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EVOLUÇÃO DA COSTA DE CAPARICA ATRAVÉS
DOS TEMPOS
No Cabo Espichel terá aparecido, em
1380, uma pequena imagem da Virgem Maria.
A notícia depressa se espalhou nos
arredores, tendo sido construída uma ermida, em homenagem à Senhora,
que D. João I doou aos religiosos de São Domingos de Benfica. Em
1472, o Papa Sisto IV, através de unia Bula, elevou-a a Igreja
Paroquial, passando a chamar-se Igreja Paroquial de Nossa Senhora do
Monte.
Os romeiros acorriam ao cabo Espichel
para pedirem graças a Nossa Senhora. Em 1430, foi decidido fazer-se
o «giro de freguesias», tão grande era o fluxo de fiéis ao cabo
Espichel. Decidiu-se então que a imagem fosse de freguesia em
freguesia, ficando em cada ano numa delas.
As peregrinações dos «saloios», das
vinte a seis freguesias existentes, começavam sempre por São Vicente
de Alcabideche. As outras eram as de Caparica, que englobava, Monte,
Sobreda, Trafaria a Costa; Seixal, Arrentela, Almada, Palmela,
Azeitão, Sesimbra, Babo a Setúbal. (Cf. Conde dos Arcos).
Por esta data de 1430, vê-se que a
Costa já era habitada, uma vez que até dali partiam peregrinações.
Ainda hoje, os pescadores falam nessas peregrinações feitas ao cabo
Espichel.
Parece-me, que levando em consideração
as datas aqui citadas, a conclusão lógica que se pode tirar é de que
ao longo de tantos séculos de guerras, de epidemias, de
perseguições, a Costa de Caparica foi sendo povoada por gente que
tentava fugir de todos esses flagelos. Pode-se mesmo levar em conta
a sua situação geográfica a climatérica tão privilegiadas.
Os perseguidos, teriam encontrado aqui
um lugar de calma, onde poderiam viver tranquilidade situação
Geográfica A Costa de Caparica está situada no Concelho de Almada,
na margem sul do Tejo.
A sua longa praia, banhada pelo Oceano
Atlântico, estende-se até à Fonte da Telha, numa extensão de vinte a
cinco quilómetros.
Do lado leste, está a falésia, com
cerca de duzentos metros de altura.
Grandes matas de eucaliptos, pinheiros
a acácias, prolongam-se por trás de toda a sua extensão de areias
finas e brancas. Por trás destas matas, existem terras cultiváveis,
que chegam até à falésia. inicio do costa Como já atrás se disse, a
Costa deve existir desde tempos remotos No período Paleolítico,
apareceram vestígios de Pithecanthropus ao longo da costa
portuguesa, desde Peniche até Sines.
Estes indivíduos percorriam a costa à
procura de moluscos para se alimentarem. A falésia, por trás das
terras da Costa, encontra-se cheia de conchas fossilizadas talvez
pertencentes a esses indivíduos.
Do período Mesolítico, nos vales do
Tejo a do Sado, encontram-se vestígios de alimentos, constituídos
por restos de conchas.
Estes homens eram já do tipo físico que
hoje predomina em Portugal. Os Fenícios a os Gregos, que se
estabeleceram por volta do ano mil a.C., eram, como já atrás se viu,
povos que viviam principalmente do mar. Foram encontrados
importantes vestígios deixados por eles, na bacia do Tejo.
Como as indústrias pesqueiras que foram
encontradas no Algarve, é natural que também junto do Tejo tenham
praticado a pesca, uma vez que a região é tão rica em peixes de
várias qualidades e em tamanha quantidade.
É provável, que com persistência, os
vestígios dessas indústrias pesqueiras venham um dia a ser
encontrados na Costa.
Também os Romanos se dedicaram, desde a
conquista da Península, no século 11 a.C., à pesca, tendo construído
grandes tanques de salga de peixe, para o conservarem.
Esses tanques, ainda hoje, se podem ver
em Tróia. Pode pensar-se que terão estendido as suas pescarias a
esta zona da Costa, que, como anteriormente se disse, era tão rica
em pescado.
Com a chegada dos Visigodos, em 416, a
com a sua integração em todos os trabalhos praticados pelos Romanos,
pode pensar-se que também eles se dedicaram à pesca, embora não
tendo deixado vestígios de tal.
No entanto, trezentos anos de dominação
visigótica, devem ter pesado na vida das populações locais.
Com a fixação dos Muçulmanos em toda a
Península, a com a sua instalação no castelo de Almada, pode
pensar-se que tenham chegado até à Costa, uma vez que, quando os
Cruzados andavam a pescar deste lado do rio, foram atacados por
Muçulmanos, tendo estes sido severamente punidos, a as suas cabeças,
depois de degoladas, terem sido espetadas em paus, junto dos muros
de Lisboa.
