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ALMADA NA GUERRA ENTRE D. JOÃO I  DE CASTELA E D. João, MESTRE DE AVIS

D. Fernando I tivera uma única filha, a princesa D. Beatriz, que fora casar a Castela com o rei D. João I.

Depois da morte de D. Fernando (ocorrida em 1383) ficou como regente a sua viúva, D. Leonor Teles, que proclamou como rei de Portugal a sua filha D. Beatriz e o seu genro D. João I, de Castela.

0 povo não recebeu de bom grado tal proclamação e nomeou o mestre de Avis, regedor e defensor do reino.

Foi então que o rei de Castela invadiu Portugal para defender os seus direitos e veio pôr cerco a Lisboa, por terra e por mar.

Almada teve um papel heróico nestes lances, como vamos ver.

As tropas de D. João de Castela eram abastecidas pelos arredores de Lisboa e para que os sitiados não recebessem mantimentos por mar, cruzavam constantemente o Tejo duas galés entre Lisboa e Almada.

Por esse tempo Diogo Lopes Pacheco, um dos indigitados assassinos da rainha D. Inês de Castro, já um ancião de oitenta anos, espicaçado por um sentimento de patriotismo, regressou a Portugal com os seus três filhos e trinta homens, no intento de vir oferecer os seus préstimos ao mestre de Avis.

Sendo-lhe impossível entrar em Lisboa tentou acolher-se à vila de Almada, dizendo que se lhes dessem essa concessão lhes faria mercê. Porém, os do concelho da vila recusaram, por os julgarem castelhanos

O rei de Castela querendo sitiar Almada fez passar o Tejo nas suas galés um corpo considerável de tropas, isto depois do dia 17 de Junho de 1385.

Encontraram na praia de Cacilhas Diogo Lopes Pacheco e seu séquito, ao qual depois de um curto mas renhido combate fizeram prisioneiro, assim como a Afonso Gallo, recebedor da vila. Os fidalgos que acompanhavam Diogo Lopes conseguiram fugir para Sesimbra  .

D. João I de Castela, reforçou as tropas que tinha em Almada e apertou o cerco, no intuito de fazer render a vila pela fome. Os almadenses chegaram a ver-se na necessidade de amassar o pão com vinho e de atirarem ao mar, por uma penedia os cavalos que tinham na vila, por não terem água nenhuma dentro da vila, tendo morrido muita gente à sede, pior flagelo que o da fome.

Postos os portugueses neste estado determinaram ir buscar água ao longo do mar, para o qual iam por uma peneda muito grande, por um caminho que eles para este efeito fizeram. Como os casteIhanos (em número de quatrocentos) souberam isto, puseram-se em cilada, escondidos, e os portugueses que iam pela encosta não eram mais de dezassete, os quais entre aquela peneda pelejaram e feriram muitos .

Camões, alude a este feito em os Lusíadas, estancia XXXV, canto VIII:

Olha que dezassete Lusitanos, Neste outeiro subidos, se defendem Fortes, de quatrocentos Castelhanos, Que em derredor, pelos tomar, se estendem; Porém logo sentiram, com seus danos, Que não só se defendem, mas ofendem. Digno feito de ser, no mundo, etemo. Grande no tempo antigo a no moderno.

                                                               FORTE6.JPG (17827 bytes)

(1) Pinheiro Chagas, História de Portugal, vol. I, p. 562, diz-nos «que uma das razões de Diogo Lopes vir pare Portugal provinhe de ter percebido que era tratado «com menos afecto», devido a D. Beatriz, neta de D. Pedro I. Chegou ao conhecimento do mestre de Avis que o velho fidalgo fora feito prisioneiro e, com a sua costumada bondade, trocou-o, contra o conselho de muitos, pelo fidalgo castelhano Juan Raxires de Arellano, que os seus haviam feito prisioneiro.

(2) Manuel Correia, Comentários dos Lusiades, ed. de 1613; «Almada», artigo in O S"o, de 30 de Abril de 1899, por Luís de Queirós.

 

Diz Campos Monteiro nas anotações a Os Lusíadas, à dita estancia, que sates dezassete portugueses eram comandados por Martim Vaz e haviam sido cercados em Vilalobos).

