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POVOAÇÃO DO PRAGAL

 

O topónimo Pragal é conhecido desde século XVI e é bem possível que seja bastante mais antigo. A grafia conserva-se sob a forma actual, embora nos apareçam as variantes metatéticas «Pargal» e «Paregal».A origem e significado da palavra oferecem-nos algumas dúvidas. Como significado imediato teríamos o de terreno estéril, improdutivo, o que é inaplicável ao lugar. Se bem que os terrenos circunvizinhos tenham sido predominantemente terras de sequeiro, não só não eram estéreis como em alguns lugares se praticaram culturas mais ricas. Ainda hoje, uma das principais ruas do Pragal conserva o nome de calçadinha da Horta e uma quinta contígua à antiga povoação era a quinta da Horta.

Dado o sufixo al e a existência próximo da povoação de topónimos com a mesma terminação como Pombal, Cangrejal e Ginjal inclinamonos para o significado de «lugar onde existe uma determinada cousa característica», que no caso será um espargal ou terrenos de cultura de espargos ou aspáragos. Assim. teríamos a derivação seguinte, com aférese e metátese:

Espargal > Pargal > Pragal

Conhecem-se registos escritos para Espargal e Pargal (ou Paregal).

O topónimo Espargal encontra-se também no Algarve, a sueste de Alte, concelho de Loulé, e no Alentejo, na margem esquerda do rio Mira, perto de Odemira.

A povoação conserva numerosos testemunhos de construção dos séculos XVII-XVIII, época em que parece ter gozado de certa prosperidade, talvez em coincidência com o ponto alto da cultura da vinha.

A edificação característica desta época é a antiga ermida, hoje igreja e sede de Paróquia. Trata-se de uma construção do século XVIII que ostenta uma fachada sóbria mas bem equilibrada, ao gosto barroco. O templo foi devastado por um incêndio no século passado, mas foi reconstruído conservando a traça anterior. já neste século.

a povoação e a região do Pragal sofreram uma grande transformação económica a partir de meados do século XIX.

Por esta época, a ruína das vinhas pelos ataques de oídium e da filoxera, empobreceram todo o concelho. Verdadeiro desastre económico, que afectou todo o país, acrescentou-se-the o parcelamento dos terrenos, que em Almada já estavam muito divididos, por força da extinção dos morgados.

A excessiva divisão dos terrenos tomava pouco propício o recurso a outras culturas de sequeiro - trigo, cevada, etc. que exigiam áreas extensas e força económica.

A ruína ou decadência dos pequenos e médios agricultores forçou a população agrícola assalariada a ocupar-se na indústria e no comércio ou a emigrar.

A partir desta época o Pragal vai passando por uma progressiva transformação que é visível na conversão das casas da povoação.

As habitações de tipo rural do pequeno a médio agricultor vão-se convertendo em residêncis de uma ou mais famílias operárias que, a pouco e pouco, vão ocupando o antigo pátio agrícola e o celeiro do piso térreo e usando, quando possível, os pequenos espaços contíguos para uma pequena horta, complementar do magro salário do operário dos princípios do século.

Ao longo da nova estrada Almada-Caparica, que passa a marginar a povoação por sul, editicam-se algumas casas do tipo burguês, ao gosto de fins do século XIX, mas o progresso desacelerou em pouco tempo. Os edifícios não chegaram a marginar a recente rua direita quedando-se na quase totalidade pelo lado norte da estrada.

A partirdos tinais do 1° quartel do século, as casas começam a sofrer uma degradação contínua, apenas pontuada em um ou outro lado por uma reconstrução isolada a raramente casa nova.

 

 

FONTE DE CONSULTA

"O PRAGAL"

DE R.H.PEREIRA DE SOUSA

JUNTA DE FREGUESIA DO PRAGAL

 

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