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Inácio Rodrigues da Silva

AROEIRA

CHARNECA DA CAPARICA

27 de Março de 2007                              

Exm.ª Senhora

Presidente da Câmara Municipal de Almada

Rua Trigueiros Martel, 1

2800-213 ALMADA

Junta de Freguesia da Charneca da Caparica

Rua Marco Cabaço

CHARNECA DA CAPARICA

 

Ministério da Administração Interna

Assunto: Acessibilidades no concelho de Almada

Há cerca de vinte anos que vivo no concelho de Almada, (Costa da Caparica, Cova da Piedade e Charneca da Caparica) e, desde sempre me é dado observar que a Câmara Municipal preocupa-se pouco ou quase nada com as vias de comunicação que são da sua inteira responsabilidade, as quais carecem de uma intervenção profunda e urgente.

Naturalmente que o péssimo estado em que se encontram as referidas estradas obriga a uma maior atenção e destreza por parte dos automobilistas. Ele é factor de desconforto e de perdas de tempo adicionais, com reflexos negativos no bem-estar e na qualidade de vida dos munícipes.

Para além dos aspectos negativos acima mencionados, os órgãos mecânicos das viaturas vão-se degradando mais depressa e, como resultado, vão afectando as condições de segurança das mesmas, com influência negativa na segurança rodoviária. Acrescem, ainda, os encargos que os automobilistas têm que fazer com reparações prematuras.

Assim que se sai do centro de Almada, por todo o concelho, é frequente verem-se estradas remendadas, vezes sem conta, ou, apresentando pisos absolutamente irregulares, que se perpetuam no tempo, dando a sensação de um perfeito abandono. E essa sensação aumenta quando se caminha pelas estradas ditas secundárias, onde o panorama de degradação é, ainda, mais gritante.

Não é só em relação às vias de trânsito que pretendo chamar à atenção... Faço-o, também, em relação aos passeios pedonais, inexistentes em algumas vias e, em relação aos existentes, muitos apresentam grandes irregularidades (altos e baixos) ou buracos, implicando uma permanente atenção por parte dos transeuntes.

É de estranhar que isto se verifique neste concelho, já que é sabido, a C.M.A. é uma das que cobra maior percentagem de imposto municipal sobre imóveis e arrecada, anualmente, uma fatia muito apreciável de imposto municipal sobre veículos, para além das receitas vultuosas inerentes às licenças de construção. Mas, mesmo que não fosse assim, é inexplicável a apatia com que a C.M.A. brinda os seus munícipes, durante anos a fio...

Não é exagero dizer-se que quando transitamos por algumas vias de comunicação do concelho, dada a ausência de intervenção, durante longos períodos, nalguns casos, diria, décadas, no tocante à reparação das acessibilidades ou à sua requalificação, por parte da Câmara, ficamos com a sensação que nos encontramos num país do Terceiro Mundo...                         

Veja-se, a título de exemplo, o estado em que se encontra a E.N. 377, que serve a Charneca da Caparica, cheia de remendos, com tampas de saneamento desniveladas em relação ao piso de rodagem e com um movimento extraordinário, que vai muito para além do que a via suporta.

E o que dizer do acréscimo desmesurado de trânsito, nesta e noutras vias de acesso às praias, na época balnear?

Como se isso não bastasse, existem dois célebres semáforos que se encarregam de tornar a vida dos automobilistas num inferno ainda maior.

Será que os mais altos responsáveis da Câmara não conhecem esta situação? Será que, conhecendo, acham que a estrada está em bom estado e não há nenhuma intervenção a fazer? Quero dar o benefício da dúvida de que a conhecem bem e têm já um plano para resolver a questão, porque o tempo urge.

Para além dessa premente intervenção na E.N. 377, há que,  requalificar a estrada que entronca no IC 20 e nos conduz à Charneca da Caparica, dotando-a de mais uma faixa de rodagem para cada sentido e prolongando-a até à Fonte da Telha, evitando, desta forma, o trânsito no interior da Charneca.

Também na Aroeira, apesar da maior parte da zona já ser servida por estradas alcatroadas, há, ainda, zonas com estradas em terra batida, o que não se compreende. A aliar a isto, pretendendo-se preservar o pinhal existente, o que merece o meu apreço, não se dá a devida atenção às lombas, muitas delas perigosas, provocadas pelas suas raízes. Então, também, é oportuno referir que a C.M.A. se tem eximido, inexplicavelmente, da manutenção dessas vias.

Já agora, quando a C.M.A. adjudicar uma obra, ao menos faça respeitar os prazos de execução já que, é sabido, que é hábito os prazos se prolongarem de uma forma absurda, com graves transtornos e prejuízos para os munícipes, mais parecendo que tais atrasos são programados para as obras serem concluídas por altura das eleições autárquicas, o que, a ser assim, não se admite porque é uma verdadeira afronta aos munícipes.

Por fim, apelaria ao dinamismo, voluntarismo e eficácia da Sr.ª Presidente, a exemplo do que disse, se não textualmente, pelo menos com este sentido, aquando da invasão do mar no Parque de Campismo do CCL: “se a C.M.A. tivesse a jurisdição desta área, o assunto já estava resolvido e isto não tinha acontecido”. Então, é altura de mostrar o que vale! Força, Sr.ª Presidente, porque a jurisdição agora é sua, do seu executivo!

Não deixo, no entanto, de recomendar prudência com afirmações deste tipo. É que é muito fácil criticar os outros quando sabemos que a responsabilidade não é nossa, e, principalmente quando se tem telhados de vidro!

Como munícipe, confesso-me profundamente desiludido com a prestação deste executivo, face ao que foi prometido na campanha eleitoral... Por mim, com o devido respeito, não voltarão a ocupá-lo.

 

Apresento a V.Ex.ª os meus cumprimentos.