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Igrejas do Concelho de Almada


Comece pela Cova da Piedade. Mesmo no centro da povoação perto de um jardim encontra uma pequena igreja dedicada a Nossa Senhora da Piedade. Anteriormente, no mesmo lugar, tinha existido uma ermida dedicada a S. Simão. Em 1762, após o terramoto, foi reconstruída. No interior, de uma só nave, destacamos os azulejos das paredes laterais e da capela-mor, da segunda metade do século XVIII, azuis e brancos, com molduras rococó policromas. Os temas estão ligados à vida do Virgem e à infância de Jesus. O altar-mor de talha dourada dos finais de setecentos possui algumas imagens de interesse, particularmente a da padroeira do templo, que é anterior à reconstrução do mesmo. Também alusiva à padroeira é de registar a pintura no tecto da igreja.

 Entrando em Cacilhas, num dos bairros mais antigos, encontramos a igreja paroquial de N.a Sr.a do Bom Sucesso. Este edifício está ligado a uma tradição popular que conta terem as águas do Tejo, por altura do terramoto, avançado com perigo para a povoação; então os pescadores pegaram na imagem da Padroeira que milagrosamente as fez recuar, salvando a população do maremoto.

A fachada é típica da época da reconstrução pós-terramoto. São de salientar os relógios de sol que existem na torre esquerda e que são, sem dúvida, dos mais belos exemplares da região.

Os azulejos azuis e brancos com curiosas representações de emblemas alusivos à Virgem, que estão colocados no corredor que liga a sacristia ao púlpito, têm a data de 1718. Entrando na Sacristia são de admirar os dois lindos e originais arcazes neoclássicos de pau santo, dos finais do século XVIII, que guardam os paramentos e alfaias litúrgicas. No corpo da igreja encontramos o azulejo como decoração. Aliás, o visitante se percorrer pacientemente estas igrejas e capelas, verá como esta arte, tão portuguesa, inunda de cor as paredes dos templos com um desenho figurativo que, em alguns casos, é da autoria de grandes mestres. Foram, neste caso,feitos no período pós-terramoto, tanto os laterais das paredes como os da capela-mor. A talha do altar-mor e dos altares colaterais é de estilo neoclássico. No altar, uma imagem muito mais antiga do que a própria igreja, de N.a Senhora do Rosário. Além desta, outras boas peças de escultura encontram-se junto: Sto. António, S. Lázaro, S. João Baptista, Santa Luzia, entre outros. À saída, podemos ver a sepultura rasa do reformador da igreja ao pé do degrau do portal. Data de 1770 e o seu nome é Francisco Luís da Silva.

A antiga igreja paroquial de Almada encontra-se perto do Castelo e é conhecida por Igreja de Santiago. As insígnias da Ordem de Santiago estão esculpidas na sua fachada que, aparentando ser uma reconstrução do século XVII, sofreu alterações no século seguinte. Junto à Câmara Municipal não se deve perder a pequena Igreja da Misericórdia que conserva um belo retábulo de pintura de meados do século XVI, ainda na moldura original.

Não deixamos Almada sem antes visitar a igreja do Convento de S. Paulo, hoje Seminário. A fachada deste monumento é simples, ao gosto barroco do século XVIII e talvez o que torne mais harmoniosa a igreja é o conjunto de edifícios que se encontram a ela anexados e que faziam parte das dependências do antigo convento, cuja fundação data de 1568. A igreja é de nave única revestida de painéis de azulejos azuis e brancos do mesmo século da sua reconstrução, representando cenas da vida de santos.

O altar-mor e os altares colaterais são de talha barroca do século XVIII. A sacristia é uma das dependências de grande valor artístico pelos silhares de azulejos de seiscentos e por uma notável pintura maneirista que ornamenta o altar. O pavimento está cheio de lápides brazonadas, encontrando-se entre elas a do fundador do convento, Frei Francisco Foreiro.

Saindo de Almada, sugeriamos que fosse até ao Monte da Caparica. Esta paróquia foi criada em 1472. A fachada do templo é típica das reconstru-ções feitas após o terramoto. Esta igreja, conhecida por Igreja de N.a Sra do Monte, terá sido anteriormente uma pequena capela de uma zona que, embora próxima do mar, tal como a Charneca da Caparica ou Sobreda, eram consideradas antigamente zonas rurais. As obras da Igreja foram custeadas pelos bens da Irmandade de Nossa Senhora da Concórdia. No interior possui uma das mais belas colecções de azulejos do concelho. No altar-mor os azulejos são ao gosto neoclássico, ornamentados por medalhões coloridos predominantemente a amarelo e sépia, sobre fundo branco. Os azulejos das paredes laterais da nave são ligeiramente anteriores aos do altar-mor; apresentam cenas a azul e branco e molduras polícromas, ilustrando diversos passos bíblicos do Cântico. A traça da igreja é, ainda, a do século XVIII, mas sofreu posteriores transformações, apesar de o arco triunfal ter sido recuperado da primitiva igreja. Os azulejos do Baptistério, de finíssimo recorte neoclássico, bem como os das paredes laterais do templo poderão ter sido feitos na Fábrica do Rato, em Lisboa.

 Aproximamo-nos da Costa e perto da freguesia da Trafaria, encontramos uma simpática povoação denominada Murfacém. É considerada a povoação mais antiga de Almada; os vestígios muçulmanos atestam a sua ancestralidade: um antigo morábito, de interessante arquitectura, e s cisternas. Mas é na capela de N.a Sr.a do Carmo que nós vos convidamos a entrar. Está integrada numa casa apalaçada, cujos proprietários não se fazem rogados em a mostrar. De gosto neoclássico, possui três imagens do século XVIII de muito boa qualidade. Os azulejos pombalinos talvez sejam dos inícios do século XIX, tal como o altar, mas o seu frontal, em tela dura, é do século XVIII. Esta capela pertencia a um convento de carmelitas, hoje transformado em casa de habitação. Ao domingo os donos abrem as portas à população, que considera de forma singular a capela como sua.

Na Trafaria, antiga comunidade de pescadores, verificamos que a igreja foi feita à custa das suas esmolas, sendo dedicada a S. Pedro. Os pescadores faziam ao Santo uma procissão no dia 29 de Junho. A Trafaria foi, em tempos, uma praia de banhos muito concorrida, até que esse afluxo se transferiu a pouco e pouco para a Costa da Caparica, hoje considerada uma zona de ambiente cosmopolita. Em tempos passados, a Costa foi também povoação de pescadores. Possui uma pequena igreja paroquial dos finais do século XVI; sofreu remodelações no século XVIII. É motivo de interesse a talha dourada do altar em estilo nacional.

Deixamos o concelho, visitando um admirável monumento: um convento franciscano do século XVI, denominado dos Capuchos. O portal serliano é dos finais do século XVI, mas o frontão e a janela que se encontra a meio da fachada já denunciam o gosto pós-terramoto. Ladeiam a janela dois brazões, um do instituidor e outro dos Franciscanos. Ao alto, na fachada, um nicho recebe uma escultura de Santo António. Não deixe de admirar, passado o portal, o nártex maneirista dos finais do sécu- lo XVI revestido de azulejos figurativos do século XVIII, representando cenas da vida de santos franciscanos.

 

 

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