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Haverá Oposição em Almada?
Tem-se assistido no concelho
de Almada, nos ultimos dois anos, a uma crescente
contestação, por parte dos municípes, a opções ou
decisões do elenco camarário que lesam a qualidade de
vida das populações ou que poem em causa o futuro do
concelho.
A opinião dos almadenses não
é ouvida e por manobras ditas democráticas, orquestradas
à revelia dos almadenses, os municípes são colocados
perante factos consumados ou quase, e praticamente
irreversíveis.
Entendemos perfeitamente que
nada é feito por mero acaso. Tudo é feito na melhor das
intenções, com muito, mas mesmo muito trabalho e
"dedicação" no interesse de Almada. Fazem o melhor por
Almada, dizem.
Se é tudo feito no interesse
de Almada, então as populações estão a ser injustas
porque não reconhecem o esforço e o empenho de quem se
"disponibilizou" e se sacrificou para gerir Almada. Não
merecem então que tanta competência esteja ao seu
serviço.
Como as pessoas sao ingratas
e maldizentes!
Será mesmo isto? As
populações são ingratas e maldizentes?
Não nos parece!
Se atentarmos nos ultimos
resultados eleitorais autárquicos de 2001 no concelho de
Almada, relativamente aos de 1997, verificamos :
-que o nº
de inscritos baixou 5406 e o nº de votantes diminuiu
10094, aumentando a abstenção.
-que o nº de brancos e nulos
não sofreu grande oscilação
-que esta autarquia foi
eleita com menos 7621 votos do que nas eleições de 1997,
tendo mesmo assim obtido maioria absoluta e
que a coligação/partido que a elegeu foi a/o mais
penalizado em votos e em termos percentuais.
Face a estes resultados,
parece-nos que os autarcas eleitos o foram em grande
parte por votos "de residuais e incondicionais apoiantes"
devido não só à elevada abstenção que se tem vindo a
verificar no concelho de Almada, mas também ao seu
aumento relativamente a 1997, já que os não votantes
seguramente não são fiéis da côrte que gere actualmente
o município, pois se o fossem certamente não optavam pela
abstenção.
A população de Almada não se
revê nesta gestão autárquica. Muitos dos graves problemas
que afectam a vivência diária não foram resolvidos.
A titulo de exemplo poderemos citar a insegurança pública
que as pessoas sentem a partir de determinada hora da
noite, para já não referir mesmo durante o dia.
Estes eleitos subestimam a
população, a massa, que aparece na sua óptica reduzida à
simples condição de rebanho humano "conduzido" pela elite
autárquica, sem direito a pensar, a não ser como
aprendizes, balizados nos parâmetros, prévia e
superiormente definidos pelos auto-intitulados
"mestres e sábios incontestáveis", sem direito a divergir
ou a opinar de maneira diferente.
Perante isto e o
descontentamento que vai alastrando entre os almadenses
por esta gestão camarária, qual tem sido a posição e o
comportamento da oposição ? Que postura tem adoptado?
Quer-se constituir
alternativa a este "elenco autárquico " para servir o
concelho de Almada ou prefere continuar incógnita,
escondida, sonolenta, envergonhada e alheia aos problemas
das populações e do concelho?
Quer ser activa, estar ao
lado da população descontente e ter o seu apoio nas
próximas eleições ou continuar na situação de cómoda
letargia hibernante, gozando de alguns "raios solares"
que lhe deixam chegar, suficientes para manter a vida
vegetativa e o status, e só despertar e "parecer"
oposição em vésperas de eleições?
Já se questionou por que
razão as pessoas não vão votar?
Quer captar os votos dos
abstencionistas?
Face à notória
passividade e indiferença a que se assiste,
quer-nos parecer que autarquia e oposição configuram
ser farinha do mesmo saco!
Almada está não só farta de
uma gestão autárquica de marasmo e de "cosmética de
progresso", como também de candidatos "pára-quedistas"
das oposições.
Na verdade em Almada não
existe oposição que se veja e que os almadenses sintam. A
oposição em Almada, seja ela qual fôr, parece-nos estar
sob acção de um daqueles gases entorpecentes e
paralizantes que são incolores, inodoros insonssos e
mortais.
Terá a actual autarquia
algum destes "gases" a "actuar " sobre as oposições ou há
acordos tácitos de cavalheiros entre oposição e o "status
quo" instalado, para partilha de posições ou autarquias
aqui ou acolá?
Se há digam-no, sejam
honestos, não escondam a verdade aos eleitores. Se assim
é, o melhor será então escolhermos outro concelho para
viver!
Por tudo isto até parece que
só eles, os "eleitos" e os "oposicionistas", classes
"elitistas", são possuidores de "Um Dom Supremo". Todos
os outros são meros votantes e subordinados.
Eurico Marques
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