No entanto, não ficaram aqui vestígios
da sua passagem. Talvez um dia sejam encontrados. Não se sabe se os
Cruzados vinham pescar, para as praias contíguas a Almada, ou se se
aproveitavam da pesca feita pelos habitantes desses lugarejos, o que
em caso afirmativo, pode ter sido a causa do ataque de que foram
vítimas.
Tendo-se em conta, que como militares
que eram, deviam andar bem armados, o ataque deve ter sido feito de
surpresa. Com a rendição de Lisboa a D. Afonso Henriques, a com a
fuga dos Muçulmanos de Almada, a doação de um terço das terras a sul
do Tejo aos Templários, deve ter constituído um alívio para as
populações que viviam nos subúrbios de Almada, que não deviam ser só
de Muçulmanos. Quando, em 1190, D. Sancho I, entrega o castelo de
Almada aos Frades da Ordem de Santiago, não deve ter alterado muito
a vida das populações que aí habitavam.
Com a peste negra de 1348, é natural
que, para fugirem de tão terrível flagelo, muitos habitantes de
Lisboa se tenham ido refugiar do outro lado do Tejo, acabando por se
misturar com as populações que moravam em lugares mais afastados,
logo mais protegidos. Em 1382, com a invasão dos Castelhanos, foram
queimadas terras nos arrabaldes de Almada.
Talvez fosse nesta altura, que os
habitantes desses lugarejos começassem a fazer as suas peregrinações
ao cabo Espichel, para pedirem a protecção da Virgem. Em 1430, como
diz o Conde dos Arcos, a Costa já estava incluída na peregrinação
das freguesias, o que prova que era não só habitada, como era
reconhecida a sua existência. (Cf. Caparica através dos séculos).
Quando das perseguições aos Judeus, começadas,
mais acirradamente, em 1449, é natural, como já atrás se disse, que
alguns se tenham ido refugiar ria Costa, uma vez que ficava afastada
de Lisboa, a onde era fácil esconderem-se, tão longas eram as praias
a as matas que a rodeavam. Voltando assim a exercer a sua profissão
de pescadores, abandonada com o decorrer do tempo. Os próprios
judeus espanhóis, quando foram expulsos, em 1492, e tendo vindo
refugiar-se em Portugal, poderão ter fugido para as terras de além
Tejo, para não serem feitos escravos, ou mortos pela população miúda
de Lisboa, tão enfurecida contra eles. Quando, pela lei de 1497, D.
Manuel ordenou que se
tirassem os filhos menores de catorze anos aos
pais, a depois de baptizados, se entregassem a famílias das cidades,
vilas a aldeias, é provável que muitas dessas crianças tenham ido
parar aos subúrbios de Almada. Também, quando se ordenou que os
navios fretados para o transporte de Judeus, só sairiam de Lisboa, é
possível que muitos Judeus, temendo a sorte que os esperava, uma vez
que os navios não chegariam para todos, tivessem ido abrigar-se nas
matas do outro lado do rio, onde é provável que os habitantes,
levados por certa piedade, tivessem dado abrigo aos infelizes
foragidos de tão graves perseguições. Com a peste de 1506,os motins
acirraram-se, agora contra os Cristãos-Novos, uma vez que todos os
Judeus haviam sido baptizados, quer por vontade própria, para
escaparem às perseguições de que eram vítimas, quer à força. Esses
motins, como atrás se viu, foram obra de dois frades dominicanos de
Lisboa. Com a grande mortandade que se seguiu, alguns
Cristãos-Velhos, tendo pena dos infelizes tão cruelmente
sacrificados, esconderam-nos ou fizeram-nos fugir para outros
lugares. É possível que mais uma vez, tenham atravessado o Tejo,
encontrando abrigo junto das pacíficas povoações dos subúrbios de
Almada. Antes da sua partida para a conquista do Norte de África, D.
Sebastião andou com as suas tropas a treinar nas matas por trás dos
areais desta zona. Também os Frades Capuchos se instalaram na
falésia, sobranceira à Costa, tendo construído um pequeno convento,
junto ao mar, onde era costume fazerem os seus retiros. A notícia
mais antiga sobre os Pescadores da Costa, data de 1770, quando os
pescadores do distrito de Aveiro a os do Algarve se começaram a
fixar. Antes dessa data, sabe-se que vinham pescar, no tempo da
faina, mas que uma vez esta acabada, voltavam para os seus locais de
origem. A partir desta data, construíram barracas de junco e colmo,
ficando o ano inteiro na Costa. Os Algarvios fixaram-se a sul, e os
de Aveiro, sobretudo os de Ilhavo, a norte. Tinham vida à parte,
existindo entre eles grande rivalidade, que continuou durante muito
tempo. Logo a seguir à sua instalação, foi construída uma pequena
Igreja do junco e taboado, perto do convento onde os Capuchos faziam
os seus retiros, a que foi dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Só
em 1800, foi construída a primeira casa de pedra a cal. Em 1824, D.
