Esta obra vai permitir a protecção da costa
contra o avanço do mar por uma década, no mínimo”,
garantiu ontem, confiante, o ministro do Ambiente,
Nunes Correia, durante uma visita à Costa de
Caparica para avaliar as obras de reconstrução do
paredão destruído pelos avanços do mar no último
Inverno.
Aproveitou para anunciar que a reposição de areias
nas praias afectadas terá início dentro de duas
semanas. Durante as obras, algumas zonas de praia
vão estar condicionadas aos banhistas.
Já na próxima semana será instalado o material de
dragagem necessário e nos próximos três meses
encher-se-ão as praias com 700 mil metros cúbicos de
areia. Está previsto um orçamento de 15 milhões de
euros para as obras de recuperação desta zona.
“Chegámos à conclusão de que a areia de boa
qualidade, que será dragada do Porto de Lisboa,
poderá rondar os 700 mil metros cúbicos e a total
colocação desta nas praias de São João deverá ficar
concluída no final de Agosto”, adiantou o ministro.
Sobre os
restantes 2,3 milhões de metros cúbicos de
areia necessários para distribuir pelas
praias da Costa, Nuno Correia realça a
importância de este tipo de obras de defesa
contra o mar funcionarem num prazo de vários
anos e não “de Inverno a Inverno”. A
conclusão da segunda fase está prevista para
2008.
Por causa destas obras, o acesso dos
banhistas a determinadas zonas de praia vai
estar condicionado, garantindo o ministro
que tal “não vai afectar significativamente”
o decorrer da época balnear.
O presidente da Junta de Freguesia da Costa
de Caparica, que ponderou não comparecer por
não ter sido convidado oficialmente, marcou
presença “como cidadão”. António Neves
acredita que esta intervenção de fundo irá
resolver por largos anos o problema.
Face às críticas de alguns banhistas, que
ontem mostraram desagrado pelos planos
anunciados, o presidente da Junta explica
que a obra é do interesse colectivo da
população: “Não podemos pensar de forma
egoísta”, diz.
Confrontado com os fracassos das
intervenções efectuadas no passado para
conter o mar o ministro garante que não há
comparação.
“Essas obras foram de emergência. Agora é a
altura de tentar cortar a força ao mar”,
frisou, adiantando que será preciso um
fenómeno marítimo extremamente forte para
conseguir transpor esta barreira, uma vez
concluídos os trabalhos. O que se pretende
atingir, de acordo com Nunes Correia, é “um
Inverno mais calmo e tranquilo no próximo
ano”. |
Pedro H. Gonçalves
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