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Sobre a origem do nome "Porto Brandão" pouco se sabe , a não ser as histórias que se contam de geração para geração.

Segundo essas histórias, até à tomada de Almada pelos Mouros, Porto Brandão chamava-se "Equabona", e a designação que actualmente tem deverá ter surgido entre 1472 e 1519.Por essa altura existia no local a Quinta da Azenha Cabeça de Morgado, cujo último proprietário, por herança, foi Francisco de Sá Menezes, que morreu sem deixar descendência. Francisco de Sá Menezes era bisneto de Diogo Brandão, responsável pelas Obras Públicas de Lisboa.

Por sua vez, Diogo Brandão era filho de Pedro Brandão, cujo apelido deu origem ao nome Porto Brandão, que na altura era conhecido por Porto do Brandão.

Porto Brandão também tem a sua lenda. Num local em se construíam barcos de todos os tipos, muitos dos que partiram para terras do Brasil e Índia foram aqui feitos, era natural que a população fosse composta, na sua maioria, por carpinteiros de naus e calafates. Entre eles encontrava-se um rapaz forte, jovem e bonito chamado Brandão, que às escondidas namorava a filha do dono do estaleiro, a jovem Paulina.O pai da jovem só pensava em ser rico e poderoso. Longe de saber que a sua filha namorava com um simples operário, prometeu-a em casamento a um negociante que se encontrava na Índia. Ao descobrir que sua filha namorava com Brandão o pai de Paulina ficou furioso. Para tentar acabar com o namoro entre os dois, e realizar o sonho de enriquecer o mais depressa possível, combinou com o comandante de um navio, que ia seguir viagem para a Índia, embarcar, clandestinamente, a sua filha. Na noite da partida do navio, preparou-lhe uma cilada e embarcou-a ,à força, no navio. As lágrimas de Paulina e da esposa não o comoveram.

Mas o jovem Brandão estava alerta. Quando o navio se preparava para partir, aproximou-se num pequeno barco a remos e, sem fazer barulho, o jovem subiu a bordo para tentar raptar a sua amada. Brandão foi descoberto. Sem perdão o comandante mandou-o matar e ordenou que o seu corpo fosse lançado às águas do Tejo.

Toda a cena foi observada por Paulina. Ao ver o corpo do seu noivo desaparecer no rio a jovem ,desesperada, não pensou duas vezes e atirou-se também ao Tejo.

Conta a lenda que, dias depois, os dois corpos deram à costa. O de Paulina foi encontrado numa pequena praia ali perto. Nessa altura passou a chamar-se Praia da Paulina, hoje conhecida por Praia do Lazareto. O corpo de Brandão foi encontrado na praia que hoje se chama Porto Brandão. Termina a lenda dizendo que aqueles que não conseguiram unir-se em vida, por causa da ganância de um pai, uniram-se na morte acabando sepultados no mesmo cemitério.

(baseado em Porto Brandão – O porto dos Amantes- de Carla Figueiredo em "Jornal da Região- Almada" n.º 5 de 12/11/97)

 

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