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Plano de Mobilidade não evita filas na ponte

 

Por ter um horário de trabalho regular entre as 15.00 e as 23.00, Miguel Pereira, 26 anos, desloca-se todos os dias da sua casa no Pragal até ao Bairro Alto de carro. O facto de passar pela Ponte 25 de Abril fora das horas de ponta permite-lhe efectuar o percurso de 11 quilómetros "em pouco mais de dez minutos". Um cenário que muda de figura em caso de acidente ou quando sai de casa mais cedo: "Já estive várias vezes uma hora nas filas e é costume ver gente a ler livros e a ler jornais no 'pára-arranca'. Nesses casos, ouço música para passar o tempo", explicou ao DN.

Algo que Carlos Figueiredo, 51 anos, também costuma fazer, mas sentado no conforto dos comboios da Fertagus que lhe permitem deslocar-se diariamente, de Corroios até ao Areeiro, onde trabalha no sector das telecomunicações, em cerca de 25 minutos. Sempre pontual e independentemente das horas a que sai de casa e "com direito a jornal gratuito e tudo".

Porém, a viagem nem sempre foi assim tão rápida: antes de se ter rendido ao conforto da linha de caminhos-de-ferro da Margem Sul que, de acordo com os dados da própria Fertagus, retira diariamente 20 mil automóveis da Ponte 25 de Abril, Carlos Figueiredo passou cerca de dez anos a sair uma hora e meia mais cedo de casa. Tudo para se deslocar de carro livre das filas, "que se iniciam por volta das 08.00".

O esforço não impedia, mesmo assim, esperas frequentes, "às vezes com duração até duas horas". Na rotina dos dias era possível observar o comportamento "descuidado" de grande parte dos condutores. "É costume ver homens a barbearem-se ao volante, mulheres a pintarem-se e depois temos ainda os apitos e as discussões constantes de quem se cansa de esperar", sublinhou ao DN.

Um cenário que se repete quase todas as manhãs e fins de tarde e que, juntamente com a averiguação de que existe uma média de 1,3 pessoas por cada viatura (das cerca de 40 mil que circulam diariamente na cidade), levaram a Câmara Municipal de Almada a criar o Plano de Mobilidade - Acessibilidades 21.

Mudar os transportes públicos

Projecto único no País, apresentado pela primeira vez em 2002, o Plano Acessibilidades 21 prevê que parte das medidas entrem em vigor até 2012. Mas, apesar de esforços, como a construção de um túnel na rotunda do Centro-Sul (que separa quem vai para Lisboa e quem circula na cidade), o projecto não pode fazer mais para responder à saturação diária da Ponte 25 de Abril, dado que as competências de resolução deste caso cabem ao ordenamento viário da Área Metropolitana de Lisboa.

"O Plano de Mobilidade identifica problemas, mas há ainda coisas por fazer", refere o vereador do Ambiente, Trânsito e Transportes de Almada, José Gonçalves, para acrescentar que "bastava abrir o nó de ligação da A2 em Corroios ou concluir a Circular Regional Interna de Setúbal para fazer escoar melhor os 30 mil veículos que vêm ao Centro-Sul".

O Acessibilidades 21 sublinha que as melhorias de tráfego estão no maior uso dos transportes públicos que, segundo José Gonçalves, têm de funcionar de forma "mais articulada no tempo e terem cada vez mais interligações entre si e simplificações nos títulos". O Metro Sul do Tejo é, por isso, "estruturante" para conseguir melhorias nos transportes. O atraso assumido na inauguração do MST para 2007 leva o vereador a reconhecer que "algumas das nossas acções terão de esperar pela concretização final do comboio". Mas já existem "bons sinais" no interior e acessos de Almada. Nova tecnologia luminosa, reformulação de cruzamentos e introdução de passadeiras elevatórias são alguns exemplos.

 

 

 

 

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