Utentes e autarca contra
ampliação do hospital
polémica Estudo defende
aumento da capacidade do Garcia de Orta em detrimento de nova
unidade no Seixal Contestados critérios da decisão
Ana Rute Silva
A notícia de que o estudo de
prioridades de investimento, pedido pelo ministério da Saúde à
Escola de Gestão do Porto, defende a ampliação do Hospital
Garcia de Orta, em Almada, e não a construção de uma nova
unidade no concelho do Seixal, foi recebida com um coro de
protestos. Comissões de utentes da saúde, partidos políticos e
autarquia manifestaram-se em uníssono contra a proposta da
equipa técnica, que está em discussão pública até 27 de Março.
«O Hospital Garcia de Orta já é referência para todo o Sul de
Portugal. Com 650 camas vai ser um horror. As populações do
Seixal e de Sesimbra vão continuar a lutar por um novo
hospital», afirmou ao JN Sales Luís, porta-voz das comissões de
utentes da saúde dos dois concelhos. Recorde-se que em Março do
ano passado, 65 mil pessoas reivindicaram a construção de uma
nova unidade num abaixo-assinado já entregue ao ministério da
Saúde.
Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal, garante que a
opção defendida «vem agravar a actual situação» de
congestionamento de acessos e de utentes no Garcia de Orta e
confessa ter ficado surpreendido com a proposta já que, em 2002,
um estudo da Administração Regional de Saúde defendia a
construção de um equipamento. «O custo com a construção de um
novo hospital é apontado como uma desvantagem mas sem
fundamento. Comparam-se custos sem valores. É um estudo fraco
nesta matéria», acusa.
José Assis, vereador socialista na Câmara, defende que o Governo
tem de considerar o movimento cívico e confrontar os actuais
dados com os do relatório de 2002. «O ministro tem de comparar
os estudos e não seguir cegamente os argumentos economicistas»,
alerta. Também Luís Rodrigues, deputado do PSD na Assembleia da
República, já anunciou que vai pedir esclarecimentos ao
ministério da Saúde. «Uma coisa é não haver condições para
resolver o problema. Outra é haver condições e optar-se por
ampliar o Garcia de Orta. É preciso ver que as acessibilidades
não são as melhores», disse. A mesma preocupação tem Manuel José
Soares, do movimento de utentes. «A falta de acessos foi uma das
questões que levaram as pessoas a subscrever o abaixo-assinado»,
lembra.
O estudo da Escola de Gestão do Porto considera que o hospital
da margem Sul do Tejo ocupa a terceira posição no ranking das
prioridades de investimento. Os autores defendem a expansão do
Garcia de Orta devido a «considerações de custo e racionalidade
e eficiência da rede hospitalar», mesmo tendo em conta as
«dificuldades de circulação na região». O estudo, que pode ser
consultado em http//www.min-saude.pt/portal, chama a atenção
para o facto de, no distrito de Setúbal, «a inexistência do
número de camas coexistir com unidades hospitalares com
baixíssimas taxas de ocupação, como é o caso do Hospital do
Montijo».
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