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ALVARELHOS

Lugar: Monte Grande
Freguesia: Alvarelhos
Concelho: Trofa
Distrito: Porto
Coordenadas cartográficas:
X = 159,1
Y = 481,2
Carta militar de Portugal à escala de 1:25 000, folha nº 97, levantamento de 1975 (Est. I, fig. 2).
Altitude: 222 m

Contexto Geográfico

O castro localiza-se no maciço montanhoso denominado por Serra de Santa Eufémia, (orientação sudoeste/noroeste), correspondendo a um dos relevos intermédios da sua franja Este, que desce para o pequeno vale da Ribeira da Aldeia, afluente do rio Ave na sua margem esquerda.

Geologia

O povoado localiza-se numa zona de formação litológica de granito biotítico que apresenta variedades porfiróides (granito "dente de cavalo" ou de galho) e granosas, de grão mais ou menos desenvolvido, atravessado por veios aplíticos e por filões de pegmatitos. (MONTENEGRO, 1952, p. 304).

Vegetação actual

Toda a área da estação arqueológica é densamente arborizada com eucaliptos e pinheiros. A área envolvente corresponde a uma zona rural, onde predomina o cultivo da vinha e milho.

Potencialidade económica da área envolvente

A implantação geo-morfológica do povoado permite o acesso a uma gama variada de recursos. Existem terras de cultivo na área envolvente do castro, mas as extensões mais notáveis de terra de melhor aptidão agrícola localizam-se no vale da Ribeira da Aldeia. No lado sudoeste, as terras de ligação à zona interior do maciço montanhoso, com características semi-planálticas, são propensas à transumância do gado. O rio, localizado a três quilómetros e meio do povoado, constituiria por certo uma importante fonte de recursos.

A Estação

O castro encontra-se implantado num contraforte do maciço montanhoso da serra de Santa Eufémia, na sua vertente Este. O topo do monte é largo e bastante extenso, seguido no seu lado nordeste por uma plataforma com pouca oscilação topográfica terminando com uma elevação, Monte de S. Marçal (Est. II, fig. 1). Os lados Norte, Sul e Este possuem vertentes com pendor acentuado, franqueadas por dois cursos de água, ambos afluentes da Ribeira da Aldeia.
A estação desenvolve-se por uma área aproximada de setecentos a oitocentos mil metros quadrados, sendo os vestígios actualmente visíveis constituídos por taludes, estruturas de planta quadrangular e circular que afloram à superfície da terra e ainda por grande quantidade de fragmentos cerâmicos e pedra aparelhada.
Um considerável número de fragmentos de cerâmica manual, tipologicamente enquadráveis no Bronze Final, testemunham a mais antiga ocupação conhecida até ao momento. Os vestígios atribuíveis à Idade do Ferro, para além de muito numerosos, encontram-se bem documentados, não só pelas suas características casas de planta circular (intervenção de emergência ALV. 84), (Est. III, fig. 1), mas também pela abundante cerâmica micácia não menos característica. Ao período romano corresponderá a maior amplitude da estação, nomeadamente nas plataformas intermédias localizadas entre o Monte Grande e o Monte de S. Marçal, local onde em 1986, se efectuou uma intervenção arqueológica, e se identificou um conjunto de estruturas possivelmente pertencentes a um edifício termal e se recolheu ainda abundante espólio cerâmico e metálico.
Apesar de nunca se terem realizado intervenções sistemáticas na estação, ao longo do tempo têm aparecido no local materiais de particular interesse, que deixam bem patente a importância científica da estação. Dos materiais mencionados os que merecem maior atenção são: um marco miliário, proveniente da Quinta do Paiço (CAPELA, 1895, pp. 132-133), um tesouro monetário de cerca de cinco mil denários e nove ponderais em prata (TORRES, 1979 e CENTENO, 1978, pp. 34-41), um conjunto de materiais em bronze dos quais se destacam um umbo de escudo e elementos pertencentes a uma sítula (SOEIRO, 1980, pp.' 237-243 e SILVA, 1986, p. 181, Est. XL - 6), (Est. IV e V), uma pequena estatueta que representa uma nereida (SANTARÉM, 1954, pp. 31-39) (Est. VI, fig. 1 e 2) e ainda três monumentos epigráficos.

Vias de comunicação e acesso

O acesso à estação pode fazer-se através da estrada nacional nº 318 ao quilómetro oito, no sentido Vilarinho - Vila do Conde para Água Longa, Santo Tirso, tomando-se de seguida o caminho florestal que dá acesso à povoação de Sobre-Sá.

Situação jurídica

Classificado como monumento nacional por decreto de dezasseis de Julho de 1910, só viria a beneficiar de zona de protecção em Setembro de 1976 por despacho ministerial. (Est. II fig. 1).
"Ponto de confluência do caminho antigo junto da casa de Isidro Moreira com a estrada municipal nº 533-2 que vem da igreja de Alvarelhos para a Carriça, seguindo em linha recta para Sudoeste até à estrada nacional nº 318 que vem de Vilarinho para Água Longa, ao quilómetro 8,200 ao portão da quinta do Paiço; seguindo pela mesma estrada nacional nº 318 no sentido de Vilarinho, até ao quilómetro 7,200; inflectindo depois, para Nascente até ao lugar de Sá, descendo depois, pelo caminho do lugar do portão poente da quinta do Paiço em direcção ao lugar de Vale, desembocando na estrada municipal 533-2 junto da casa de José Moreira de Oliveira seguindo, depois, esta estrada até ao ponto indicado no início junto da casa de Isidro Moreira".

Estado de conservação

A estação encontra-se em fase de estudo, enquadrada num projecto de estudo sob o título "Projecto de estudo e salvaguarda da estação arqueológica de Monte Padrão e castro de Alvarelhos", da responsabilidade de Álvaro de Brito Moreira e Lino Augusto Tavares Dias.

Espólio: Local de depósito.
Museu Municipal Abade Pedrosa
Câmara Municipal de Santo Tirso In "Santo Tirso Arqueológico, II, 1992" - Álvaro Moreira.  

Envie sugestões e comentários para: alvarelhos@usa.net
Texto, selecção de textos e fotografias: Avelino Moreira e Luís Ribas Moura.
 
 

 

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