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Câmara propõe
construção faseada do metro no centro
obras Autarquia
apresenta na segunda-feira medidas para minorar impactos, mas a
Metro Transportes do Sul não vai estar presente Estudo define
desvios de trânsito e estacionamento
Ana Rute
Silva
Quando, na próxima segunda-feira,
dia 6, a Câmara de Almada apresentar publicamente um estudo
elaborado para minorar os impactos das obras do Metro Sul do
Tejo (MST) no centro da cidade, na plateia não vai estar nenhum
representante da concessionária.
Ao JN, fonte da Metro Transportes do Sul não quis comentar a
iniciativa da autarquia e garantiu apenas que "ninguém vai
assistir ao fórum de participação". O último debate aberto aos
munícipes decorreu a 21 de Junho, mas o impacto da obra em
Almada há muito que é alvo de duras críticas por parte da
autarquia e da Assembleia Municipal.
Em 2004, este órgão aprovou por unanimidade uma moção sobre as
dificuldades do projecto e decidiu não entregar os terrenos
necessários para a continuação dos trabalhos até que houvesse
informação atempada sobre desvios de trânsito e se cumprisse o
método de construção faseada. Com as obras paradas no Laranjeiro
e Pragal, não há qualquer sinal da chegada do metro de
superfície à principal avenida de Almada.
Publicação no boletim
A autarquia tem optado pelo
silêncio e segue a mesma estratégia para comentar o estudo que
será apresentado na próxima segunda-feira. O boletim municipal,
no entanto, publica duas páginas explicativas da proposta,
elaborada pela Transitec, a mesma empresa que elaborou o "Plano
de Mobilidade Acessibilidades 21" do concelho.
O estudo propõe que a intervenção no troço 1, de Cacilhas ao
Centro Sul, seja realizada em quatro fases distintas de Cacilhas
à Praça Gil Vicente; depois até à Praça S. João Baptista,
seguindo pela rotunda junto aos serviços técnicos da Câmara e
finalmente para o centro sul.
"Só quando terminarem as obras de infra-estruturas num dos
sub-troços é que deverão ser iniciadas no sub-troço seguinte",
lê-se no documento. Para cada um dos sub-troços a Transitec
propõe desvios de trânsito, alternativas de estacionamento e
mudança de sentidos de circulação.
"Interesse em colaborar"
"Algumas destas medidas de
circulação poderão ter carácter definitivo, considerando a
entrada em funcionamento do MST", diz a autarquia. O trabalho,
continua o texto, "demonstra o interesse do município em
colaborar com as entidades responsáveis por este importante
projecto". Contudo, prossegue a autarquia, "não invalida nem
substitui as competências da concessionária Metro Transportes do
Sul, que tem a responsabilidade de apresentar os desvios de
trânsito e alternativas de circulação durante as obras, assim
como criar soluções de estacionamento temporário e garantir o
acesso a estabelecimentos comerciais, residências e garagens".
A Câmara de Almada vai enviar o estudo à Equipa de Missão criada
pelo Governo para acompanhar as obras e à Metro Sul do Tejo, que
decidirá depois o eventual aproveitamento ou adaptação das
propostas.
Ponto de discórdia
A Câmara de Almada defende a construção faseada em troços,
prevista no contrato de concessão. Ou seja, só depois de estarem
concluídos 200 metros de obra é que se passa para os seguintes.
Por outro lado, lembra que cada etapa de construção deveria ser
acompanhada de um plano de circulação alternativo, divulgado e
assinalado com a devida antecedência. Medidas que, acusam, a
concessionária não está a cumprir.
Faltam projectos
Para a cessão dos terrenos necessários à construção do metro, a
autarquia diz que "é indispensável que lhe sejam entregues as
plantas parcelares correctamente elaboradas correspondentes aos
projectos devidamente apreciados e aprovados pelas entidades
competentes, que até à data não foram entregues nos serviços
municipais".
Investigação
Depois do engenheiro José Calisto da Silva ter denunciado
irregularidades nas obras do MST, o Ministério Público (MP) da
comarca de Almada abriu um processo administrativo de
averiguações. Este processo, que deverá terminar num prazo
máximo de 40 dias, vai permitir verificar se há indícios
criminais que suportem a abertura de um inquérito e a
constituição de arguidos. A confirmarem-se as suspeitas podem
estar em causa os crimes de favorecimento e inobservância de
regras técnicas de construção.
Obra atrasada
Com todos os impasses é inevitável o atraso de uma obra
reivindicada há mais de 15 anos pelas autarquias de Almada e
Seixal. A esta altura as carruagens já deviam estar a circular
entre Corroios e Cacilhas.
ps-quem paga -viva quem não vota viva ALMADA viva
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