| PATRIMÓNIO
Cova da Piedade e seus monumentos
Cova da Piedade, possuidora de um importante acervo monumental, a
sua origem
remonta a meados do séc. XVI. Povoação então denominada por
Campo de São Simão
em virtude de, no local, existir uma ermida dedicada ao santo.
Segundo Vilhena
de Barbosa, no primeiro volume da sua obra "As Cidades e as
Vilas da Monarquia
Portuguesa", editada em 1860, um homem deste sitio descobriu,
em meados do séc.
XVI, uma imagem de São Simão numa barroca que tornou o nome do
santo.
Considerada até ao início do séc. XX um pequeno lugarejo, Cova
da Piedade não
representava, então, mais do que um pequeno núcleo de casas
modestas, com um
pequeno cais de acostagem no seu esteiro. Porem, com a fixação
da industria
corticeira, Cova da Piedade viria a tomar-se num grande centro
industrial e
urbano, desenvolvendo-se de uma forma bastante acelerada.
Elevada a freguesia a 7 de Fevereiro de 1928, com território
desanexado às
freguesias de Almada e Caparica, Cova da Piedade é,
presentemente, em termos de
densidade populacional, a primeira freguesia do distrito e a
terceira de
Portugal.
Com vasto e curioso património, esta povoação almadense possui,
para além da sua
ermida, edifícios de grande interesse como o palácio de António
José Gomes, do
séc. XIX, e o Palácio dos Costas, construído em meados do séc.
XVI. Ainda como
lugar de grande interesse e valor arqueológico, podemos citar a
estação da Idade
do Ferro, na Rua Manuel Febrero.
Como imóvel de grande interesse artístico e histórico tem ainda
erigido no
jardim público, o seu coreto oitocentista que, embora tenha
sofrido inúmeras e
profundas reparações, ao longo de todos estes anos, é ainda
hoje um marco vivo
da razão e do motivo histórico da sua edificação, que foi a
vitória das tropas
liberais sobre os miguelistas, na batalha da Cova da Piedade, em
23 de Julho de
1833, como se pode ver na placa existente, datada de 1873, que
assinala a
iniciativa de alguns moradores em comemorar esse importante marco
da implantação
do Liberalismo.
Vejamos alguns pormenores dos templos existentes na freguesia:
Igreja de Nª Sª da Piedade - Erigida no largo de 5 de Outubro,
popularmente
conhecido por Largo da Cova da Piedade, este imóvel, edificado em
1762, conforme
se pode ler na verga do seu portal alpedrado, veio substituir a
então ermida
invocada a Nª Sª da Piedade, elevada em meados do Séc. XVI,
segundo a tradição,
com as esmolas que um ermitão recebia. 0 seu interior é de uma
só nave e coberta
por um tecto que ostenta, ao centro, uma pintura alusiva à Santa
Padroeira. 0
altar-mor, de talha dourada, dos finais anos setenta, conserva
ainda as imagens
em madeira de S. Francisco de Assis e Santa Barbara, provavelmente
do Séc.
XVIII, e também uma bela escultura seiscentista de Nª Sª da
Piedade, de cunho
acentuadamente dramático, pertença da antiga sede paroquial. Com
vários
retábulos, em talha dourada de elevado interesse histórico,
podemos ainda
admirar no seu interior duas, importantes pinturas sobre madeira,
ambas do Séc.
XVII, alusivas a São José e Nª Sª da Piedade, quadros que se
supõe terem
pertencido ao seu antigo retábulo.
Capela de São João da Ramalha - Situada na Quinta da Ramalha,
este templo, muito
embora ostente na sua fachada uma lápide da antiga capela de São
Antão (Séc.
XIV), datada de 1456, com a inscrição de uma dedicatória de um
nobre a uma
mulher, a sua elevação é oriunda do Séc. XVIII. Possuidora de
um vistoso altar,
com nichos em talha dourada, do Séc. XVIII, também de algumas
imagens, na sua
maior parte do Séc. XIX, bem como algumas telas anónimas.
Antigamente
realizava-se, todos os anos, no dia de S. João Baptista, uma
popular procissão,
vulgar- mente conhecida por Procissão da Ramalha, em honra do
combate entre as
forças cristãs e os mouros em 1147. Este evento religioso, cuja
realização já
datava de inícios do Séc. XVI, viria, a partir dos anos 70, a
cair no
esquecimento, ficando somente perpetuado na memória dos seus mais
antigos
devotos. Fazendo parte da Quinta de São João da Ramalha, a
capela e a Casa da
Quinta são, actualmente, propriedade municipal.
Adaptado de "Jornal da Região" de 2.12.99 –
"Cova da Piedade e seus monumentos"
por Artur Vaz.
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