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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Até I 878 o Pragal e território vizinho desde
as Fontaínhas até à quinta de Casadas havia pertencido à freguesia
de Santa Maria de Almada (ou de No ssa Senhora da Assunção). A partir
daquele ano, quando a sitada freguesia foi extinta, integrou-se com ela
na nova freguesia dita de Almada, que englobou a de Santa Maria e a de
Sant'Iago.
Tal coma as mais antigas povoações do termo de
Alinada (Cacilhas, Almada, Caparica e Murfacém) o Pragal está
implantado a sul das colinas sobranceiras ao rio Tejo em posição
obrigada dos ventos dominantes, os do quadrante norte.
Não se encontrou ainda registo escrito com o
nome de Pragal, anterior ao século XVI, mas é bem provável que a
povoação seja bastante mail antiga. Há notícia de lugares próximos
nos século XIV a XV e é muito pouco crível que o Pragal não
existisse então. Da mesma forma que as povoações ou lugares próximos
é provável que fosse uma povoação mourisca e há notícia de um
povoamento romano na proximidade da portagem da auto-estrada do sul, em
plano mais elevado e hoje desaparecido por rebaixamento do terreno.
Neste mesmo ponto ficava Almorouche, uma palavra que se antepôs ao
amigo árabe «al» e não temos dúvidas quanto à origem árabe do
nome Valdeão, também próximo do Pragal.
A base económica do Pragal foi sempre a
agricultura, até que esta declinou, no século XIX, passando então a
população activa a ocupar-se na indústria ou no comércio localizados
na Piedade, Caramujo. Cacilhas e outros sítuos onde se íam
desenvolvendo novas actividades.
Das antigas indústrias do Pragal, não
dependentes da agricultura, conhecem-se apenas a saboaria e a cerãmica
de barro vermelho.
A indústria de saboaria é conhecida desde o
reinado de D. Afonso V c é provavelmente anterior. Estava instalada no
sítio da Arrábida. junta ao Tejo, onde se manteve em laboração até
ao nosso século. Foi seu último explorador a fìrma Macedo &
Coelho, Lda. que nos últimos anos de laboração daquela instalação
fabril a utilizava para refinação de óleos (amendoím, rícino, linhaça,
etc.) e ainda produzia sabão: empregava 100 trahalhadores repartidos
por três turnos.
Na nargem esquerda do Tejo desde Cacilhas à
Trafaria pequenas praias e arribas estão demasiado expostas aos
ventos dominantes do quadrante norte, pelo que são por vezes
desabrigadas e desagradáveis, de onde a população desses lugares
sempre escassa, preferindo antes fixar-se nas encostas viradas a sul em
geral longe do rio. Assim, as praias mais pequenas que interessasem
pouco ao escoamento de produtos agrícolas, eram praticamente
desertas bem como as suas proximidades. Este facto tornava propícia a
instalação de indústrias insalubres ou incómodas, o que
explica as instalações de saboarias que, trabalhando com guanos que
exalavam extremo mau cheiro. Também a Trafaria foi utilizada laboração
de saborias.
Por antítese, a margem esquerda do rio era também
reputada «lavada de ares» (quando se não estava perto das saboarias...),
crença que não é alheia a interposição do Tejo como barreira
saneado
Quanto à indústria de cerãmica de barro
vermelho, a mais notavel instalou-se em Palença de Baixo ou Porto
de S. Lourenço não por razões de poluição que na época a neste
caso era coisa de som mas porque aí se situava um bom barreiro e a
praia permitia um embarque fácil e o transporte para o grande
consumidor, Lisboa. A telha marcada «Fábrica de Palença» foi
largamente utilizada em Lisboa Almada a outros locais. O caminho de ligação
entre o Pragal e Palença era uma estreita azinhaga que até Palença de
Cima tinha um acentuado declive; embora um caminho difícil era
praticado por veículos detração animal.
Fábrica e terreno foram vendidos em fins da década
de 70, dando lugar à instalação de silos de cereiais, que são hoje a
única grande indústria instalada na freguesia.
Existiam também actividades artesanais,
directamente ligadas á actividade agrícola, como a moagem executada
por vários moinho de vento. Actualmente sobrevive na freguesia um único,
junto ao campo do Almada Atlético Clube; «defende-o» um marco geodésico
instalqado no seu topo (até quando?).
De outras actividades, tais como a tanoaria, a
construção de carros, cesteiros, etc., não temos conhecimentco que
alguma tenha atingido dimensão de indústria.
os produtos agrícolas eram escoados para os
mercados, em particular Lisboa, principalmente por Cacilhas, embora
Palença de Baixo (S. Lourenço) a Arrábida, e a desaparecida Boca do
Asno permitíssem o embarque.
A linha de comunicação mais importante era a
que ligava o Pragal a Almada. Em princípios do século XIX, duas
azinhagas satisfaziam esta função: a primeira saía de Almada, subia a
S. Paulo e de aqui ao Pau de Bandeira, descendo depois ao centro da
povoação; a segunda, partindo de Almada, passava por S. Sebastião,
Torcatas a centro da povoação, indo entroncar com a anterior antes de
atingir a ermida do Pragal. Esta último caminho era a rua Direita. Mais
tarde, já no terceiro quartel do século XIX, a estrada
Cacilhas-Trafaria (depois designada Estrada Nacional n° 377) foi
remodelada e o novo troço junto ao Pragal passou a ser a rua mais
importante da povoação. Tomou então o nome de rua Direita, embora já
não conduzisse ao centro da povoação. Dirigiu a construção desta
estrada Liberato Teles, natural de Cacilhas, um dos mais notáveis
engenheiros portugueses do seu tempo
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