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Junta acusa INAG de
parar obras no paredão
O presidente da Junta
de Freguesia da Costa de Caparica, em Almada,
criticou ontem a paragem das obras de reforço do
paredão em São João, acusando o Instituto da Água (INAG)
de "faltar à verdade" ao interromper os trabalhos.
António Neves disse, à Lusa, que o INAG "faltou à
verdade" ao não cumprir o plano de obra previsto
para o paredão, junto ao Clube de Campismo de
Lisboa, que foi destruído pela força do mar em
meados de Fevereiro. Nessa altura, o mar provocou a
derrocada das pedras que sustentavam o paredão,
abrindo dezenas de fissuras e colocando em perigo os
parques de campismo do Inatel e Clube de Campismo de
Lisboa, que se encontram a menos de 30 metros da
praia.
Depois dos primeiros rombos, o INAG iniciou
trabalhos no local, procedendo à reposição das
pedras que foram levadas pelo mar. Nessa mesma
semana, o INAG assumiu a necessidade de completar as
obras de reposição do paredão com pedra vinda do
exterior, por considerar que o material disponível
no local não seria suficiente para prevenir as marés
vivas de Março. De acordo com o presidente da junta
de freguesia, "as obras estão neste momento paradas
e não se viu no troço uma única pedra nova".
"Espero que alguém tenha a coragem de, quando
acontecer mais alguma coisa grave, assumir o que não
foi feito para resolver o problema", desabafou o
autarca, considerando que o INAG tem toda a
responsabilidade neste caso e que "sabe as asneiras
que anda a cometer".
A preocupação do presidente da junta surge pelo
facto de se esperar, para os dias 18 a 23 de Março,
"um equinócio de Primavera muito duro, conjugado com
a época de lua nova e marés com cerca de cinco
metros". No entanto, segundo as previsões do
Instituto de Meteorologia, o dia de ontem também
poderia ser preocupante. No distrito de Setúbal era
esperada uma ondulação entre os quatro e cinco
metros o que, aliado ao mau tempo e ao vento a
soprar de Oeste, poderia voltar a atingir a zona da
Costa.
António Neves confirmou também que ainda não se
iniciaram as obras de preenchimento das praias com
areia vinda do exterior, uma obra de fundo
considerada pelo INAG como a solução mais viável
para os problemas de erosão na Costa de Caparica. A
Lusa tentou, sem efeito, contactar o Instituto da
Água. |