Governo Culpa Câmara de Almada por Atrasos nas Obras do
Metro
Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2004
Presidente da
autarquia "estupefacta" com declarações do secretário de Estado
dos Transportes
O secretário de Estado dos Transportes, Jorge Borrego,
acusou ontem a Câmara de Almada de ser a maior responsável pelo
atraso nas obras do Metro Sul do Tejo, que já não deverá entrar
em funcionamento na data prevista de Outubro de 2005.
"Se não fosse o conjunto de opções condicionantes imposto
pela autarquia, estou convencido que teríamos metro no sul do
Tejo na data prevista", disse Jorge Borrego à Lusa.
Um porta-voz da autarquia disse ao PÚBLICO que a "presidente
ficou estupefacta" com estas declarações, mas "não comenta
enquanto não estabelecer contacto com o secretário de Estado, o
que já foi solicitado".
Jorge Borrego admitiu que o concessionário, a Metro
Transportes do Sul, também está a ter dificuldades. "Mas o
tempo que demorar a concluir depende sobretudo da postura dos
intervenientes e sobretudo da câmara", disse.
"Uma dificuldade reside no troço de Cacilhas, porque o
município de Almada não disponibilizou os terrenos para o
avanço da obra", explicou Jorge Borrego, para quem "este facto,
por si só, deverá comprometer o arranque do sistema na data
prevista, que era Outubro de 2005".
"Se os terrenos fossem entregues amanhã, e nada obsta
tecnicamente a que tal aconteça, talvez fosse possível acabar o
projecto em pouco mais de um ano", afirmou.
Jorge Borrego criticou também as exigências da Câmara de
Almada no tocante a parques de estacionamento e ao sistema de
semáforos. O secretário de Estado explicou que já o anterior
Governo tinha tentado chegar a um acordo com a autarquia,
tendo-lhe apresentado um protocolo no final do mandato, mas
esta "não o aceitou à data, adicionando novas exigências que
não poderiam ser aceites".
Jorge Borrego adiantou ainda que, "quando este Governo
iniciou funções, chegou à conclusão que, para ir ao encontro
das pretensões das duas partes - o concessionário privado e a
câmara -, ter-se-ia de proceder a alterações no contrato e
eventualmente aumentar o esforço financeiro público". Segundo
os cálculos do secretário de Estado, "responder a todas as
solicitações representaria mais de 20 por cento do investimento
previsto do Estado"
|