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Sindicatos reclamam porto para arrastões na Trafaria
almada
Pesca Docapesca
propõe construção que serve apenas para barcos de pequenas
dimensões, obrigando os maiores a procurar alternativas
Proposta decorre do fecho da doca de Pedrouços
ana rute
silva
AFederação dos Sindicatos da Pesca e a administração da
Docapesca não estão de acordo quanto à dimensão da futura lota
e porto de abrigo da Trafaria, a construir na sequência do
encerramento das instalações de Pedrouços, em Lisboa (ver
caixa). Ontem, duranteuma visita às actuais instalações, a
presidente da Docapesca, Assunção Soveral, defendeu que a
futura intervenção deve ter em conta a pesca local. No entanto,
para os dirigentes sindicais não faz sentido construir novas
infra-estruturas que não sirvam, por exe
mplo, os arrastões.
"Temos de pensar se queremos uma lota de futuro ou uma lota de
presente", defendeu Joaquim Piló, da Federação dos Sindicatos
da Pesca. Assunção Soveral contrapôs que "seria interessante
encontrar uma solução para a pesca local", sector que "não tem
hipótese de ir até Cascais, Setúbal ou Sesimbra". "Os arrastões
estão a distribuir-se pelos restantes portos", argumentou,
sublinhando que é "necessário rentabilizar as estruturas". Por
seu lado, Joaquim Piló defendeu que "não faz sentido fazer um
porto de pesca para embarcações de quatro ou cinco metros. É
necessário prepará-lo para embarcações maiores".
Quanto à localização do novo porto de abrigo, a solução
apontada pelo sindicato parece não levantar objecções por parte
da Docapesca e Porto de Lisboa. O equipamento poderá ser
construído entre a ponte da OTAN e a fábrica da Silopor, num
extenso areal sem acessos. Ao que tudo indica, a lota ficará
localizada perto do cais de descarga de peixe. "Estamos
disponíveis para fazer os estudos necessários", disse o
comandante Eduardo Santos, do Porto de Lisboa, que também
esteve presente na visita. Assunção Soveral já tinha sublinhado
que, para a Docapesca, "é indiferente fazer a intervenção num
ou noutro local".
Melhorias
Luís Hermenegildo, presidente da Junta de Freguesia da
Trafaria, lembrou que a conclusão do Nó de Pêra/Trafaria seria
uma intervenção importante para melhorar as acessibilidades ao
local.
A lota da Trafaria sofreu algumas melhorias depois do
encerramento da Doca de Pedrouços. Foi instalado no cais um
pontão flutuante, reforçados os pontões e melhoradas a rampa de
acesso à praia e a estrada.
Segundo Assunção Sovereal, todas as outras intervenções de
fundo não são de implantação rápida. Para já, a Docapesca
pretende reunir-se com o secretário de Estado das Pescas, para
definir a localização. "Gostaria que chegássemos a um
consenso", apelou a responsável.
Mas Frederico Pereira, coordenador da Federação dos Sindicatos
da Pesca, não saiu satisfeito da visita. "Não fiquei
satisfeito. A decisão política está tomada, é preciso definir a
localização e a Administração do Porto de Lisboa quer saber
dimensões. Esta visita ia servir exclusivamente para definir a
localização", disse.
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