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A segunda fase de recuperação das praias do Norte da
Costa de Caparica (Inatel e S.João), severamente
danificadas pelos temporais da semana passada,
inicia-se em Março de 2007, segundo anunciou o
ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, por
ocasião de uma visita que efectuou ontem ao local.
Enquanto isso, desde domingo está a decorrer no
local uma intervenção de emergência que passa por
retirar areia da praia e colocá-la na zona das
dunas, com o objectivo de repor o cordão dunar
situado em frente ao parque de campismo do Inatel, a
zona mais afectada, onde o mar ‘roubou’ 16 metros de
areia. Esta intervenção deverá estar concluída antes
de quinta-feira, dia em que se prevê o regresso do
mau tempo e marés violentas.
O presidente da Junta de Freguesia da Costa da
Caparica, António Neves, está céptico quanto a esta
intervenção. “Vai ser feito, vai salvaguardar a zona
durante uns tempos – mas só, porque as marés de
Janeiro e Fevereiro hão-de varrer com isto tudo”,
afiança. “Isto não vai lá com uma obra de de
cosmética ambiental, só com uma obra de engenharia”,
acredita António Neves, um filho da terra, que há
muito anda com o coração nas mãos.
“Tenho assistido ao engolir de areal ano após ano,
com o cuidado de alertar sempre a quem de direito
para as consequências do fenómeno. O que está aqui a
acontecer não foi por falta de aviso”, garante o
presidente que, ainda em Março deste ano, solicitou
ao Instituto Nacional da Água “um reforço definitivo
e eficaz do cordão dunar das praias Norte”. Sem
êxito. “Não havia verbas”, justificaram-se.
António Neves, encontra apenas uma justificação para
o desinteresse pela Costa: “É uma terra mal amada”.
E justifica: “Não há nenhuma cidade do mundo com 25
quilómetros de areia e águas límpidas tão mal
aproveitados. Só tínhamos a ganhar com o turismo”,
diz. “Sinto um misto de raiva e indignação por não
ver esta terra ser tratada como devia”, acrescenta o
presidente ao mesmo tempo que tenta conter as
lágrimas.
VISÕES DA COSTA
- António Neves é presidente da Junta de Freguesia
da terra onde sempre viveu. Recorda-se dos tempos em
que caminhava longos quilómetros para chegar ao mar.
É com tristeza que vê desaparecer o areal da
Caparica.
- Desde domingo que as praias Norte da Costa de
Caparica são alvo de uma intervenção de emergência
para repor os 16 metros de areia que o mar roubou ao
cordão dunar junto ao parque de campismo do Inatel.
- As medidas anunciadas pelo ministro do Ambiente
para requalificar as praias norte não prevêem a
recuperação dos bares. Vítor Sequeira, do Kontiki, e
os outros concessionários mostraram-se indignados.
- Há 40 anos era possível ir a pé da Cova do Vapor
até ao Bugio. Para recuperar a praia do Tamariz, no
Estoril, retiraram-se da zona grandes cargas de
areia. A área ficou fragilizada, acabando engolida
pelo mar.
APONTAMENTOS
PROVA DOS NOVE
O presidente do Instituto Nacional da Água, Orlando
Borges, acredita que quinta-feira – dia em que se
espera o regresso do mau tempo – vai ser fulcral
para saber se a intervenção de emergência,
actualmente em marcha, é suficiente para aguentar o
Inverno rigoroso.
410 METROS
José Carlos Ferreira, professor do departamento de
Ciências e Engenharia da Universidade Nova de
Lisboa, adianta que o mar da Costa de Caparica
avançou 410 metros desde os anos 40, segundo estudos
levados a cabo pela universidade.
HOTAL DE LUXO
Em 2005 foi aprovado um projecto denominado Costa da
Trafaria, que pretende requalificar toda a zona da
Trafaria e S. João. Inclui a construção de um hotel
de luxo na zona.
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=224013&idselect=10&idCanal=10&p=200 |