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Almada continua à espera do metro de superfície
Um pouco por toda a cidade os
outdoors
anunciam "Almada a Um Metro do Futuro", mas essa
realidade está mais distante do que os
almadenses desejariam. Passados dois meses sobre
a data em que deveriam estar a funcionar a "todo
o vapor", os 24 comboios da futura linha do
Metro de superfície continuam parados nos
estaleiros, em Corroios.
Os motivos que deram origem a este atraso nas
obras do Metro Sul do Tejo (MST)
- e que estão a
impedir que as obras prossigam conforme o
acordado no traçado inicial - estão relacionados
com a não entrega de terrenos, por parte da
Câmara Municipal de Almada, nomeadamente dos
subjacentes ao triângulo da
Ramalha.
Uma das consequências deste desentendimento
entre autarquia e concessionária resultou, numa
primeira fase, na paragem das obras e, mais
recentemente, no abandono parcial do estaleiro
situado no Pragal, junto à Estação de Comboios
da Fertagus.
Reforço da Estação do Pragal
Ao que o DN apurou, algumas das empresas que
fazem parte do consórcio estarão já a
fazer contas aos prejuízos causados por esta
situação. Obras paradas resultam,
necessariamente, em prejuízos inerentes a custos
com pessoal.
Na perspectiva dos cidadãos, os almadenses olham
para este impasse com desconfiança, dado o
incómodo causado. Desde a sinalização (muitas
vezes precária) a desvios de acessos que causam
sérios obstáculos, quer a moradores, quer a
transeuntes e automobilistas.
Um dos resultados deste braço-de-ferro entre
autarquia e consórcio foi também a alteração que
teve que ser feita no Pragal. Caso os terrenos
da Ramalha tivessem
sido entregues normalmente pela autarquia e as
obras seguido o traçado original, o metro não
teria de passar por cima da estação do Pragal,
obrigando a um reforço de uma das lajes. A
história do triângulo da
Ramalha não é nova. Já em 2003 os
moradores da zona questionavam os planos da
Metro Sul do Tejo. Em causa os acessos a uma das
ruas, passando muito perto dos
edifícios.
Ossadas no caminho
E como se os entraves não fossem suficientes, no
fim do troço junto à Universidade Nova, no Monte
da Caparica, foram descobertas ossadas humanas
pertencentes supostamente a um antigo cemitério.
Contactada pelo DN, a concessionária não quis
prestar declarações sobre esta matéria. Sinal de
que não há interesse em grandes revelações sobre
esta obra, agora numa fase complicada, também a
autarquia remeteu todas as questões relacionadas
com o MST para o boletim que publica
mensalmente.
Neste documento pode ler-se "para que o
Município de Almada possa decidir sobre a cessão
dos terrenos necessários para a construção do
MST, é indispensável que lhe sejam entregues as
plantas parcelares correctamente elaboradas
correspondentes aos projectos devidamente
apreciados e aprovados pelas entidades
competentes (…)
que até à data não foram entregues
nos serviços municipais".
Uma explicação estranha que remete para questões
burocráticas que não se compadecem com a
importância de uma obra daquela dimensão e
tantas vezes propagandeada pelas autarquias da
margem sul. |