Um ponto com nó ?
“A liberdade é preciosa. Tão
preciosa que deve ser racionada.”
Vladimir Lenin – Russo
(1870-1924) – Revolucionário, estadista, líder da Revolução
Russa de 1917.
Quando a
um cidadão é reconhecido mérito pelo trabalho desenvolvido
nesta ou naquela área e é agraciado, tal não implica
necessariamente que tenha de prestar vassalagem política
perante quem o agraciou, como o servo ou escravo se sentia
obrigado perante o seu "senhor" ou “dono”. Será (seria)
natural que quem agracia não pretenda cobrar do agraciado
“dolorosos juros”... ou que pelo menos lhe reconheça a
faculdade e o direito de fazer as suas opções políticas e
exercício de cidadania.
O
cidadão livre, não escravo e não subordinado a dependências
castradoras do seu desenvolvimento cultural e intelectual,
decide por si.
No
último acto eleitoral, um cidadão-candidato elaborou, por
convite pessoal e com a anuência dos próprios, uma lista de
cidadãos-eleitores apoiantes da sua candidatura a um orgão
autárquico no concelho de Almada.
Teve
conhecimento directo que tal lista incomodou certas pessoas,
porque houve quem pensasse que algum(s) desses
cidadãos-eleitores pelo facto de ter(em) sido em tempo
agraciado(s) ou " lisonjeado(s)" numa ou outra
circunstância, pelo poder autárquico instituído, não deveria(m)
subscrever a candidatura por esta ser de “côr” diferente do
agraciador.
Ora, aqueles cidadãos decidiram livre e responsavelmente por
si e não com ou pela cabeça de outrem.
Mais
grave é o facto de ainda terem pensado que o cidadão-candidato
abusara de alguns dos cidadãos-eleitores, devido à sua
(deles) idade ou por outras razões.
Simplesmente lamentável....mas perdoa-se a quem isso pensou.
Que poderemos nós imaginar então, em termos de possível
adulteração da vontade de cidadãos, quando certas
pessoas acompanham eleitores, idosos ou não, às câmaras de
voto, alegando que estes não vêem ou estão debilitados para
exercer o seu dever cívico, sendo o “acompanhante” quem coloca
a cruzinha num quadrado ?
Será que
aqui é sempre respeitada a vontade do cidadão-eleitor e/ou já
é tudo transparente? Não temos certezas. Estamos só a
exercitar.... porque o resto está fora de questão!
Lamenta-se o ocorrido e temos esperança, para bem de
Almada, que o défice democrático aqui existente, não continue
a ser camuflado sob um vistoso manto de demagogia e insinuante
mentira, protector de uma falsa democracia cerceadora do
pensar livre e independente.
Que se
derrubem todos os obstáculos para que ventos de
liberdade façam sorrir os rostos!
Eurico Marques