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Longas
obras nos pontões prejudicam os negócios
Rui Pedro Vieira Rui Coutinho
Apesar do mau tempo e do mar revolto, as obras
de reforço do pontão das praias da Costa de Caparica não param,
com guindastes e veículos pesados a despejarem, hora a hora,
rochas em sítios estratégicos para contrariar o avanço das
ondas.
O que costuma ser um local de passeio diário é, durante os dias
úteis, algo semelhante "a um estaleiro", como apelida Carlos
Santos, reformado, que costuma passear quase diariamente na
larga estrada de alcatrão junto ao Restaurante O Barbas: "É um
mal necessário, embora custe ver esta paisagem assim. Só espero
que não se atrasem nas obras, porque isto está pouco para
passeios", explica ao DN enquanto sacode um pedaço de lama dos
sapatos.
A obra de defesa costeira e alimentação artificial das praias
iniciou-se formalmente a 20 de Setembro de 2004 e tem um prazo
de execução previsto de 25 meses, com direito a interrupção na
próxima época balnear (de Junho a Setembro) para não prejudicar
a utilização das praias urbanas.
Surfistas "deslocados"
De momento, a circulação para peões encontra-se dificultada por
uma longa vedação que só permite caminhar numa área com cerca de
metro e meio de largura. Alguns estabelecimentos estão de portas
fechadas e até os praticantes de surf se têm deslocado
para as praias de São João.
No mais célebre dos restaurantes à beira-mar, propriedade de um
conhecido benfiquista, O Barbas, um dos empregados explica ao DN
que há cuidado por parte dos técnicos da obra de "deixar tudo
limpo ao final do dia e, ao fim-de-semana, costumam recolher as
grades para facilitar os passeios e ainda há muito
estacionamento". Algo que não tem diminuído a lotação do
estabelecimento, que se esforça para manter intocável a fama
gastronómica.
"Prejuízo incalculável"
Com um custo total de 8 milhões e duzentos mil euros, a operação
de reconstrução deverá terminar no próximo mês de Outubro. Uma
data demasiado afastada para outros comerciantes da zona, como é
o caso do proprietário do restaurante Delícias na Praia: "Temos
um prejuízo incalculável, apesar de ser Inverno. Nem aos
domingos se consegue trabalhar porque isto está cheio de grades
e lama", sublinha ao DN João Lourenço, enquanto observa mais uma
grua a colocar pedras a poucas dezenas de metros do seu
estabelecimento.
Água chegou ao parque
Insatisfeito com a falta de esclarecimento e aviso sobre o
início das obras por parte da Câmara Municipal de Almada, João
Lourenço refere que "a Costa da Caparica está muito
abandalhada". E vai mais longe: "Para se ter uma vida melhor era
preciso que aqui existissem melhores hotéis e nós não temos
nada. Não sabemos se o programa Polis avança ou não porque as
coisas parecem não sair do sítio."
Que soluções? "Era preciso mais vistoria e ideias e não me
parece que estas obras evitem significativamente o avanço do
mar. Ainda no outro dia entrou água no Parque de Campismo de
Santo António", finaliza o proprietário do Delícias na Praia.
Mesmo ali ao lado, no bar Dragão Vermelho, é a poeira que parece
complicar mais a vida dos empregados e obrigar ao uso constante
da vassoura para acabar com o lixo provocado pelas operações.
"De resto, nesta época do ano, quem cá vem mais são clientes
fiéis e esses creio que se mantêm", explica a empregada do
pequeno café de paredes de madeira.
É o caso de Maria dos Anjos Sacadura que adianta ao DN que não
mudou os seus hábitos, apesar de ter sentido "uma
diminuiçãozinha" nos passeios à beira-mar. O cenário, a
manter-se o caos, deve piorar nos meses mais quentes: "No Verão,
se isto não acelerar, talvez se torne tudo mais complicado |