maior parque urbano do país), apesar
de estar em construção vai para 10 anos está longe de estar
terminado, não se sabendo bem, pelo menos em alguns locais, se
aquilo é um parque ou um matagal. É que uma obra daquela
envergadura necessita de competência e na CMAlmada isso é coisa
que não abunda. Assim, não é de estranhar que, segundo parece,
a CMAlmada tenha solicitado à Universidade Técnica de Lisboa um
projecto para finalizar o parque. Creio que, se tivermos sorte,
antes de 2010 teremos o maior parque urbano do país. Só tenho
dúvidas que tenhamos o “melhor” parque do urbano do país. Mesmo
o lago existente no parque, depois de umas obras que por lá
andaram a fazer, está praticamente seco. Quanto ao repuxo que
havia no centro do lago, também ele desapareceu para parte
incerta.
Das 11
freguesias do concelho, a maioria delas não possui um jardim a
que se possa com propriedade dar esse nome; são elas a Trafaria,
o Feijó, a Sobreda (está prometido um Parque Urbano para esta
freguesia mas com o gosto que a CMAlmada tem por este tipo de
investimentos, será de esperar que em vésperas da entrada no no
século XXII a população da Sobreda possa finalmente usufruir
desse espaço), a Caparica, a Costa de Caparica (está prometido
um parque no POLIS com habitação no interior, a CMALmada é
assim, gosta de ser sui generis), a Charneca de Caparica,
Cacilhas e a Cova da Piedade.
Quanto à
requalificação urbana, vamos de mal a pior. Exceptuando a
requalificação de todo o espaço atravessado pelo MSTejo, não se
vislumbra mais qualquer tipo de operação deste tipo. E mesmo na
requalificação do espaço canal do MST, há que esperar para ver.
Em primeiro lugar, porque tão atreita à asneira como é a
CMAlmada, primeiro temos de ver o que vão fazer. Em segundo
lugar, porque não basta construir, há que manter e esse é um
grande problema em Almada. Normalmente, depois de inaugurados
todos os equipamentos ficam, em geral, em auto-gestão, ou seja,
entregues a si próprios. Também com o MST há que temer o pior:
ou o concessionário faz a manutenção de todo o espaço urbano
atravessado pelo MST ou então se estivermos à espera da
CMAlmada, bem podemos esperar sentados. O que significa que, em
pouco tempo, o espaço requalificado voltará a estar
desqualificado.
Quanto à
iluminação pública (sobretudo às estruturas de suporte), aí
Almada é mesmo 4.º mundo. Desde a mais recôndita viela até à
avenida mais central, nos candeeiros de iluminação pública vale
mesmo tudo: luminárias diferentes (numa rua com 100 m, pode
haver até 6 ou mesmo mais tipos diferentes), colunas de
diferentes alturas (na mesma rua podem coexistir 3 ou 4 alturas
diferentes), braços de comprimentos diferentes (na mesma rua
podem haver 3 ou 4 diferentes medidas). Além disso, candeeiros
de betão podem estar mesmo ao lado de candeeiros de metal.
Nalguns dos poucos parques e jardins, há uns raquíticos
candeeiros com cerca de 30 anos, roídos pela ferrugem.
A rotação na
colocação de luminárias é um fenómeno verdadeiramente almadense:
mesmo quando colocadas de novo, ao fim de um mês já a EDP
(devidamente apadrinhada pela CMAlmada) anda a mudar a
luminárias colocando outras, diferentes, já se vê.
Assim, se vê,
mais um vez como a CMAlmada preza esta terra e como se preocupa
com a requalificação e qualidade.
Em resumo, com
esta CM, Almada está cada vez mais longe de ser um concelho de
qualidade, onde dê gosto viver.
Porque faz a
CMAlmada todas estas asneiras, ignoro-o.
De uma coisa
estou certo, que vou continuar a lutar, por todos os meios ao
meu alcance, pelo desenvolvimento desta terra que é a minha e
que eu amo.
V. Santos
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