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O risco de inundação levou
sete concessionários da zona a pedirem a intervenção
urgente dos deputados da Assembleia da República junto
do Instituto da Água, no sentido de ser encontrada uma
solução capaz de impedir o avanço do mar. O apelo levou
ontem os parlamentares socialistas Vítor Ramalho, Ana
Catarina Mendes e Alberto Antunes a visitar o local,
onde confirmaram a gravidade da situação.
“É necessária uma
tripla intervenção na zona. Em primeiro lugar, um
trabalho que está praticamente concluído consiste no
reforço dos esporões. Em segundo lugar, é necessária uma
reposição de areias na ordem das 300 milhões de
toneladas”, precisou Alberto Antunes.
“Numa terceira fase
é necessária a elaboração de um plano que permita a
defesa do cordão dunar,
de forma a que seja evitada a
construção de um paredão. Neste último trabalho, para
além da intervenção do Instituto da Água, cabe também à
Câmara Municipal de Almada elaborar o plano de pormenor
para o local”, esclareceu ainda o
socialista.
A concretização destas soluções pode, no entanto, ficar
seriamente comprometida caso o mar avance nos próximos
dias na zona do Búzio Bar, onde a língua de duna não tem
hoje mais de três metros de largura.
“É preciso agir já”,
diz Jorge Miranda, proprietário do bar, que encara com
muita preocupação a fúria do mar.
“Nesta última semana gastei 500 euros só para uma
máquina colocar areia junto do bar. Entretanto, o mar já
comeu praticamente toda essa areia”, desabafou. “No
futuro não sei como isto vai ser, para lá da duna, a
terra está abaixo do nível do mar e se a duna romper
neste local vai ser o diabo.”
TRABALHOS EM MARCHA
INAG ATENTO
O Instituto da Água
(Inag) é responsável pela
reconstrução dos esporões. Perante a dinâmica do mar,
efectua uma observação diária da situação a fim de
actuar de imediato para que o mar não rompa a duna,
garantiu ontem ao CM fonte do Ministério do Ambiente.
SOLUÇÃO
O deputado Vítor
Ramalho informou que a solução para impedir a erosão da
costa na zona de S. João da Caparica passa pela
concretização de um estudo elaborado pela Faculdade de
Engenharia do Porto que actue como uma barragem que
segure o areal.
SEIS METROS
O areal das praias
de S. João da Caparica está cortado
em dois níveis: um primeiro ao nível do mar e
um outro seis metros mais
alto, que a cada maré é comido em cerca de dois metros
de extensão, segundo afirmam os concessionários dos
bares da praia.
AREAL QUASE INEXISTENTE
"MAR ENGOLIU O MEU
BAR" (VÍTOR CERQUEIRA, CONCESSIONÁRIO)
“Nunca vou esquecer
7 de Janeiro de 2001. Nessa noite, o mar engoliu o meu
bar. Ficava 60 metros mais à frente onde depois construí
este, o Kontiki, bar que
volta novamente a estar em perigo. Parece impossível
como é que há cinco anos onde hoje é mar havia um
extenso areal.”
"RISCO MUITO ELEVADO" (JOSÉ CARLOS FERREIRA, GEÓGRAFO)
“Desde de 1999,
altura da elaboração do ordenamento da área costeira,
que sublinho que há um risco muito elevado de erosão na
zona da Costa de Caparica, desde a Cova de Vapor até à
praia do Rei. Para além da construção dos esporões, é
ainda necessário alimentar de areia as praias.” |