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Caros almadenses:
Aqui estamos de novo, como
prometi há algum tempo, a falar sobre o Metro Sul do Tejo
(MST). E, como era de esperar, o caldo está cada vez mais
entornado. Uma obra pública tão necessária nesta margem sul,
obra estruturante dos transportes que se desejam cada vez
menos poluentes e confortáveis, para que cada um ponha cada
vez mais de lado o seu automóvel e ande nos transportes
colectivos. Mas tudo isto sem fundamentalismos, porque o
transporte automóvel não pode ser completamente banido, como
é óbvio.
Desculpem-me lá este
desabafo intimista, mas quem me conhece de perto, vê-me há
vários anos, de passe na mão, particularmente ao fundo da Av.
25 de Abril, onde resido há 40 anos, a apanhar as camionetas
(!). E não queria continuar o resto dos meus dias a engolir
as baforadas das ditas camionetas (!), que são mais uns
caixotes podres ambulantes. Isso é outra história... Mas
também não quero o MST a atravessar o eixo viário central de
Almada, em superfície, porque isso é um disparate que vai
comprometer seriamente o futuro.. Há outras soluções,
inteligentes e respeitadoras do ambiente. É só querer-se.
Andam o governo (dono da
obra) e a Câmara Municipal muito aflitos com a definição do
terminal de Cacilhas: vai para aqui ou para ali, fica na doca
13 da Margueira ou fica acolá.
Há muito tempo que
sugeríamos que o terminal intermodal de Cacilhas ficasse
na doca 13, desde que o MST não fosse à superfície, no eixo
viário principal de Almada, adaptando-se aquela infrastrutura
já existente. Mas ninguém nos ouvia.
Este MST nasceu muito mal.
Aliás, talvez tenha nascido bem, mas com o tempo foi-se
deformando, houve muita falta de transparência ao longo de
todo o processo. O resultado está à vista e é sobejamente
conhecido que a principal responsabilidade pertence à senhora
presidente da Cãmara Municipal. E quando nos pseudodebates
promovidos pela Câmara Municipal venho dizendo que fui
aprendendo ao longo destes anos alguma coisa sobre obras
públicas, a senhora D. Maria Emília Neto de Sousa irrita-se
muito, como se a gente não pudesse e devesse aprender. Digo
pseudodebates, porque os cidadãos foram chamados a
pronunciar-se em fase mais que tardia. Agora chama-nos para
dar sugestões para ajudar a resolver trapalhadas que bradam
aos céus. E pseudodebates ainda porque a informação que nos é
revelada é "seleccionada", dizem-nos o que querem,
escondem-nos o que entendem, andamos nós à procura
de informção que devia estar mais que disponível. Vá lá, nos
últimos tempos as coisas vêm melhorando, já não era sem
tempo.
Claro que qualquer obra tem
sempre impactes negativos, mas não se vêm respeitando as mais
elementares regras de segurança e de protecção do ambiente
impostas por lei. Se isto não é cumprido, quem acredita que
as complexas monitorizaçõs também exigidas estão a a ser
efectuadas? Não nos façam tão parvos, não nos ofendam tanto.
As notícias que aqui vêm sendo difundidas em especial pelos
moradores da Ramalha são bem elucidativas.
Mas cá para fora, para
"leitor longínquo" ler, o discurso é outro. Ainda hoje, no
Forum Empresarial do jornal PÚBLICO, o engenheiro Paulo
Noguês, responsável pela assessoria à comunicação, dizia que
"as obras têm decorrido tranquilamente" e que após "a fase de
arranque em que as coisas são um pouco mais lentas, ganha-se
uma velocidade de cruzeiro e aumenta-se a intensidade das
obras, o que está a acontecer neste momento". Quando chegar a
velocidade de cruzeiro ao centro de Almada, os almadenses
terão de ser deportados...
Na última reunião da
Assembleia Municipal, há poucas semanas, como ainda não
estavam definidos pelo governo nem a localização do terminal
intermodal de Cacilhas, nem as negociações relativas aos
parques de estacionamento, entre outros aspectos, houve uma
deliberação aprovada por todos os partidos que expressa a
decisão da Câmara em não disponibilizar quaisquer terrenos
para parques de estacionamento (a deliberação da Assembleia
Municipal é de conteúdo mais amplo).
Quando as coisas correm mal,
a culpa é do governo. Mas quando há eleições à porta, O MST
é a bandeira maior da Câmara Municipal. Nas últimas eleições
autárquicas não tínhamos um centímetro quadrado sem
propaganda à frente do nariz, e que mudava quase todos os
dias.
Pelo Movimento de
Cidadãos - "MST, não cortes Almada ao meio",
Almerinda Teixeira
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