João VI, instalou-se nessa casa, onde lhe foi oferecida uma
caldeirada preparada pelos pescadores. A casa, chamada de «Casa da
Coroa», ostenta na sua fachada o brasão de D. João V1, bem como a
data em que o rei nela esteve instalado. Julga-se que também aí
estiveram a Rainha D. Maria I1, D. Pedro V e D. Estefânia. Quando da
sua visita à Costa, D. João VI concedeu, por Mercê Régia, a promoção
à categoria de «mestres de naus», aos mestres de redes ou de
companhas, o que veio aumentar ainda mais o prestígio de que esses
mestres gozavam junto dos outros pescadores. foi-lhes ainda
concedido um ordenado de oitocentos réis diários, quantia bastante
elevada para a época. Em 1840, um grande incêndio devorou 98
barracas de pescadores, tendo sido substituídas por outras, por
ordem do Governo. Em 1864, outro incêndio destruiu cerca de 60
barracas, desta vez reconstruídas com fundos recolhidos no próprio
concelho. Em 1880, a antiga capela foi feita em alvenaria, para o
que concorreu João Inácio da Costa, que tendo vindo rico do Brasil,
distribuiu a sua fortuna pelos pobres da Costa. Em 1884, novo
incêndio veio devastar mais 60 barracas. Jaime Artur da Costa Pinto,
auxiliou as famílias vítimas desse incêndio, a conseguiu juntar
fundos necessários para a construção de um bairro, conhecido ainda
hoje por «Bairro Costa Pinto», constituído por cerca de cem casas
feitas em tijolo a cobertas de telhas. Esse bairro encontra-se na
parte norte da Rua dos pescadores, divisória, desde sempre, entre as
gentes do sul a as do norte. Muitas foram as tragédias que atingiram
os pescadores da costa mas a maior, provocada pelo mar, parece ter
sido a que ocorreu em Dezembro de 1929, na qual perderam a vida onze
homens, a uma mulher que se encontrava em terra, que deve ter
sofrido um ataque cardíaco ao ver tamanha desgraça. Nessa manhã, o
nevoeiro era cerrado, quando os
barcos saíram para o mar. O maior de todos, o
«Pensativo» , voltava para terra quando um enorme vagalhão o virou,
com os seus vinte a um homens a bordo. Destes, só dez conseguiram
salvar-se. Os outros onze foram dando à terra, nos dias que se
seguiram, com excepção de um que nunca apareceu. Esta tragédia é
conhecida pelas «gentes» da Costa, como a « Viradela dos Onze». Os
dez corpos estão sepultados no Cemitério da Costa, lado a lado,
encontrando-se uma outra sepultura, junto destes, mas sem o corpo do
infeliz pescador, que nunca apareceu
Existem três bairros de Pescadores: um a norte, o Bairro costa
Pinto, e dois a sul, o Bairro Quinze e o Bairro Novo dos Pescadores,
este de rendas limitadas. Entre estes dois bairros há uma Escola
Primária, tendo sido, ultimamente ampliada, dispondo desde então de
modernas instalações. Mais
abaixo, encontra-se o grupo dos Amigos da Costa, com um bar, sala do
snooker, um antigo cinema, que hoje não funciona, a salas onde já
foram dadas aulas de Karatê, pelo Sr. José Maria Gomes, de Box, pelo
Sr. Luís, «filho» da Costa, aulas de Ginástica para adultos a
crianças. Tendo possuído, em tempos um Rancho Folclórico. É costume
os Pescadores reunirem-se aqui com as suas famílias. Existe, ainda,
no fim da mesma rua, o edifício, actualmente também remodelado, dos
Bombeiros Voluntários de Cacilhas, equipado com enfermaria,
ambulância, meios de socorros a náufragos, carros contra incêndios,
e uma banda de música.
O Sr. Diamantino Botelho (mais conhecido por Laranja) c sua esposa
D. Carminda, moradores neste último bairro, a actuais proprietários
do Balneário Bexiga, costumam organizar, no fim da época balnearia,
excursões a vários pontos do País. Quanto a mim, iniciativas dignas
de serem louvadas.
A casa dos Pescadores, a norte, junto da Igreja velha foi
recentemente aumentada a modernizada, estando dotada de médicos,
enfermeiras, dispensário, a de ajuda social aos Pescadores. O seu
último Director foi o Doutor Artur Louro, considerado como um
benfeitor das gentes da Costa.
A assembleia de freguesia funciona no centro da Costa, junto ao
Mercado na casa onde estiveram instalados os Correios, que hoje
passaram para um edifício mais moderno.
A « Praça», mercado da povoação, é abastecida de peixe, carne, fruta
e legumes, de terças a domingos, nele trabalhando as Mulheres dos
Pescadores a as gentes das « Terras da Costa».
