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Pescadores reclamam obras no porto da Trafaria
ALmada
Protestos
Federação dos Sindicatos ameaça sair à rua se Governo não
realizar, como prometeu, melhorias Um pontão de pesca e a
criação de um abrigo são duas das exigências
Ana Rute Silva
AFederação dos Sindicatos do Sector da Pesca ameaça sair de
novo à rua em protesto, se o Governo não arrancar, dentro
do prazo máximo de um mês, com obras no porto de pesca da
Trafaria, depois da transferência, em Novembro, da primeira
venda de pescado para
o MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa), em
Loures.
"Exigimos que se construa um pontão de pesca e um abrigo a
jusante dos silos de cereais e que os trabalhos avancem na
primeira semana de Março", afirmou, ontem, Joaquim Piló, da
Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca.
Numa conferência de Imprensa que decorreu no passeio
ribeirinho da Trafaria, ao lado da lota, os sindicalistas
sublinharam que "estão atentos" ao início da intervenção,
prometida pelo Governo na sequência do encerramento da
Docapesca, em Pedrouços,quando Portugal ainda alimentava a
esperança de ser o seleccionado para a realização da
America's Cup em 2007.
"Durante a primeira semana de Março, as obras deverão já
ser visíveis. Mas estas são obras provisórias e não podem
ser consideradas, de modo nenhum, definitivas", sublinhou
Frederico Pereira, da mesma estrutura sindical. Os
pescadores prometem avançar com "novas formas de luta",
caso a prometida requalificação no porto de pesca da
Trafaria não se concretize. "Faremos novas formas de luta
para que o Governo se convença de que não pode anunciar
coisas e depois não cumprir", declarou Joaquim Piló.
Para o sindicato, é "impensável que a região de Lisboa, com
três milhões de habitantes, não tenha um porto de pesca".
"Isto tem de ser reafirmado, quer em termos do
abastecimento de pescado aos habitantes quer do ponto de
vista dos pescadores", alertaram.
Segurança e higiene
A Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca levanta,
ainda, dúvidas quanto às condições de segurança e higiene
do porto de pesca da Trafaria e ameaça chamar um delegado
de Saúde para inspeccionar o local. "Algumas pessoas fazem
dos contentores local de habitação", denunciou Joaquim
Piló, lamentando o "desperdício no encerramento das
instalações únicas" da Docapesca.
A Doca do Espanhol (Rocha de Conde de Óbidos), em Alcântara
(Lisboa), e a Trafaria (no concelho de Almada) foram os
locais escolhidos para tomar o lugar do porto da Docapesca,
que fechou definitivamente as portas, embora ainda se
mantenham lá algumas empresas cuja saída foi adiada.
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