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AS PRIMEIRAS CIDADES E ESTADOS
AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES
No sul da Mesopotâmia,
por volta de 3.500 a.C., apareceu a primeira civilização urbana e
alfabetizada.Uns séculos mais tarde, sem ter nada a ver com a primeira,
aparecem mais três , em tudo idênticas, à primeira: no Egipto---3.200
a.C.; no vale do Indo---2.500 a.C. e no norte da China---1.800 a.C..
As suas cidades,
túmulos, templos e documentos escritos, permitem-nos saber muito sobre
os motivos que ocasionaram, não só o seu aparecimento, como o seu
desenvolvimento e muitas vezes o declínio.
Todas estas
civilizações, se encontravam, numa planície aluvial fértil, uma parte da
população vivia nas cidades, governads como estados independentes.
No Egipto e no vale do
Indo, as cheias anuais do Nilo e do Indo, permitiam cultivar, depois do
recuo das águas e ter sempre boas colheitas.
Na Mesopotâmia e na
China Chang, tiveram de se construir canais de irrigação.
As grandes colheitas
agrícolas, destas quatro regiões, permitiram-lhes um grande
desenvolvimento. As cidades eram habitadas por milhares ou dezenas de
milhares. No Egipto, o poder pertencia ao rei, na China, também havia um
chefe, com vários estados vassalos, na Mesopotâmia cada cidade era
independentes, daí estarem sempre em guerra pelo poder.
Apareceram ocupações
especializadas, como por exemplo, os escribas. A maior parte dos
excedentes estavam na mão dos governantes, a riqueza e a procura de
artigos de luxo, deu origem ao desenvolvimento da arte e da indústria.
MESOPOTÂMIA---AS PRIMEIRAS CIDADES
O seu aparecimento,
deu-se no sul da Mesopotâmia- no 4º milénio a.C.—no período do Uruk
tardio. Deveu-se ao aumento da população, mudanças radicais na
sociedade, política, religião e cultura.
Cada cidade, tinha um
deus protector, o templo principal era majestoso e nele habitavam uma
grande quantidade de sacerdotes. O templo era dono de grande parte dos
terrenos e do gado. Na Mesopotâmia, os canais de irrigação, permitiam a
prática da agricultura, os produtos eram: cevada, gergelim e cebolas.
Criavam: carneiros, cabras, porcos e gado bovino.Fabricavam produtos a
partir do leite e da lã, assim como cerveja.
Os artesãos, recebiam
em troca do seu trabalho, produtos sob a forma de rações. O templo
dominava a cidade, o espaço sagrado, em geral quadrangular (temenos),
ficava no sítio mais elevado, as habitações num plano inferior, ruas
estreitas, conduziam até aos portões da muralha exterior.
As contas do templo,
deram origem às primeiras tabuínhas, pictográficas—3.100 a.C., que se
foram desenvolvendo, até darem origem à escrita silábica—as obras mais
antigas da literatura Suméria—Abu Salabikh, datam de 2.500 a.C. Mas só
os escribas possuíam a arte da escrita, que aprendiam na escola do
templo.
Sabemos que existiram
reis, os seus nomes apareceram num documento chamado « Lista dos reis
Sumérios». Os conflitos entre as cidades-estados, eram frequentes, por
vezes uniam-se para obterem o domínio de certas áreas.
UR—UMA CIDADE SUMÉRIA
Por volta de 4.500
a.C., era uma pequena povoação, nas terras baixas e pantanosas do sul do
Iraque, alguns séculos depois sofreu inundações, que a Bíblia e as
lendas nesopotâmicas, chamaram—Dilúvio. Ur, recuperou e alargou o seu
espaço, no 3º milénio, tornou-se a capital do Império.
Os objectos
encontrados, nos túmulos dos reis, feitos de materiais caros e
originários de regiões longínquas, demonstra que o comércio estava
desenvolvido.
O auge político de Ur,
deu-se no reinado de Ur-Nammu—2.100 a.C., nesta época a cidade foi
reconstruída e alargada, às muralhas, foi dedicado um maior
cuidado.
A Zigurate, que era uma
forma caracteristíca dos mesopotamos, também mereceu atenção. A Zigurate
era composta por uma série de terraços, que formavam uma pirâmide,
decorada com arcobotantes, recantos, mosaicos e árvores, cada uma, era
encimada pelo templo da divindade local. Em Ur, era Nana, o deus da Lua.
A cidade, tinha 60
hectares murados, a população deve ter ultrapassado os 20.000. Para lá
das muradas ficavam os campos de cultivo que abastecião Ur.
