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Caros almadenses:
Só agora é que muitos almadenses se vêm
apercebendo de que o MST está a ser uma “grande trapalhada”,
trapalhada que vem desde há anos.
Ninguém pode contestar que o MST é uma
obra pública de extrema importância para a estruturação dos
transportes na margem Sul do Tejo, e que a opção de metro
ligeiro de superfície é sem duvida a mais correcta, de todos os
pontos de vista – ambientais, comodidade, etc. Mas o
atravessamento de Almada ao longo do único eixo viário, fruto
do voluntarismo da senhora presidente da Câmara – basta ver as
actas dos plenários da Assembleia da República de 11 de
Novembro de 1996 e de 31 de Março de 2000 - é um perfeito
disparate.
Muitos cidadãos, já no âmbito das duas
consultas do público, contra tal solução se manifestaram,
questionando-a com fundamento.
Na segunda consulta foram cerca de 2200
cidadãos que o fizeram! Se tal foi fruto sobretudo da
militância de alguns almadenses, foi também a expressão clara
de um primeiro sobressalto.
Como dizia a senhora presidente da
Câmara num debate realizado no dia 24 de Maio do ano passado,
no clube Beira Mar, o processo do MST “tinha de andar depressa,
para bem das populações” – e andar depressa significa para si
que só com os políticos e os técnicos – porque aos cidadãos em
geral a senhora presidente da Câmara passa-lhes
sistematicamente atestados de menoridade. Só começou a ouvi-los
para ajudar a resolver … as trapalhadas e, mesmo assim, com
uma arrogância que não lhe fica nada bem.
Se até uma certa altura do ano passado
não houvera propriamente ilegalidades, houve muita e muita
falta de transparência, muitas manipulações, vários atropelos.
Mas as ilegalidades começaram a surgir.
É-me muito difícil “falar pouco” sobre o
MST – já escrevi várias crónicas nos últimos anos, colaborei na
redacção de muitos textos. Por aqui me fico hoje. Mas voltarei.
E espero que os almadenses participem vivamente neste forum de
debate, manifestando assim o seus direitos e sobretudo os
deveres do exercício de uma cidadania activa. Sem medo de quem
tem uma concepção da política só “para os políticos e sobretudo
para os políticos”, como se os políticos não tivessem sido
eleitos para nos servir a todos. São horas do medo começar a
diminuir e desaparecer de todo.
Almada merece mais e melhor. E até ao
dia 26 de Março próximo, no forum Romeu Correia.
Almerinda Teixeira
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