A Costa foi considerada estância de Turismo pelo Decreto de 9 de
Dezembro de 1925, tendo-se construído então vários balneários:
Tarquínio, Evandro, Paraíso, Dragão Vermelho a Bexiga. Eram
explorados pelos próprios proprietários, que punham barracas a
toldos na praia, alugados pelos poucos veraneantes que nessa altura
vinham para a praia.
Ainda não há muito tempo, eram poucas as famílias que tinham casa na
Costa. Algumas dessas vivendas foram destruídas, para em seu lugar
serem construídos prédios de apartamentos. Com a construção da ponte
sobre o Tejo, a Costa sofreu grandes alterações, sendo invadida
todos os anos por grande afluxo de gente, tendo mesmo muitas
famílias mudado a sua residência para cá, tornando-se a povoação
numa espécie de «dormitório» de Lisboa. Só os moradores primitivos,
os Pescadores, poderão abalizar dos efeitos benéficos ou maléficos
desta invasão de «turistas».
A princípio, a Costa fazia parte da Freguesia do Monte da Caparica.
C com a criação da Freguesia da Trafaria, em 1929, passou a
pertencer a esta última. A 12 de Fevereiro de 1949, teve o estatuto
de Freguesia. E finalmente, a 9 de Junho de 1985, foi elevada à
categoria de vila da Costa de Caparica. O escultor Pé Curto
dedicou-lhe uma estátua de homenagem aos Pescadores, representando
uma mulher com o filho ao peito, a dois homens, todos a «alarem» as
redes. Esta estátua foi inaugurada a 4 de Outubro de 1986.
A Pesca em Geral A costa portuguesa,
virada para o Oceano Atlântico, esteve desde sempre ligada à faina
pesqueira.
Os principais núcleos piscatórios
encontrando-se junto à foz dos grandes rios.
Já no ano de 1248, encontra-se uma Carta de
Doação, que concede a Lisboa a Ribeira, onde será feita a venda de
peixe. Segundo Frei Nicolau d'Oliveira «Segue-se logo a Ribeira, ou
praça do peixe, em a qual há setenta mulheres que o vendem em
lugares certos a limitados, e dados pela Cidade, de modo que não se
pode alguma mudar de um lugar para outro, sem ordem do vereador que
para isto a cidade tem deputado... e é tanto o que nestes lugares
estas mulheres ganhão, que algumas delas tem de seu mais de quatro
mil cruzados ganhados nestes lugares. Nestes lugares, em que se
vende o peixe, não ha cabanas, prouendo assi a Cidade, afim de
obrigar as vendedeiras a que vendão mais depressa o peixe por se
lhes não dannar com a quentura do Sol; e a razão he, porque auendo
taixa em todas as cousas que na praça se vendem, só no peixe a não
ha, porque a variedade dos tempos o não sofre; sendo a causa que
auendo em tempo de bonança tam grande multidão de peixe, que causa
espanto, a admiração a todo o estrangeiro que o vê, em tempo
tormentoso ha muy pouco, ou 11c nenhum salvo o do Rio, ou algum
miudo que vem de Setuual por terra. Ha aqui mais huma cousa muyto
pera notar a pella qual se pode alcançar alguma noticia da multidão
do peixe de toda a sorte, que a esta praça vem (não fallando no
muyto que se vende por outras partes da Cidade, de barcos que ás
escondidas despejão em suas casas o peixe que trazem por não pagarem
siza), que tem cada huma destas molheres certo numero de canastras a
cestos, a paga do chão de cada huma dellas meo real... r concluindo
com esta praça do peixe, mostrase mais sua multidão, em que sendo a
Cidade obrigada a dar cestos aos pescadores que chegão à Ribeira,
pera lauarem o peixe e o leuarem as molheres que o hão de vender: os
pescadores em recompensa deste beneficio dão (sem obrigação a que
isso tenhão) o peixe que querem a quem lhes dá estes cestos.