O Mestre, inquieto em Lisboa, pela sorte dos almadenses, sofria por não poder enviar-lhes socorro. Foi então que um homem de Almada, que viera na esquadra do Porto prontificou-se a ir de noite a Almada, a nado, saber notícias.

O homem assim o cumpriu e, trás dias depois, o Mestre reenviava de novo o mesmo homem a Almada para dizer aos da vila que não podendo ele socorrë-los e tendo-se praticado actos de inacreditável heroísmo na defesa da vila era já tempo de não fazerem esforços incompatíveis com a natureza humana, a que portanto lhes aconselhava que se rendessem.

Assim fizeram, ainda depois de longas negociações, porque o rei de Castela não falava senão em passá-los a fio de espada.

Consentiu enfim em conceder-lhes vidas e bens salvos, porque lho suplicou muito sua esposa D. Beatriz.

Esta heróica defesa de Almada encheu de entusiasmo o reino, de reconhecimento o coração do Mestre e de assombro o inimigo .

Foi em princípios de Agosto que Almada se rendeu.

Isto provou a D. João I de Castela que era difícil conquistar um povo consciente da sua nacionalidade, pois que se naquela vila, onde começou a faltar a água logo no princípio do cerco, levou més e meio a render-se, como seria possível a conquista de Lisboa e do restante território ?

Porém, o cerco a Lisboa continuou. O rei de Castela resolveu destroçar as tropas de D. Nuno Alvares Pereira a pare disso mandou ao Alentejo Pedro Sarmiento. Então, não longe de Évora, os seus soldados, que eram numerosíssimos, rodearam os poucos soldados de D. Nuno Alvares, que estavam dispostos em quadrado para os reduzirem pela fome.

O desígnio não lhes saiu certo porque D. Nuno Alvares Pereira vendo que um combate lhe seria prejudicial forçou o cerco a retirou-se para Evora.

Pedro Sarmiento depois desse feito voltou para Lisboa. D. Nuno Alvares Pereira, furioso com a sua forçada retirada viu que ele considerava uma desonra, intentou, para se vingar da afronta, pós surpreender Pedro Sarmiento em Almada, onde julgava que ele estaria.  Não estava: estava diante de Lisboa, mas em Almada ficara  efectivamente uma parte da sua hoste. e  Nuno Alvares marchou dia e noite e conseguiu surpreendé-la tan ao romper da manhã, quando a maior parte estava ainda deitada. Ali em Cacilhas e noutras povoações dos arredores de Almada, «pr a mortandade foi grande, considerável o destroço, imenso o terror.  Tudo fugia diante de um punhado de portugueses: tal fora o pânico suscitado só por este nome «Nuno Alvares», rodeado de todo o prestígio que lhe davam estas súbitas aparições, estas temeridades audaciosas. na Esperava o fronteiro do Guadiana entrar de envolta com os fugitivos no castelo de Almada, mas a guamição teve tempo de  cerrar as portas. Nuno Alvares não queria pôr-lhe sítio, como se  pode imaginar: limitou-se a reunir a sua pequena hoste e a aparecer  a cavalo, iluminado em cheio pelo sol nascente, no monte que  domina o Tejo. Diz-nos Fernão Lopes que de Lisboa e do acampamento castelhano devisaram-se aqueles vultos de cavaleiros nos cerros da margem fronteira, e que, depois de alguns momentos de hesitação, se espalhou voz que era Nuno Alvares, o que excitou a um alto ponto o entusiasmo dos cercados e a ira dos cercadores. Parece-nos impossível que, à vista desarmada,  se divisassem de Lisboa vultos de cavaleiros imóveis nos montes da margem esquerda. E verdade que os reflexos do Sol, batendo de chapa em duzentas ou trezentas armaduras polidas, podia indicar, a olhos habituados, a presença de uma hoste numerosa de cavaleiros. Fosse como fosse, quando Pedro Sarmiento atravessou o rio para ir em barcos punir os audaciosos, já Nuno Alvares e os seus haviam desaparecido, deixando todos os espíritos fascinados por esta coragem inaudita, por esta passagem rápida como a de um raio devastador a terrível

D. João de Castela, como grassasse nos seus arraiais a peste, viu-se obrigado a levantar o cerco de Lisboa, mas com o firme propósito de voltar um dia.

