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CHARNECA REJEITA PLANO DE PORMENOR
A Junta de Freguesia UF) e a Assembleia de Freguesia
(AF) da Charneca de Caparica aprovaram, nos passados dias
29 de Dezembro e 3 de Janeiro, respectivamente, pareceres
sobre a instalação dos parques de campismo no Pinhal do
Inglês.
No âmbito da consulta pública do Plano de Pormenor dos
Novos Parques de Campismo, cuja transferência para a
Charneca se insere no Programa Polis para a Costa de
Caparica, estes Órgãos Autárquicos reafirmam o seu apoio ao
Projecto Costa Polis. No entanto, em nota prévia do
documento, lamentam não ter havido vontade institucional
para que proprietários e residentes mais directamente
afectados pelos impactes causados pela instalação dos
parques, estivessem representados na Comissão local de
Acompanhamento (ClA).
Plano Director Municipal A área escolhida para a
implantação dos três parques de campismo (CCl, SFUAP e
CCCA), estava destinada, pelo PDM, à construção de um
espaço de desenvolvimento turístico, no qual se integrava
um hotel e um parque de campismo. Para o terreno,
particular e expropriado ao abrigo da lei do POLIS,
admitia-se, pois, a inserção de um espaço de campismo mas
de dimensões bastante mais reduzi- das do que as
apresenJ:adas no Plano de Pormenor.
A opção Pinhal do Inglês A Autarquia entende que a
escolha deste local para a instalação dos três parques de
campismo foi arbitrária, não contemplou o estudo de outras
alternativas e não são claros os factores que motivaram
esta opção. Por outro lado em nenhuma das reuniões da CLA
foram referidos, sequer, locais alternativos. Por este
motivo JF e AF entendem que a opção .'Pinhal do Inglês"
sempre foi referida como facto consumado, aproveitando a
existência daquela área como solução para relocalizar os
parques.
Os Impactes Um primeiro olhar sobre a questão prende-se,
obviamente, com o elevado número de utentes previstos:
17.701, dos quais se excluem as crianças com menos de 12
anos, situação que implica efeitos ao nível da circulação
viária e, por consequência, do estacionamento e do ambiente
sonoro.
Por outro lado, a manter-se a actual filosofia de
utilização daqueles parques de campismo, será complicado
conseguir a prática da rotatividade desejada para estes
espaços de férias.
Rede viária, transportes e estacionamento Uma das
problemáticas que mais preocupa a
Autarquia é a deficiente rede viária, onde o trânsito é,
já, caótico.
A construção da ER 377-2 e a sua ligação à Via L -3
(futuro IC-32), está prevista, apenas, para 2008, ou seja,
após a prevista instalação dos parques. Aliás, a construção
do IC -32, que implica a duplicação de vias e o
prolongamento da actual estrada, não está ainda
calendarizada.
Por outro lado existe o risco, tal como aconteceu com a
Via Turística, do traçado ser impugnado judicialmente, com
os argumentos que serviram para inviabilizar a construção
daquela via.
Caso a construção dos três parques de cam- pismo se
concretize o trânsito atingirá níveis tais que,
dificilmente, residentes e utentes dos parques se
deslocarão em condições mínimas aceitáveis.
Associada aos problemas da rede viária está a questão
dos acessos à praia da Fonte da Telha. O Plano de Pormenor
prevê que 15.000 campistas venham a utilizar diariamente
estas praias. No entanto não refere os utilizadores vindos
de outras zonas de Almada e mesmo de outros concelhos.
O estudo prevê a implemen.tação de um modo de transporte
colectivo, mas omite o modo como este circulará, face à
saturação do trânsito e à existência de um único caminho de
acesso à praia. Acresce ainda o problema das viaturas
estacionadas na via, com o consequente bloqueio da
circulação.
No que diz respeito ao estacionamento das viaturas dos
campistas, os 2.538 lugares planeados ficam muito aquém dos
efectivamente necessários para as 17.700 pessoas previstas
nos parques de campismo.