Nos túmulos reais,
foram encontrados: instrumentos musicais (arpas e liras), feitos em
madeira embutida. As damas da corte, usavam penteados elaborados, jóias
de ouro, prata e pedras semipreciosas e cosméticos.
Por volta de 1.000
a.C., Ur, só era importante devido aos seus templos e santuários, no
séc. IV a.C., foi completamente abandonada.
O EGIPTO—A ÉPOCA DAS PIRÂMIDES
Vale estreito, ladeado
por extensos desertos, onde o rio Nilo, com as suas cheias periódicas,
fazia a diferença. Quando as águas recuavam, as terras ficavam muito
férteis. Os desertos eram a melhor fronteira natural, sólida e segura.
No fim da última
glacição,a população já existente no local aumentou, no 6º milénio
cultivavam, trigo e cevada , criavam-se carneiros e cabras. A partir de
4.000 a.C., houve um enorme salto, quer a nível populacional, como
industrial e tecnológico.As primeiras cidades muradas, apareceram em
Naqada e Hieracompolis—3.300 a.C. Quando todas as cidades se uniram, a
capital era Mênfis.
Era um reino,
teocrático, governado por um rei divino, acreditavam na vida para além
da morte, por isso, construiram túmulos muito elaborados. Os dos
plebeus, eram decorados, com murais, representando cenas do quotidiano,
como por exemplo: a produção de alimentos, o cultivo da terra, o
pastoreio, a colheita, etc. , que magicamente, forneceriam alimentos ao
defunto.
Por volta de 2.650
a.C., surgiu um novo tipo de túmulo real, as pirâmides, a 1ª, tinha 62 m
de altura, nunca em todo o mundo se tinha visto uma construção deste
tamanho. Na 4ª dinastia, desenvolveu-se a verdadeira pirâmide, a partir
da forma em degraus. As maiores de todas foram construidas em Quéopos,
Gizé—2.540 a.C., com 147 m de altura, era constituida por 2,3 milhões de
blocos, que em média pesavam 2,5 toneladas, cada um.
Deve ter sido
construida entre Julho e Outubro, altura das cheias do Nilo, quando
todos os que se ocupavam da agricultura, estavam desocupados.
O Egipto, estava
dividido em províncias, cada uma delas administrada, por um governador,
estes foram-se tornando mais autónomos, o poder real, entrou em
declínio. Por volta de 2.150 a.C., houve um período de cheias fracas,
que trouxeram ao Egipto pelo menos, meio século de fome, a consequência
foi a queda dos valores e da velha ordem. Um século depois, restaurou-se
o poder central e começou uma nova era de estabilidade.
CIDADES DO INDO
Conhecem-se pelo menos
uma centena de povoações, do período do Indo Maduro, muitas já cercadas
por muralhas de barro cozido. Em Harappa e Mohenjo-Daro, as maiores,
tinham cerca de 60 hectares.
Tinham um cômoro ou
cidadela, no local mais elevado e uma área residencial, bastante
extensa. Parece ter havido, locais religiosos, de cerimónias ou
administrativos, mas não se encontraram palácios.
Em Mohenjo-Daro, havia:
oficinas de oleiros, tintureiros, artesãos de metais e de conchas.
Encontraram-se modelos de carros de bois e de navios.
As casas, tinham várias
salas que se abriam, para um pátio aberto, escadas que levavam ao andar
superior ou ao telhado plano, tinham casas-de-banho e esgotos, os pobres
habitavam em casas de uma única divisão.
Não se sabe quase nada
da sociedade, política e religião das cidades do Indo. A escrita era
usada em inscrições em pequenos objectos.
Por volta de 200 a.C.,
esta civilização chegou ao fim. A mudança do leito do rio, as epidemias,
as inundaçoes e as invasões, devem ter sido algumas das causas deste
desaparecimento.
AS CIDADES PALACIANAS DO PRÓXIMO ORIENTE
Material arquitectónico
e de arquivo, com muita importância, foi encontrado em Ebla e Mari—2.400
a 1.750 a.. No centro de cada uma destas cidades havia um palácio e
templos, rodeados de casas particulares. Eram protegidas por muralhas de
tijolos ou terra batida.
Em Ebla a base da
muralha tinha 50 m de largura e 20 m de altura, a cidade ocupava uma
extensão de 50 hectares. Mari, tinha 100 hectares. Nestas duas cidades,
descobriram-se cerca de 16.000 e 17.500, documentos, respectivamente.A
maior parte das tabuínhas de Ebla, eram sobre a administração do
palácio, do estado, o controlo do comércio e a cobrança de impostos.