Dias antes partiram alguns marinheiros no intuito de obterem mantimentos. Foram a Almada, mas quando subiam a encosta do Ginjal foram atacados pelos almadenses que munidos de paus, lanças e arcabuzes conseguiram acabar com muitos deles fazendo os restantes prisioneiros  .

Como o rei de Castela não podia deixar guarnição em Almada, «preferiu confiar a defesa aos moradores, levando para segurança, como reféns, os filhos (alguns, crianças de quatro anos), dos principais cidadãos .

Apesar disto, quando o Mestre de Avis, depois de levantado o cerco e a partida da esquadra (28 de Outubro de 1384) fez entrar na sua obediência os lugares que tinham voz por Castela, Almada, com heroísmo feroz e patriotismo desmedido, «não só abriram as portas ao Mestre, mas até combateram e repeliram os castelhanos da esquadra...» (como atrás dissemos)... Imolando o amor paternal nos altares da Pátria, os almadenses em massa imitavam o heróico sacrifício de Bruto a entregavam à cólera e à vingança do rei de Castela os tenros e inocentes filhos .

(1) Luís de Queirós, artigo citado.

(2) Pinheiro Chagas, ob. cit., vol. I, p. 581.

(3) Id., ibid.

 

Casa da Cerca

0 Palácio do Cerca fica situado no extremo norte do núcleo de Almada Antigo. bem no topo da falésia com vista

privilegiada sobre o rio Tejo, junto ... Rua da Cerca, com o "Passa Rego" e a "Boca do Vento" e separado

castelo

Inserido num conjunto denominado "Quinta da Cerca", composto por casa nobre de habitação de dois pisos, pelo

pátio de acesso, com portal de ferro a dar para a Rua da Cerca, por terras de semeadura e jardins, , considerado o maior a mais característico exemplar de arquitectura civil setecentista da Cidade de Almada,  dos séculos

XVII a XVIII, abrangendo uma reamurada de cerca de 14 hectares.

Tal como a maioria dos quintas de recreio da época na sua traça arquitectónica prevalece a linguagem barroca,

muitos das vezes  na senda do românico.

Em 1808, aquando da primeira invasão francesa, serviu de aquartelamento a um regimento francês.

devido ao seu interesse histórico e arquitectónico e ao seu valor patrimonial, a Câmara Municipal de Almada, em

1988 adquiriu a Quinta da Cerca, que entre Fevereiro de 1991 a Junho de 1993 foi alvo de profundas obras de

recuperação mantendo a sua traça original.

Hoje denominada Casa do Cerca - Centro de Arte Contemporânea, passou a acolher um vasto projecto cultural, sob a direcção do pintor Rogério Ribeiro, que permite continuar a acrescentar novas perspectivas no âmbito cultural Municipal da Arte.                   

 

                                                                                         

Igreja de Santa Maria do Castelo

Depois do grande terramoto de 1755, só restaram as paredes laterais e os escombros da velha igreja de Nossa Senhora da Assunção, igreja matriz da Vila de Almada, "obra antiga. nobre, de abóbada, sem nave alguma e toda de pedraria", como nos conta o lacónico Padre Salvador Pereira de Matos, nas Memórias Paroquias de 1758.

No entanto, a igreja, que se crê erigida logo após a reconquista, na segunda metade do século XII, havia passado por diversas transformações. Em 1527, decorriam obras importantes quando se realizou a visitação ordenada pela ordem de Santiago, e nesta descrevem-se a construção de uma nova sacristia, a substituição da pia baptismal, obras no coro alto e a remodelação e construção de novas capelas. Esta intervenção assimilaria, em parte, uma estética renascentista, como já tinha ocorrido, por exemplo, no caso da capela funerária de Heitor Moniz Perdigão, trabalhada com lavores "ao romano" (i.e. de influência clássica). Também denominado Igreja de Santa Maria do Castelo, o templo era neste período lugar de prestígio e de afirmação social da fidalguia almadense, ostentando as boas pinturas do retábulo dos Reis Magos, e a própria câmara da vila fazia-se representar pela Capela do Concelho, mesmo ao lado da torre sineira.

Quase um século mais tarde, atestando a manutenção da sua importância simbólica, Francisco de Andrade, cronista do reino, guarda-mor da Torre do Tombo e autor da história do reinado de D. João III, aqui foi sepultado em 1614.

