A freguesia da Trafaria foi criada pelo decreto n.º 12 432 de 7 de
Outubro de 1926. Está situada na margem esquerda do rio Tejo entre
o Bico da Calha e o Portinho da Costa.
Na sua origem esteve um pequeno aglomerado de pescadores, sendo
ainda hoje a pesca uma das principais ocupações da população da
Trafaria.
Na época de Verão é uma das melhores praias da Outra Banda,
juntamente com a Costa da Caparica, constituindo uma das mais
concorridas e alegres praias da região da capital.
Em tempos em que a Trafaria não era mais do que uma ínfima
povoação de pescadores foi, cruelmente, mandada incendiar pelo
Marquês de Pombal, para castigo dos seus míseros habitantes, que
haviam ousado desagradar ao omnipotente ministro de D. José.
Este acontecimento ocorreu no dia 23 de Janeiro de 1777, de má
memória, e ficou a dever-se ao facto de, tendo o Marquês
necessidade de aumentar os contigentes do exército nacional, ter
mandado fazer o recrutamento, a que se escusaram muitos mancebos.
Constou então a Sebastião José de Carvalho e Melo que grande
número dos refractários se escondiam na Trafaria pelo que este
mandou lançar fogo à aldeia a fim de os prender ou vitimar. O
executor da terrível sentença foi Pina Manique que tinha por
missão fazer ingressar nas fileiras militares os que de lá fossem
fugindo, muitos outros, porém, pereceram no incêndio. A povoação
foi, entretanto, reconstruída.
Raúl Brandão exclamou perante a Trafaria “Horrível!”. Este epíteto
não impediu que grandes figuras como Ramalho Ortigão, Bulhão Pato
e outros aqui viessem a banhos.
Segundo Raúl Proença uma das belas páginas das Farpas é a que
descreve a morte de um pescador, no mar, à vista da praia e que
tem por cenário, precisamente, a Trafaria.
Entre a Trafaria e a Costa existe um grande pinhal, de plantação
recente, pertencente ao Estado, através do qual se pretendeu fixar
as dunas da costa e, com uma vala de drenagem enxugaram-se as
terras pantanosas entre o Tejo e o Atlântico.
Na área da freguesia há vários fortes, incluídos no conjunto
defensivo da barra e porto de Lisboa – Alpena 1 e 2, Raposeira 1 e
2.
Na Trafaria existe a Sociedade Recreativa Musical Trafariense, que
integra uma banda filarmónica e uma escola de música, oficialmente
inaugurada a 8 de Maio de 1900, conta já, pois, uma respeitável
idade. Respeitável, tanto mais, quanto se sabe as dificuldades que
estes organismos enfrentam quotidianamente.
Não se conhece, ao certo, o ano em que pela primeira vez apareceu
o conjunto musical da Trafaria. Sabe-se, no entanto, que aquando
da criação da Sociedade em 1900 já existia na localidade um “Sol e
Dó”, que habitualmente alegrava as festas ou acompanhava cortejos
fúnebres.
A ideia de criação de uma banda começou a germinar na cabeça de
alguns trafarienses, após uma exibição, na localidade, da Banda da
Sociedade Filarmónica 1.º de Julho de 1890 (Fonte Santa), nos
finais do século XIX.
Depois de assente a ideia de criação da Sociedade Recreativa
Musical Trafariense, na taberna de José Cardoso, e de reunidos os
necessários apoios da população, os fundadores iniciaram a busca
de uma sede.
A sua primeira sede foi o primeiro andar do número 35 da Rua 5 de
Outubro, mudando-se a Sociedade, algum tempo depois, para o número
72 da mesma rua, que lhes oferecia melhores condições.
O seu primeiro regente foi o Sr. Dias, anteriormente regente da
Banda da Fonte Santa.
No ano de 1901 a rainha D. Amélia deslocou-se à Trafaria, a fim de
inaugurar a primeira colónia balnear que existiu em Portugal.
Em 1905 foi o rei D. Carlos que esteve na Trafaria para proceder à
inauguração do novo quartel, no que se fez acompanhar por alguns
dignatários. Devido à garbosa participação nos dois aconteciemtos
referidos e por ser um pólo de divulgação cultural na região a
colectividade recebeu o título de Real Sociedade Recreativa
Trafariense, que usou orgulhosamente até à Implantação da
República.