Tinham alcançado um
nível elevado no trabalho de metais, pedra e
marfim.
A CRETA MINÓICA
Creta era uma ilha
montanhosa e muito arborizada, foi colonizada pela primeira vez, por
volta de 6.000 a.C. Foi-se desenvolvendo ao mesmo tempo que a população,
foi aumentando.
O palácio de Cnossos,
foi construido, por volta de 2.000 a.C., nos trezentos anos que se
seguiram foram constuidos os palácios de: Festo, Mallia e Zakro. Estes
eram usados como casas reais, centros de cerimónia e ritual e centros
económicos. No período minóico, apareceram muitas cidades, em Creta e á
volta de cada um dos palácios.
Os cretenses eram
óptimos artesãos, a cerâmica estava muito desenvolvida, já se usava a
roda de oleiro, os objectos tinham a espessura de uma casca de ovo, as
decorações eram soberbas e eram muito procurados em todo o Mediterrâneo
Oriental.
Não tinham templos
públicos, adoravam uma série de deuses. Os santuários particulares
serviam para adorar a deusa-serpente, a divindade protectora do lar.
O machado duplo
sagrado, era um símbolo sagrado, assim como o palácio de Minos—ambos
pertencentes á mitologia grega. Por volta de 1.450 a.C., a Creta
Minóica, por motivos que ainda não estão bem esclarecidos, sofreu vários
desastres, só o palácio de Cnossos, não foi destruido, mas em 1.370
a.C., também este devido a um enorme incêndio acabou por ser arrasado.
A GRÉCIA MICÉNICA
No fim do 2º milénio
a.C., o Mediterrâneo Oriental, era uma zona de conflitos, devido á
rivalidade entre as cidades-estados, umas mais antigas e outras mais
modernas.
A Epopeia de Homero-800
a.C., narra muitas das lendas micénicas , uma delas conta que durante a
guerra de Tróia, Micenas era a casa de Agamémnon, senhor supremo de toda
a Grécia. Os micenenses eram retratados como heróis de guerra,
mercadores e marinheiros audazes.
A Grécia Micénica era
composta por uma série de pequenos reinos, cada um deles centrado, num
palácio ou numa cidadela. No centro de cada palácio, havia um Megaron-um
grande salão, no meio do qual havia uma lareira circular, o telhado
apoiava-se em quatro colunas de madeira. Era aqui que se reuniam, o
governante e a sua corte.
A enorme muralha
defensiva de Micenas revela a importância da guerra na Grécia. Para os
carros de guerra poderem circular, criou-se uma extensa rede de
estradas. Os navios foram muito importantes, militarmente.Por volta de
1.250 a.C., as defesas da cidade foram alargadas e construiu-se o
monumental Portão do Leão.
Devido a conflitos
internos e possivelmente a invasões exteriores, todas as cidades
Micénicas foram abandonadas, nos finais do séc.
XII a.C.
A CHINA CHANG
Os Chang (dinastia de reis), formaram um estado poderoso
que sobreviveu, até ao séc. XI a.C., no nordeste da China.
Em 3.000 a.C., as
diferenças entre as sepulturas dos pobres e dos ricos, era tão grande,
que nos mostra tratar-se de uma sociedade hierarquizada. Entre 2.500 e
1.800 a.C., construiram-se povoações muradas, desenvolveram a
metalurgica e a cerâmica, feita na roda.A capital, mudou várias vezes de
lugar, ou era em Chang-Chou ou em Anyang, estes dois locais são os mais
importantes, do ponto de vista arqueológico da China Chang.
Os cemitérios eram em
torno das cidades e em Anyang, foram encontrados, os túmulos dos últimos
imperadores. Apesar dos assaltos, os sinais são de uma enorme riqueza.
Uma das sepulturas mais modestas, de uma rainha Chang, tinha os corpos
sacrifícados de 16 humanos, 6 cães, mais de 440 objectos de bronze, 590
de jade, 560 de osso e cerca de 7.000 caurins.
Os sacrifícios eram
vulgares nas sepulturas dos ricos, em Xibeigang, foram encontrados 165
corpos sacrificados, julga-se que pertenciam a prisioneiros de guerra.
Havia um culto de
veneração dos antepassados, que eram consultados por meio dos ossos do
oráculo. As perguntas e respostas eram escritas no osso, o que nos deu
acesso a inúmeros relatos sobre esta época.
A procura de artigos de
luxo, por parte da aristocracia levou ao desenvolvimento das indústrias
tradicionais da China.
No fim da dinastia
Chang, séc, XI a.C., as tradições culturais da China ,já estavam
estabelecidas e permaneceram intactas.
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