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Costa da Caparica
Freguesia sem concelho
Cidade com presidente de junta
de freguesia
Não
quero entrar em conversa de comadres, mas diga-me
quem puder, o que é que já foi feito, com
resultados, sobre o problema da zona costeira, da
Costa da Caparica, é areia demais para a minha
camioneta, mas não a suficiente para resolver o
problema.
Quem ao longo destes anos, foi responsável, quem
assume, quem dá a cara. O problema não é de hoje,
nem deste ano que acabou. Fizeram pontões nada
resolveu, trouxeram uma camioneta de areia,
desapareceu. Esquecem que há mais marés do que
marinheiros e algumas bem vivas, mais do que os
políticos desta terra, e também mais certas, porque
mais tarde ou mais cedo elas aparecem. Os nossos
responsáveis políticos, há quem não os veja, fazem
artigos nos jornais, aparecem na televisão e o que
me chateia é que eles falam, falam, falam e eu não
os vejo a fazer nada.
Pouca gente sabe que a areia que agora nos faz
falta, é aquela que tiraram para as obras da Expo e
para as praias da zona de Cascais.
É
claro que os problemas desta cidade que temos, não
se resumem aos da zona costeira, alguns são comuns a
outras cidades deste país que é nosso, outros são
mais pitorescos.
Como todos sabemos não temos hospital, mas temos um
“lindo” posto de saúde, é claro que para termos
consulta temos de ir umas “horitas antes, lá pelas
seis da manhã, pode ser que tenha a sorte de
conseguir uma das dez senhas que são distribuídas.
Corra, morra de frio, apanhe uma bruta constipação
mas vá cedo. Para medir a tensão arterial só em dias
específicos, faça os possíveis para não se sentir
mal, nos outros dias, vai desorganizar o serviço e
obrigar os funcionários a horas extras, pelo tempo
que demora a tirar o aparelho da bolsa a dar à
bomba.
Uma
coisa que é normalíssima no nosso serviço de saúde,
são os médicos estrangeiros, maioritariamente
espanhóis. Mas no posto da Costa da Caparica ele é
dos países de leste, para compreender e fazer-se
compreender foi algo do outro mundo, nem fazendo
desenho.
E
as urgências no nosso posto funcionam até às oito da
noite (era até às dez) e mais não fazem do que uma
triagem, mas como poderiam fazer mais sem meios de
diagnóstico, não podem fazer uma análise, nem uma
radiografia, nada. É um serviço inútil em algo que
não seja, uma simples constipação, ou naquelas
coisinhas corriqueiras, simples de diagnosticar,
muitas vezes arrisca-se a diagnóstico da moda “é um
vírus”.
Vou
só falar de mais uma coisa, os transportes: carros
viaturas em terceira mão, profissionais que parecem
escolhidos a dedo “salvo raras excepções”. Em Lisboa
damos a volta à cidade por um euro e dez cêntimos
aqui para irmos da Trafaria à Costa pagávamos um
euro e sessenta e quatro cêntimos mas em Janeiro já
aumentou. Eu é que estou desactualizada. As viaturas
avariam constantemente, muitas delas fazem barulhos
esquisitos, de fazer inveja aos melhores filmes de
terror. As portas essas dependem do menu, umas vezes
não fecham outras não abrem, para sabermos o destino
a maior parte das vezes temos de ser de Olhão e
jogar pelo Boavista, para ler o quadrado de papel.
Quando uma se avaria, não há substituição mas quem
se rala, o dinheiro dos passes já lá está e livro de
reclamações não existe. Uma das cenas mais
engraçadas a que assisti, foi um condutor a
presentear os passageiros com adjectivos pouco
próprios e a ameaçar os passageiros que só deixava
sair em Cacilhas (estávamos no Monte da Caparica),
isto pelo simples facto de termos reclamado é que o
condutor foi tão simpático que não deixou sair um
senhor cego pela porta da frente.
Novos episódios em breve.
Até
logo e por favor, não ignorem, não esqueçam, não
finjam que não vêem.
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