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Projecto de
hotel e comércio divide moradores do Pragal
construção Complexo
denominado Centro Cívico, que inclui ainda edifícios de
escritórios, levanta dúvidas a pequenos comerciantes Obra foi
pensada para integrar o Palácio da Justiça
Num terreno
baldio próximo do Tribunal de Almada vai nascer o Centro Cívico
do Pragal. Um hotel com seis pisos, zonas de escritórios e uma
superfície comercial estão previstos para o local onde,
actualmente, existe um imenso descampado com vista para a A2.
Mas nem todos os pequenos comerciantes estão satisfeitos com a
decisão.
"Sou plenamente contra. Tenho uma casa para pagar e está claro
que vou perder clientes. As pessoas vão atrás do mais barato",
lamenta Maria Pinto Costa, proprietária de um mini-mercado,
referindo-se à possível instalação do supermercado Lidl.
Durante a última sessão de câmara, onde foram aprovadas as
recomendações técnicas feitas pela autarquia ao estudo prévio,
outros comerciantes da Rua Marcos de Assunção partilharam a
mesma preocupação. "O que nos vai acontecer?", questionou Mário
Figueiredo.
Alberto Antunes, vereador socialista, também critica o projecto
"Não nos parece o mais adequado possível a existência de uma
superfície comercial junto a uma zona daquelas. É prejudicial
para o concelho e para a freguesia do Pragal, que podia ser uma
área de excelência", afirmou. Mas nem todos defendem o mesmo
ponto de vista. Um comerciante que preferiu não se identificar
acredita que vai beneficiar com o nascimento de uma nova zona
comercial.
Espaços verdes
O morador Carlos Simões também
aplaude a decisão. "O Lidl vai facilitar a minha vida. O hotel,
acho que até faz sentido ser construído, desde que não seja
grande", disse ao JN. Carlos Simões confessa, no entanto, que
trocava a comodidade de ter um supermercado à porta pela
construção de um jardim. "Gostava de um espaço ajardinado",
aponta. O estudo prévio propõe a "criação de uma imagem de
conjunto coerente, inclusiva do edifício do Tribunal de Almada e
a constituição de uma praça urbana".
Em declarações proferidas durante a sessão de câmara, Maria
Emília de Sousa, presidente da autarquia, explicou que a
intenção do projecto é dar uma "nova centralidade a uma zona que
é sobretudo de habitação e onde já existe o palácio da justiça".
"O objectivo é dar uma nova vida a uma zona na nossa cidade",
afirmou.
A autarca defendeu ainda que os comerciantes devem organizar-se
para fazer concorrência às novas superfícies comerciais e
referiu que a Câmara de Almada "tem desenvolvido um trabalho
muito sério com a associação de comerciantes".
Vozes
João Manuel
Comerciante
O que será do pequeno comércio no
Pragal? Passamos pelas lojas no centro de Almada e está tudo
fechado."
Maria Pinto Costa
Moradora
Estou de acordo com o hotel e com
um jardim bonito à volta do tribunal, mas não com um
supermercado. Qualquer dia não há comércio nacional."
Maria Emília Sousa
Presidente da Câmara
Os comerciantes não podem deixar de
ser organizar para também serem concorrentes das superfícies
comerciais."
Carlos Simões
Morador
O supermercado Lidl é bem vindo
porque é muito mais económico. Normalmente não faço compras na
minha rua, porque os preços são três vezes superiores."
Ana Rute Silva
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