CRISTIANA VARGAS Margem
Sul Cerca de 45 mil metros cúbicos
de solos contaminados e 700 metros cúbicos de
granalha - escórias de metal - separam a zona dos
antigos estaleiros da Lisnave, na Margueira, de uma
utilização futura de grande sensibilidade, como a
construção de casas com jardim, obrigando a medidas
de remediação se essa for a opção a seguir pelo
Plano de Urbanização da Frente Ribeirinha Nascente
da cidade de Almada. Estes são alguns dos
resultados do estudo de caracterização ambiental,
geológica e geotécnica, encomendado pela autarquia
e apresentado na noite de quinta-feira.
Os dados recolhidos sobre os 115 hectares em
análise (50 dos quais respeitantes aos estaleiros)
apontam para que os condicionantes encontrados não
constituam restrições profundas ao desenvolvimento
urbano da área. Uma das principais limitações
parece residir na composição dos solos, já que
grande parte da área terá sido «roubada» ao rio.
Segundo o relatório divulgado pelo consórcio
internacional responsável pelo trabalho,
salienta-se como provável a «existência de
condições favoráveis à ocorrência de fenómenos de
liquefacção», risco que se agrava nas áreas de
aterro mais próximas do Tejo e que assume especial
preocupação, devido ao facto de Almada se situar
numa região com actividade sísmica.
Por outro lado, o nível freático, em algumas zonas,
«exibe uma forte resposta às oscilação de marés»,
prevendo-se que os edifícios tenham que se fundar
em estacas com uma profundidade de dez metros, de
forma a atingirem uma superfície estável. Os
técnicos recolheram 99 amostras de solo
superficial, 328 em profundidade e 16 de
sedimentos, apenas no perímetro dos estaleiros,
para detectarem, ao nível da poluição, uma
existência generalizada de granalha (cuja
toxicidade deriva da composição de tributil de
estanho e outros metais pesados), bem como de
bolsas isoladas de hidrocarbonetos.
A equipa aponta como preferencial a remoção dos
solos contaminados ou a criação de barreiras
artificiais entre a poluição e os futuros ocupantes
da área, quer sejam pessoas, edifícios, plantas ou
animais. A solução dependerá do uso de cada parcela
de terreno, pois o trabalho seguinte será a
apresentação de cenários, para cada um dos quais
será feita uma análise de risco e uma equação de
custo-benefício entre as medidas a tomar e o
rendimento esperado da hipótese urbanística em
apreço.