Metro ligeiro encurta
parqueamento no centro
Reformulação viária no eixo
central da cidade suprime 900 lugares Plano de Mobilidade
permitirá recuperar dois mil lugares ilegais
ana rute silva
As obras do Metro Sul do Tejo (MST)
no eixo central da cidade de Almada vão suprimir 900 lugares de
estacionamento, reduzindo em 7% a oferta actual. Esta não será
uma boa notícia para os moradores da zona. Mas para ultrapassar
o problema vão ser "formalizados" dois mil lugares - actualmente
ilegais - e criados 800 novos estacionamentos.
Anteontem à noite, durante um fórum sobre o andamento do
MST,Philippe Glayre, chefe do Projecto de Mobilidade da
Transitec, (empresa que elaborou o "Plano de Mobilidade
Acessibilidades 21" para o concelho), tentou tranquilizar a
população e garantiu que se as propostas do plano avançarem,
haverá um aumento de 14% na oferta de estacionamento.
As obras no chamado "troço 1", entre Cacilhas e Pragal, prometem
dar algumas dores de cabeça aos moradores e automobilistas. Para
evitar o caos no trânsito, a Câmara de Almada pediu à Transitec
a elaboração de um estudo. Tal como o JN já noticiou, este
documento propõe que a intervenção seja realizada em quatro
fases distintas. Para cada sub-troço são propostos desvios de
trânsito, alternativas de estacionamento e mudança de sentidos
de circulação.
A Câmara de Almada quer aproveitar as obras do Metro para
introduzir alterações no trânsito previstas no Plano de
Mobilidade. José Gonçalves, vereador da Mobilidade, lembrou ser
"importante que se vá para a obra com os projectos devidamente
aprovados e com informação à população sobre os prazos do início
e do fim dos trabalhos". O responsável lembrou que "a obra na
Avenida 23 de Julho (Laranjeiro) não tem projectos totalmente
aprovados nem foi recebida provisoriamente quer pela Câmara,
quer pelo Estado".
Numa noite dominada pelas preocupações dos munícipes quanto às
alterações e incómodos de trânsito, apenas uma pessoa questionou
a autarquia sobre os atrasos da obra. "Não sou procurador do
consórcio, mas acho estranho que nesta fase ainda se esteja a
discutir isto… Há datas que não estão cumpridas, o consórcio já
pagou material circulante que está parado. Como é que tudo se
resolve?", perguntou Humberto Costa.
O vereador José Gonçalves respondeu que "o Estado saberá
defender o interesse público, tal como a concessionária saberá
defender os seus próprios interesses".
"Temos de perceber que esta é uma obra de grande dimensão",
disse, aludindo à aparente inevitabilidade dos problemas. Maria
Emília de Sousa, presidente da autarquia, lembrou que o estudo
apresentado é um contributo da câmara para que as obras decorram
com o menor incómodo possível e esclareceu que as "polémicas não
serão tratadas pelos jornais". Actualmente há 14 mil lugares de
estacionamento disponíveis no centro de Almada. Com o Metro, os
residentes vão poder estacionar nos parques subterrâneos que já
existem.
Números
14
mil lugares de estacionamento estão, actualmente, disponíveis no
centro da cidade de Almada.
250
pessoas assistiram, anteontem à noite, ao 12º fórum sobre o
Metro Sul do Tejo. A Câmara de Almada adjudicou em 2001 a
elaboração do 'Plano de Mobilidade e Acessibilidades 21' à
empresa Transitec, que não participou neste debate.
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