Em conclusão, a Junta e a Assembleia de Freguesia
pronunciam-se contra a pretendida instalação dos Parques de
Campismo porque "... se trata de um projecto de grandes
dimensões... com os inevitáveis e graves impactes negativos
na qualidade de vida da população da Charneca de Caparica
e, em particular, da zona circundante ao Pinhal do Inglês."
residentes e proprietários
sem participação no processo
recusam parques
A nota dominante da apresentação pública do Plano de
Pormenor foi a rejeição, pela quase tota- lidade dos
presentes, da instalação dos parques de campismo no Pinhal
do Inglês.
A Sociedade Costa Polis apresentou, em Novembro do ano
passado, no Auditório da Junta de Freguesia, o Plano de
Pormenor dos novos Parques de Campismo a instalar no Pinhal
do Inglês. Os presentes, que enchiam por completo a sala,
demonstraram a sua total indignação pelo facto de só agora
terem sido chamados a pronunciar-se.
A Presidente da Câmara, Maria Emília de Sousa, tentou
serenar os ânimos de modo a que a apresentação fosse
possível. A pertinência do debate foi, no entanto, diversas
vezes questionada uma vez que a população da Charneca sente
não existirem condições, sequer, para a instalação dos
parques.
Parques de 5 estrelas O Plano de Pormenor foi
apresentado no Auditório da Junta como um facto consumado.
Apesar de a Costa Polis endereçar as responsabilidades da
viabilidade do projecto para o Governo, os populares
permaneceram fiéis à sua convicção de não aceitarem este
projecto porque, disseram, "não fomos chamados para
discutir as alternativas."
Apresentado como um empreendimento de qualidade
superior, o Plano de Pormenor revelou algumas fragilidades,
.nomeadamente ao nível de "espaços tampão" junto das zonas
residenciais, a Sul, onde o limite do parque confina
directamente com habitações.
A população receia, sobretudo, situações idênticas às
que se encontram na Costa de Caparica, ideia recusada pela
Presidente da Câmara que considera que este Plano "aponta
para uma realidade diferente. Estes são parques de campismo
de 5 estrelas", disse.
A culpa é do POOC A necessidade de reconverter
a Costa de Caparica, situação que todos entendem, para que
haja maior qualidade de vida naquela localidade, obriga
segundo o Plano de Ordenamento da Orla Costeira, Sintra
Sado, a que todas infra-estruturas instaladas nas dunas,
recuem significativamente em relação à Frente Mar.
Por este motivo e em função do Programa Polis, é
necessário que os parques sejam transferidos para um novo
local ou "os campistas ficam sem parques"
referiu Maria Emília de Sousa.
Esta situação é pacífica. Raros foram os que discordaram
de uma realidade necessária e benéfica para o Concelho.
A localização escolhida é que não colhe simpatia nem de
campistas nem da população.
Quem fiscaliza? Uma das questões postas em debate, para
além dos muitas vezes referidos problemas com a rede viária
e trânsito, foi a de quem irá fiscalizar a utilização dos
Parques de Campismo.
António Anastácío, Presidente da Junta de Freguesia,
diria mesmo que "Não basta dizer que há Lei. Tem de haver
uma fiscalização que afaça cumprir."
António Anastácío referiu ainda que, como membro da
Comissão Local de Acompanhamento, sempre admitiu a
transferêncía dos parques de campismo desde que "fosse
imprescíndível para a concretização do Polis e se não
houvesse alternativa, porque o acho um projecto fundamental
para a modernização do Concelho."
Depois de referir que o Executivo iria tomar posição
oficial sobre esta matéria, uma vez que não se sentia
elucídado sobre os motivos que decidiram a escolha da
Charneca como destino dos parques, António Anastácío diria
que as suas questões pouco têm a ver com o equipamento
apresentado que "parece corresponder a uma solução bastante
bonita".
O Presidente considerou preocupante o elevado número de
utentes para as poucas condições locais para os acolher e,
simultaneamente, manter a qualidade de vida da população da
Charneca.
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