Encomenda a Cidade isto a certos homens, os quais dão os cestos aos
pescadores, a recoIhem o peixe que elles de sua liure vontade lhes
dão, do qual o terço he da Cidade, a as duas partes dos homens que
tem isto a seu cargo. (Cf. Eduardo Freire de Oliveira). Para maior
desenvolvimento da pesca no Tejo, D. Afonso 111, numa Carta Régia de
2 de Maio de 1254, isentou de almotaçaria os pescadores que
fornecessem peixe à cidade de Lisboa. A partir do século XIII,
Aveiro tornou-se num importante porto de pesca. D. Dinis, com a
plantação do Pinhal de Leiria, favoreceu a pesca que então se
praticava em Paredes, onde havia cerca de seis «caravelas», que
exportavam o peixe salgado. A propósito desta plantação, escreve
magnificamente José Travaços Santos: «Pinhal de Leiria cerne das
naus de Portugal. Quem lançou a sua semente, lançou as barcas ao
Mar.» Os pescadores de Pederneira receberam grandes regalias por
parte de D. Pedro I, D. Afonso IV a D. Fernando. Almada, Sesimbra,
Palmela, Setúbal, Alcácer a Sines, pertenciam à Ordem de Sant'lago,
tendo que pagar dízima todos os barcos que aí pescassem. h5 Sabe-se
que em 1322, se gerou grande polémica entre Almada e Lisbon, onde
desde 1254, os pescadores não pagavam impostos. Manuel Cypriano da
Costa, escrivão do senado descreveu essa situação dizendo: < <<Este
rendimento, sem embargo de toda a diligencia que se tem feito nos
livros do senado, não se the póde descobrir a origem a motivo porque
vein ,í camara, e o ser antiquissimo, porque já no anno de 1322
havendo discordia entre o povo d'esta cidade e o da villa de Almada,
sobre a passagem dos barcos de um para outro lado, houve concerto
entre o concelho da dita villa, e o d'esta cidade, sobre o que se
devia pagar da passagem do rio, o que consta do Livro dos Pregos,
fs. 122 v. a fs. 147 - do Livro 1 ° de Sentenças, fs. 4g v. - e do
Livro 2." de Reis, fs. 137». (Cf. Eduardo Freire de Oliveira). Na
Ericeira eram apanhadas baleias, golfinhos a toninhas, o mesmo
acontecendo desde Almada até Sines. Também em
Lagos se pescava a baleia, que viu confirmados
os estatutos dessa pesca em Março de 1359. Faro e tavira eram os
maiores centros piscatórios do Algarve, exportando mesmo para os
países muçulmanos. Nos reinados de D. João I, D. Duarte a D. Afonso
V, o peixe era exportado, devido à sun grande quantidade, mas para
que isso acontecesse, dependia do sal, extraído em Setúbal a em
Aveiro. No Algarve pescava-se, além da baleia, que com o tempo foi
rarcando, o atum a extraía-se o coral. No centro, além das pescas já
citadas, pescava-se a sardinha, a cavala e o atum. No norte, a
pescada era o peixe mais apreciado. Com D. João 1l, a pesca entrou
em franca decadência devido aos altos impostos que sobre ela caíram.
Também durante a ocupação espanhola, a pesca sofreu grave
tributação, só sendo rentável no Algarve, com a pesca do atum. O
Marquês de Pombal incentivou novamente a indústria piscatória,
criando a 15 de Janeiro de 1773, a Companhia Geral das Reais Pescas
do Reino do Algarve, concedendothe o exclusivo da pesca da corvina a
do atum, por um período de doze anos. À Companhia foram ainda
entregues, a pesca da sardinha e a colheita do coral na Friceira. 66
Em 1774, o Marquês de Pombal mandou construir a Vila Real de Santo
António, concedendo várias isenções régias aos seus pescadores, que
se dedicavam à pesca da sardinha. Mandou arrasar, ao mesmo tempo,
Monte Gordo, onde se encontravam pescadores espanhóis, para assim
tentar proteger a pesca portuguesa. O Decreto de 2 de Setembro de
1775, concedia aos pescadores de Setúbal, a livre extracção do seu
peixe, dizendo-se «... que todos a quaesquer Pescadores da referida
Villa possão livremente levar o Peixe, que matarem, para todos a
quaesquer outros portos, a barras, sem limitação, ou restricção
alguma: Não obstantes todas a quaesquer ordens, ou abusos, a
curuptellas, chamadas costumes que se possão allegar em contrario;
dos quaes Ordeno senão torne a tomar conhecimento algum, que
retarde, ou faça questionavel a execução deste, debaixo das penas de
suspensão contra todos e quaesquer Magistrados, que taes
requerimentos aceitarem, a de prisão por tempo de seis mezes contra
os que os fizerem. O Conselho da Fazenda o tenha assim entendido, a
mande passar os despachos necessarios nesta Conformidade». (Cf.
Collecção da Legislação Portugueza - Legislação de 1775 a 1790).
Mas, apesar destas medidas proteccionistas de Pombal, a pesca estava
em decadência. Os factores apontados para essa decadência, eram a
extrema pobreza dos pescadores, que não tinham meios para se
aparelharem como seria devido a or vexames a que estavam sujeitos
pelos arrecadadores de impostor. O principe/regente D. João
promulgou um Alvará, em Maio de 1802, pelo qual tornava todos os
pescadores livres de exercerem a sua faina tanto na costa como em
alto mar. Também, depois de um pedido feito pelos pescadores de
Sesimbra, para não pagarem tão elevados impostos, o Regente D. João,
promulgou o Alvará de 20 de Dezembro de 1802, em que se dizia «que
todo o Peixe do Porto de Cezimbra, que for salgado, escalado, secco,
ou impilhado, depois de ter pago os vinte por cento dos Direitos do
Porto da matança na forma que os pagão os Pescadores do Algarve pelo
Alvará de quinze de Janeiro de mil setecentos setenta a três, seja
livre de Direitos na entrada, desta 67 Cidade, a mats Portos deste
Reino, vindo porém acompanhado das competentes Guias, para evitar as
fraudes, a dolos que do contrario se poderião seguir» . (Cf.
