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História da
Academia Almadense

Na última
década do século passado, o concelho de Almada rondava as treze mil
almas. A vida quotidiana era rotineira, obrigando a população a
obedecer ao nascer a ao pôr do Sol. O concerto da Banda nos dias
festivos, uma récita ou outra, bailes, os passeios anuais, pouco
mais constituíam o dia a dia da Sociedade Incrível Almadense
fundada em 1 de Outubro de 1848. Em 1873,tinha o cidadão José Maria
de Oliveira vinte anos quando entrou para a Incrível Almadense. Aí
desenvolveu a sua actividade sendo, durante anos, por assim dizer,
a alma daquela agremiação. Mas não só a esta colectividade ele deu
o seu generoso concurso. Quando em 1891 se formou em Cacilhas a
corporação do Serviço Voluntário de Incêndios ,José Maria de
Oliveira foi o principal organizador da corporação, conservando-se
ali até à sua morte ocupando o lugar de subchefe. Por volta de 1894
deu-se um conflito que originou uma cisão entre os associados da
Incrível Almadense. O nosso homem e outros incríveis opinavam pala
obtenção de um novo edifício para sede social da colectividade.
Havia um prédio que interessava mas que era igualmente disputado
pela direcção da Cooperativa Almadense(fundada em 1891).Quando José
Maria de Oliveira ,que tinha o prédio apalavrado com o proprietário
em nome da Incrível, se dirigiu com o dinheiro para efectuar a
transacção, verificou que o edifício pertencia já a Cooperativa
Almadense, constituída, na sua maioria, por associados da Incrível…
Após a tradicional procissão da Senhora dom Bom-Sucesso, em
Cacilhas, a 1 de Novembro de 1894,José Maria Oliveira e outros
associados da velha colectividade, uma vez cumpridos todos os
compromissos assumidos perante a banda musical, abandonaram a
Incrível. Daqui resultou a fundação da Academia de Instrução e
Recreio Familiar Almadense a 27 de Março de 1895.O fundador da nova
associação desejou ter boas relações com a Incrível. Quando a Banda
da Academia saiu pela primeira vez e foi cumprimentar a congénere
mais velha encontrou todas as janelas e portas cerradas. Este corte
de relações iria durar 53 anos, terminando na noite do Centenário
da Incrível.
(baseado no
livro "O Associativismo Tradição e Arte do Povo de Almada"-
Associação Semear para Unir.)
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