Cidade da água faz renascer os antigos estaleiros da
Margueira
CRISTIANA VARGAS MARGEM SUL Um espaço atravessado por canais
que alberga comércio, habitação, serviços, equipamentos
e lazer, com uma carga de construção de um milhão de
metros quadrados onde podem morar cerca de 16 mil
pessoas e trabalhar mais de 14.500 indivíduos. É este o
cenário mais equilibrado do ponto de vista ambiental e
sócio-económico, de entre os quatro apresentados na
noite de terça-feira pela equipa encarregada de estudar
o futuro dos 115 hectares da frente ribeirinha nascente
de Almada, que incluem a área dos antigos estaleiros da
Lisnave, na Margueira. Até ao final de 2004, o plano de
urbanização definitivo deverá estar concluído.
Um ano depois de iniciado o trabalho encomendado pela
autarquia, e estudadas que estão as condicionantes
ambiental, geológica e geotécnica, os técnicos do
consórcio internacional mostraram às cerca de cem
pessoas presentes no Fórum de Participação as várias
hipóteses em cima da mesa - que foram de um mínimo de
800 mil metros quadrados de construção a um máximo de
1,5 milhões, algo que, no último caso, significaria
triplicar o volume de população existente na zona. O
cenário da não construção também foi analisado, mas
este apenas do ponto de vista académico, uma vez que
implicaria custos elevados e um diminuto retorno
económico.
O principal denominador comum às propostas é o
aproveitamento do elemento água, com a criação de uma
espécie de «Veneza de Cacilhas» na «enorme jangada que
é o estaleiro» - foi esta a expressão que Ana Roxo, da
Atkins, usou para classificar a área.
A massificação, a tipologia dos edifícios e os índices
custo/benefício variam bastante, visto que são diversas
as áreas ocupadas por actividades económicas e
habitação. No entanto, mesmo na alternativa mais densa,
o limite de altura dos edifícios é de cerca de 35
pisos.
Enquanto que as duas primeiras hipóteses, ambas de 800
mil metros de edificação e significando menores
impactos ambientais, demonstram dificuldades em termos
de sustentabilidade económica e financeira,
nomeadamente na criação de postos de trabalho - entre
os 8.600 e os 12.250 para 12.788 e 14.588 habitantes,
respectivamente -, as restantes opções apostam numa
maior ocupação do território.
A mais extrema determina uma média de 200 pessoas por
hectare habitado, com as alternativas torres ou
esporões construídos, mas neste caso os custos
ambientais seriam maiores e poderiam surgir
dificuldades de gestão do espaço. O retorno económico,
esse, é que também aumentaria, sobretudo com a criação
com 17.800 novos postos de trabalho.
É assim que, apesar de ainda não existir qualquer
decisão, o cenário intermédio parece ser o preferido
pelos especialistas, apresentando como vantagens,
segundo as suas próprias palavras, o «equilíbrio
sócio-económico e urbano, e assegurando uma boa
integração na cidade» pré-existente.
A fase seguinte, a realizar-se até ao final de Abril,
consiste no aprofundamento destes futuros possíveis
para a zona situada entre Cacilhas e a Cova da Piedade,
a qual será discutida no seio da autarquia e em
conjunto com a população e outras entidades envolvidas.