Collecção da Legislação Portuguesa - Legislação de 1802 a 1810). Um
Decreto de 14 de Dezembro de 1885, reservou o direito de pesca, ria
faixa marítima costeira, aos pescadores portugueses. O Decreto de 19
de Março de 1909, referia-se ao funcionamento dos aparelhos de
pesca, ditos americanos, em relação à pesca da sardinha. F abrangia
tanto os pescadores do Algarve, como os da Costa de Caparica.
Considerava, esse decreto, que a distância de mil metros,
primitivamente estabelecida para a costa do Algarve, a depois
generalizada, não havia inconveniente em ser reduzida para não
prejudicar a intensidade da pesca. Assim, no Artigo 2:' pode
lei--se: «Os cercos americanos a semelhantes, quando lancers
simultaneamente com outros
da mesma espécie, deverão guardar entre
si uma distância nunca inferior a 250 metros.» No § único, lc-se:
«Quando um cerco lance a sua rede a menos de 250 metros de outro que
já tenha a rede ou parte d'ella na agua indemnizará o cerco
prejudicado com uma importancia igual a metade do valor bruto do
peixe colhido» . O Artigo 7." refere-se à Costa: « Na Costa de
Caparica, ao norte do paralleio que passa pela Fonte da Telha, os
cercos americanos a semelhantes ná o podem calar as suas redes à
terra do enfiamento determinado pelo farol do Bugio e a chaminé de
José Diogo em Oeiras» . No § único diz-se que: « A infracção a este
artigo terá a mesma pena do que as infracções aos artigos 3." a 4.°,
revertendo os tres quartos da pescaria colhida a favor do Real
Instituto de Socorros a Naufragos» . O Artigo 8." diz: «Na
rnatricula das companhas dos cercos americanos na capitania do porto
de Setúbal serão admitidos pescadores validos da Costa de Caparica,
como taes devidamente inscritos, em numero igual em cada cerco, a
proporcional ao numero d'estes a ao dos pescadores que se
apresentem, não sendo obrigatório a cada cerco receber mais de oito»
. O Artigo 9.° refere-se ao Algarve, dizendo que onde estiverem «
lançadas armações de atum, é proibida a pesca por meio de cercos
americanos a semelhantes». (Cf. .n legislação do 1909). f>s Uma
Portaria de 24 de Novembro de 1909, determinava que as cédulas de
inscrição marítima deveriam ser pagas pelos interessados.
O Decreto de 10 de Janeiro de 1911,
revogou o Artigo 7 ° do decreto de 19 de Março de 1909, restringindo
os limites estabelecidos para os cercos americanos na Costa de
Caparica. Dizendo o seu Artigo 1 °: «Na Costa de Caparica, os
cercos americanos a semelhantes não podem calar as suas redes á
terra do enfiamento determinado pelo «O Monge» (pico da Serra de
Cintra), pelo forte de Santo António ou Forte Velho, a ao norte do
enfiamento determinado pelo palácio da Ajuda a Torre de S. Julião»
. O Artigo 2 °, apenas retira o termo Real, ao Instituto dos
Socorros a Náufragos. (Cf~. A Legislação de 1911).
Mais Decretos a Portarias foram
aparecendo para regular as pescas em Portugal, ou para revogar
outros já existentes. No entanto, a pesca tem continuado com mais ou
menos sucesso, tudo dependendo mais das condições do tempo a do
estado do mar, do que propriamente da existência das leis.
Quanto à pesca exercida na Costa de
Caparica, penso que será melhor deixar falar os valorosos Pescadores
que a praticam, uma vez que a sua experiência é mais importante do
que qualquer livro que se tenha escrito sobre a faina da pesca.
Como tão bem escreveu o poeta Silva
Tavares:
« Rêdes, canastras... Sensual
capricho de luz a côr!
Cheira a lota a sabe a sal!
- É Portugal pescador!»