No século XVIII, segundo a descrição do Dicionário Geográfico, do Padre Luís Cardoso, o vetusto templo possuía seis altares. A capela-mor, desde sempre dedicada a Nossa Senhora da Assunção, tinha do lado da epístola as capelas dedicadas a Santo António, Nossa Senhora do Socorro e São Francisco, enquanto no lado do evangelho se situavam as de São Pedro e Nossa Senhora do Cabo.

No entanto, o esquecimento em que caiu a Igreja de Santa Maria depois do terramoto foi de tal ordem que chegou a ser questionada a sua localização no interior do castelo

O terramoto de 1755 afectou , grande parte dos imóveis civis e religiosos da vila de Almada. Assim „ sendo, os edifícios mais antigos que actualmente se podem observar são resultado da reconstrução pombalina que, em alguns casos,se aproveitou os entulhos a cantarias provenientes dos derrubes provocados pelo sismo.

Existem na rua Rodrigues de Freitas diversos imóveis notáveis, de entre os quais se destaca o n. 6, bom exemplo arquitectónico dessa fase, com azulejos de padrão, varandins e mansarda.

 

Igreja de Santiago  STIAGO19.JPG (16172 bytes)

A Igreja de Santiago foi edificada no início do século XIII, fora das muralhas do castelo, num período de aumento demográfico e de desenvolvimento da malha urbana da Vila de Almada. Desde então, o templo sofreu  numerosas intervenções, acompanhando .as mudanças de gosto e mentalidade  sucessivas gerações de almadenses.em 1724, a igreja foi "reedificada" segundo as indicações do padre e arquitecto régio Francisco Tinoeo da Silva, a quem pode ser atribuído o desenho do portal e também o retábulo da capela-mor. Certamente influenciado pelas obras do Convento-Palácio de Mafra, este é composto com pedras calcárias de diferentes cores, diferenciando cada um dos elementos de arquitectura clássica. Felizmente, a intervenção do arquitecto Tinoco, patrocinada por D. António, irmão do rei D. João V, respeitou a abóbada de nervuras, pós-manuelina, que cobre a capela-mor, não interferindo também no corpo da nave, que manteve o revestimento integral de azulejos de padrão, da primeira metade d século XVII .Santiago foi a igreja de Almada que menos sofreu com o terramoto de 1755 e o prior da igreja, José Salgado de Araújo, nas Memórias Paroquiais de 1758, faz uma extensa descrição em que a classifica "de mediana grandeza, sem naves, toda de azulejo antigo, excepto o da copela-mor, que é moderno". os monumentais painéis da capela-mor, encomendados entre í73o a 1740, descrevem dois momentos capitais da lenda  da freguesia, apresentando do lado da epístola a Trasladoção do corpo de São Tiago e do lado do evangelho São Tiago combatendo os mouros na batalha de Clovijo. São um poderoso exemplo da capacidade da azulejaria em sugerir novas relações espaciais a transformar, assim. uma estrutura arquitectónica pré-existente. Mas São Tiago não era a única devoção dos fregueses desta paróquia e a importância das festas realizadas por honra de São João Baptista justificava que, na primeira metade do século XVIII, as imagens desses dois santos estivessem colocadas no altar-mor. A capela colateral, do lado do evangelho, foi totalmente reconstruída no último quartel do século XVIII, passando a incluir um novo retábulo e azulejos rococó com pequenas cartelas com emblemas da paixão, provavelmente de Santiago combatendo os mouros Apesar da construção da nova igreja de Almada, Santiago continua aberta ao culto, servindo também de apoio a uma associação de assistência social. Da igreja de Santiago sai, no dia 13 de Junho, a procissão de São João Baptista (padroeiro de Almada) em direcção à Ramalha, onde a imagem do santo fica até ao dia seguinte na capela de Santo Antão, anexa à quinta de São João da Ramalha. No dia 20, regressa ao local de origem trazendo uma coroa de frutos e associando esta celebração com a fertilidade agrícola da região. Às festas e romarias em Almada acorriam gentes dos arredores e mesmo de Lisboa. Até à década de setenta a mais famosa era precisamente a romaria à Ramalha, popularmente conhecida como procissão dos bêbados, que se realizava no dia 25 de Junho, na sequência das festas de S. João.

 

Contacte a Junte de Freguesia pelo seguinte email:

jfalmada@mail.pt