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A PRÉ-HISTÓRIA EM PORTUGAL
O QUATERNÁRIO- EVOLUÇÃO DO AMBIENTE E
PRIMEIROS HABITANTES
O Quaternário é a era das glaciações e do
homem. Mas no nosso território, os dados sobre este período são muito
escassos.
Supomos que as condições climatéricas,
seriam idênticas às que hoje encontramos na Escócia ou no sul da
Escandinávia
Na gruta de Figueira Brava, Sesimbra, com
cerca de 30.000 anos, foram encontrados retos de pinguins e de focas
árcticas.
Em Esmoriz descobriu-se recentemente,
numerosos restos de pinus, datados de 27.000 aproximadamente, que nos
leva à conclusão de que existiriam pinhais no litoral.
As areias eólicas que existem na costa a
norte de Lisboa, provam que as águas estariam a cerca de 20 km para
oeste da actual linha da costa, nesse espaço deveria ter existido uma
charneca.
Nas serras da Estrela e do Gerês, as línguas
de gelo desciam abaixo dos 1.000 m de altiude, o que revela que o clima
era bem mais frio. Mais a norte no interior, a paisagem era composta de
desertos de pedras.
As ocupações mais antigas conhecidas no
nosso território, são do Acheulense (fabrico de bífaces)-500.000 anos.
Os achados concentram-se ao longo do litoral e nos principais vales
fluviais do interior.
A matéria-prima mais utilizada, foi o
quartzito, em menor escala o quartzo e o sílex.
Não temos hipótese de saber se foi o homem
que acumulou os ossos de elefantes, hipopótamos, cavalos e veados, que
foram encontrados na jazida da Mealhada.
Até hoje ainda não se encontraram fósseis
humanos, em Portugal, do período Acheulense, mas achados feitos noutros
países da Europa, indicam que os mais antigos a povoar o nosso país,
seriam do tipo Homo Erectus, em fases mais recentes o homem do
Neanderthal.
ACAMPAMENTOS NEANDERTALENSE NO VALE DO TEJO
O Neanderthal caracteriza-se pela existência de raspadores,
fabricados sobre lascas. Em Portugal foram encontrados dentes isolados
de homens deste período, na gruta Nova da Columbeira e na gruta Da
Figueira Brava.
Em Vilas Ruivas, foram descobertas importantes estruturas de
habitats, a técnica Levallois (obter lascas a partir da preparação do
núcleo), estava bem representada nos utensílios descobertos nesta zona.
As estruturas, foram primeiro consideradas, como suportes de cabanas ou
de guarda-ventos, mas a sua semelhança com as emboscadas construídas
pelos esquimós Nunamiut (para a caça de rebanhos de Caribus),
levaram-nos a pensar tratar-se destes últimos. Qualquer que fosse a sua
utilização, de uma coisa, se tem a certeza, já se utilizava o fogo.
A Foz do Enxarrique, que está a ser escavada, tem revelado
artefactos bem conservados, de quartzito, lascas de talhe e núcleos. Mas
o mais importante, foram os restos de fauna, o que é muito raro nas
nossas jazidas. A datação de Urânio, revelou uma idade de cerca de
33.000 anos.
Em Portugal o período Moustierense, foi mais prolongado, do
que no resto da Europa, o homem do Neanderthal, era o fabricante desta
técnica.
O COMPLEXO DE GRUTAS DO ALMONDA DURANTE A
PRÉ-HISTÓRIA
Há cerca de cinquenta anos que estas grutas foram
descobertas, altura em que o rio Almonda, nos mostrou uma extensa rede
de galerias subterrâneas, com cerca de 8 km.
Na praia dos Bífaces, a 1 km da nascente foram
descobertas—lascas, núcleos, bífaces, dentes de cavalo, cabra montês e
elefante—com data compreendida entre 130.000 e 190.000 anos.
Na Gruta da Oliveira, por cima da nascente, em menos de 0,2
metros cúbicos de sedimentos, encontraram-se cerca de 250 peças da
técnica Levallois-restos de animais: veado,cabra,cavalo e tartaruga,
todos carbonizados, que indica que a gruta seria um habitat. Tornava-se
necessário encontrar a entrada, o que aconteceu em 1.992.
Na galeria da nascente foram descobertas duas bolsas de
sedimentos, numa estavam os restos de um adolescente de 8 a 12 anos de
idade, junto ao corpo, adornos de conchas. Na outra cerca de duas dúzias
de pontas de zagaias em sílex, pensa-se que serviriam como material de
substituição, em caso de necessidade.