Texto cedido por um amante da costa de um
volume da sua biblioteca
VISTA PELO TEMPO DA COSTA DE CAPARICA
O mar devia estar já afastado dos rochedos ao
tempo do rei D. Duarte pois os homens que trabalhavam nas minas de
ouro próximo da Fonte da Telha. formaram uma sociedade para a
extracção desse metal na região. pagando o quinto do ouro.A pesca
começou por ser aqui explorada por pescadores algarvios e ílhavos
que vinham para ali por Outubro, Novembro e Dezembro, construindo
então umas pequenas choupanas que incendiavam antes de partir.No ano
de 1755 oprincipal lugarda Caparica era Fonte da
telha e a Costa não estava incluída no número
das povoações da paróquia. por ser talvez ainda pouco habitada.Em
1770 fixaram ali domicílio. em barracas já com maiores comodidades,
alguns mestres com suas companhas, José Gonçalves Bexiga e Romulado
dos Santos, do Algarve.Joaquim Pedro e José Rapaz, de Ílhavo.O
movimento de instalação dos pescadores continuou em anos seguintes
com a instalação de outros mestres como José dos Santos, Jerónimo
Dias, João Lopes e Manuel Toucinho. Estes primeiros povoadores
logo cuidaram de construir uma igreja, de simples junco e tabuado.
Como descreve o Conde dos Arcos na sua valiosa obra Caparica Através
dos Tempos: "Quando se estabeleceram na praia da Costa os pescadores
algarvios e ílhavos, construíram de simples tábuas e coberta de
colmo. uma capela em honra de Nossa Senhora da Conceição. Isto
passou-se em 1770, e só em 1880 foi a capela feita de alvenaria,
para o que concorreu generosamente João Inácio da Costa que,
regressando rico do Brasil. distribuiu largamente a sua fortuna
pelos pobres do lugar.
Encontram-se nesta igreja algumas imagens, quadros e móveis que
foram do extinto Convento dos Capuchos.Ainda não há muitos anos,
saía daqui um Círio para o Cabo Espichel. Actualmente fazem-se duas
procissões e a cerimónia da benção do mar."As suas barracas de junco
e colmo foram sendo progressivamente melhoradas.até chegarem à
situação de nelas realizarem festas, de tal modo faustosas que eram
concorridas por fidalgos e intelectuais dos meados do século
XIX.Pelo ano de 1800 construiu-se na Costa de Caparica a primeira
casa de pedra e cal.(Casa da Coroa), onde se alojou em 1824 D.João
VI que aí comeu uma deliciosa caldeirada e, por essa razão foram
colocadas na fron-
taria da casa as armas reais, que ainda se conservam, apesar do
estado de ruína do edifício.Além de D. João VI também D. Maria II,D.
Pedro V e D. Estefânia visitaram o local.A economia da população de
Costa deCaparica dependia essencialmente da pesca e do final do
século XIX existe um relato que descreve assim acosta .As barracas
dos pescadores ficam no areal que se estende para o sul da foz do
Tejo a seis quilómetros da Torre do Bugio. Existem nesta praia
trinta embarcações com o total de oitenta tripulantes e mais dez
artes, cada uma com trinta e oito barcos e setecentas pessoas. No
ano de 1885 vendeu-se o pescado no valor de sessenta e um contos
setecentos e vinte e
oito mil reis."Ainda que haja algum exagero nos números apresentados
permitem avaliar a im-
portância que a actividade piscatória tinha na comunidade.A
agricultura começou também a ser praticada com o cultivo do trigo
primeiro, depois o vinho e actualmente. de produtos hortícolas.
Do património natural desta freguesia.uma palavra importante para a
Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica. A
classificação desta arriba. datada de 1954, teve como finalidade a
preservação das características geomorfológicas e das comunidades
naturais existentes. promovendo o seu equilíbrio biológico e
paisagístico. Situado na península de Setúbal, com uma configuração
geográfica alongada e estreita, a Paisagem~Protegida da Arriba
Fóssil da Costa de Caparica está confinada entre avia rápida da
Costa de Caparica a norte e a lagoa de Albufeira a sul, ocupando uma
superfície de 1.570 hectares. Ao redor, o cenário inclui também a
Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, também designada por
Pinhal do Rei, a qual foi .mandada semear por D. Joao V.
O poeta Bulhão Pato deu a esta região grande fama. Residia na Torre,
perto do Monte da Caparica.
LENDA DA COSTA DE CAPARICA
Quem, em Lisboa e arredores não conhece a Costa
de Caparica, esse extenso areal que nos fins-de-semana de Verão
acolhe como uma mãe milhares de corpos em busca de sol e mar !
Mas quantas dessas pessoas conhecerão na realidade a história que
deu o nome ao areal onde estendem os corpos e distendem os espíritos
nos quentes dias de Verão, depois de longas horas de espera nas
bichas das camionetas que as levarão ao rectângulo exacto das suas
toalhas de praia ?
Pois tudo começou numa tarde, há longos anos, uma tarde calma e
branca de calor em que o sol teimava em deixar-se morrer lá para o
outro lado do mar. Nessa tarde, olhando a bola de fogo que
inevitavelmente ia mergulhando no mar, estava a menina sentada na
rocha. Parecia não ter pressa, como quem detém o segredo do fluir do
tempo fechado na sua mão; mas podia, também, estar apenas à espera
de alguém.
Há já um grande bocado que o velho a observava, e ela nem dera por
isso. E o velho esperou que viesse alguém que não veio. O sol
morreu, o dia ficou anil e a menina ali, sentada embrulhada na sua
capa. O velho perguntou-se pela milésima vez quem seria aquela
criança e, falando alto, disse:
- Quem esperas tu, menina?
- Ninguém! Estou sozinha!
- Como te chamas?
- Não sei. Costumam chamar-me Miúda.
- Olha, Miúda, porque estás sozinha?
- Também não sei. Estive sempre assim.
- Donde vens?
- Venho da estrada. Só conheço os caminhos. Por onde passo dão-me
de comer.
- E essa capa, quem ta deu, Miúda?
- Tive-a sempre. É a única coisa que tive sempre.
O velho estava admirado. Como era possível que uma menina tão
pequena andasse pelo mundo sem eira nem beira, sem saber sequer o
seu nome. Teve pena da Miúda e teve pena de si. Também ela era só.
- Queres ficar comigo, Miúda? - perguntou subitamente.
- Pode ser. E fazemos o quê?
- Tu vais crescendo e eu envelhecendo. Aceitas?
- E moras aqui, ao pé do sol e do mar?
- Aqui mesmo. Ali, naquela casinha no alto do monte - indicou o
velho.
- Bem, então fico contigo.
E ficaram juntos. ele a envelhecer, ela a crescer. Viviam com.
que havia: o sol, o mar, os mariscos das rochas. Ele ensinou-lhe a
falar a Deus, esse Deus que todas as manhãs aparecia resplandecente
ou encoberto e pela tarde adormecia enterrado no mar ou na serra.
Ela ensinou-lhe a olhar as coisas como se em cada dia fossem outras
e novas .
Mas um dia o velho achou que era tempo de ir-se
embora. Pediu à miúda a capa dela porque tinha frio. Ela pôs-lhe a
capa sobre o corpo estendido no catre, deu-lhe a mão e deixou-se
dormir juntamente com ele. Só que, quando ela acordou, ele não
respondeu à sua chamada e já não foram juntos cumprimentar o sol. A
miúda não chorou. Sentiu falta do seu velho companheiro, mas...ela
sabia que a sua vida era estar só, sabia que só o homen tera
companheiro. Por isso ela não chorou. Enterrou o velho numa
sepultura
perto da igrejinha da senhora do monte e deixou de chamar-se
miúda. Escolheu para si o nome de mulher.
Na velha casa do velho passou a viver a mulher, solitária. A sua
vida era ainda a mesma vida de antes, com o sol e o mar e as nuvens.
O seu alimento, os mariscos. As suas vestes, A sua velha capa. Certo
dia, reparou que a gente da zona começava a olha-la estranhamente,
como se tivesse medo dela. Não percebia porquê, porque ela nada mais
era do que mulher ,velha e solitária, a mulher da capa que afinal
todos conheciam desde sempre. E agora ouvia dizer baixinho, quando
descia à aldeia:
«bruxa, bruxa!»
e as pessoas foram contar ao rei, que como senhor das gentes tem
de ser dono das mentes. E o rei mandou chamar a mulher:
- Mulher, dizem que és bruxa!
- Real senhor, já sou só uma velha.
- Dizem que es poderosa, que fazes ouro e malefícios?
- Oh, meu senhor! Sou tão pobre que só tenho esta capa desde que
nasci.
- Quedou-se o Rei a pensar. Olhou a mulher e viu que era verdade.
Mandou-a embora com vergonha de ter visto o que os outros não tinham
visto.
O tempo fluiu como passam os dias e as noites .O mundo todos os
dias foi sendo outro e outro. Só as gentes não mudaram o seu pensar
e por isso, um dia quando souberam da morte da mulher pelo dobre dos
sinos da senhora do monte, acorreram a velha morada, cheias de
curiosidade.
Ali estava o corpo da mulher, agora sim, só, estendido no mesmo
catre que servira ao velho companheiro.
Sobre o corpo a velha capa, sobre a capa um papel, para o rei. Nesse
papel ela dizia:
- Meu senhor. Deixo-vos a capa que tenho desde que nasci.
Encontrei nela todo o ouro que diziam que eu tinha: foi o meu velho
companheiro que, antes de se ir embora, ai o meteu. Eu nunca o tinha
visto e agora que vi não preciso dele. Utilizai-o nesta terra para
que todos tirem dele o que desejarem.
Afinal, a minha capa era uma capa rica. Que o meu Deus vos abençoe.
Foi assim que esse areal, hoje pejado de corpos
nos verões do tempo, tomou o nome de CAPARICA, em memória de uma
mulher que ali apareceu um dia, quando era miúda, vinda dos caminhos
da terra coberta por uma capa já velha.
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