CAÇADORES DA ÉPOCA GLACIAR NO LITORAL DA ESTREMADURA
No paleolítico superior trabalhavam um tipo especial de
núcleos-prismáticos, surgem as pontas líticas que funcionavam como
zagaias, colocadas em cabos de madeira.
Os tipos de zagaias, permitem dividir o paleolítico em 4
períodos:
--Aurignacense-38.000 até 28.000, as lamelas Dufour.
--Gravettense-28.000 até 22.000, a ponta de casal do Filipe.
--Solutrense-22.000 até 17.000, as pontas de face plana, as folhas de
loureiro, as pontas de pedúnculo lateral e aletas.
--Magdalenense-17.000 até 10.000, zagaias em osso, lamelas de dorso e
arpões.
Em Portugal todos estes períodos estão reconhecidos. A Gruta
do Caldeira (escavada entre 1979 e 1988), no Vale do Nabão, a norte da
cidade de Tomar é um exemplo de um só local com vestígios de todos os
períodos. Só foram encontrados os ossos dos membros dos animais caçados,
o que se justifica se pensarmos que a gruta serviria de abrigo, durante
as caçadas, o restante do animal seria levado para o acampamento.
Foi também nesta gruta que se descobriu o primeiro objecto
de arte móvel, no nosso país, uma plaquinha de xisto gravada em ambas as
faces, junto estavam vários adornos.
Em Cabeço de Porto Marinho, num,a área ao ar livre a norte
de Rio Maior, encontraram-se numerosas estruturas, sobretudo lareiras.
Na gruta de Salemas, muito estreita e pequena,
descobriram-se utensílios característicos de dois níveis: lamelas
Dufour, pontas de zagaias ou barbelas de pedra para pontas ósseas e uma
enorme quantidade de cinzas, que nos levam a crer que a gruta foi
utilizada inúmeras vezes, talvez para observação da caça.
A GRUTA DO ESCOURAL E A ARTE DO PALEOLÍTICO
Fica no Alto Alentejo, as investigações puseram a descoberto
uma necrópole do Neolítico assim como numerosas pinturas e gravuras do
Paleolítico.
As pinturas a vermelho e negro, eram 14 e foram atribuídas
ao período Aurignacense, por vezes há gravuras de estilos diferentes que
cobrem as primeiras. Os utensílios encontrados foram: 4lamelas Dufour e
uma folha de loureiro.
Ainda hoje os investigadores, não estão de acordo, sobre os
motivos que levariam os homens do Paleolítico superior, a fazer
representações do mundo que os rodeava na forma de pinturas, gravuras ou
esculturas, omotivo religioso, magia para a caça, rituais de iniciação
ou arte xamanística em situações de transe, sabe-se de certeza que ou um
ou todos seriam o verdadeiro motivo.
Antes do Paleolítico superior estas manifestações não
existiam. Nem todos os habitats eram decorados.
CAÇADORES E RECOLECTORES DA ÉPOCA
PÓS-GLACIAR
Foi uma época de grandes mudanças ambientais, embora muito
lentas. A temperatura aumentou cerca de 10 graus, o nível das águas do
mar subiu entre 100 a 130 m, uma faixa de terra do litoral entre 5 a 30
km ficou submersa, formaram-se grandes estuários, a húmidade aumentou, a
vegetação passou de estepe para florestas mais ou menos densas de
carvalhos, os grandes herbívoros desapareceram, predominavam os animais
de médio e pequeno porte.
Era o período Mesolítico, alguns vestígios foram encontrados
no interior dos antigos estuários dos rios Tejo, Sado e Mira. Na bacia
do Guadiana, no interior de Portugal foram encontradas jazidas onde eram
abundantes utensílios de seixos rolados-típicos do Paleolítico.
Em Xerez de Baixo, perto de Monsarraz encontraram-se cerca
de 700 artefactos-seixos, lascas, núcleos, etc. Os seixos com entalhes
laterais, conhecidos como pesos de rede, revelam que a pesca deve de ter
tido um papel importante na vida destas povoações.
No norte talvez devido a condições climatéricas ou à
submersão dos vestígios de exploração, pouco foi encontrado.
ACAMPAMENTOS, OFICINAS DE ENTALHE E CONCHEIROS NA
COSTA SUDOESTE
A costa Ocidental do Alentejo e Algarve, mostram através dos
vestígios encontrados terem sido zonas muito povoadas, mais de 20
jazidas no espaço de 100 km, a maior parte são oficinas de entalhe e
alguns concheiros.
Nas oficinas de talhe os utensílios eram Macrolíticos
Mirenses. Várias espécies de moluscos característicos de falésias
rochosas, como as Lapas e a Littorina Littorea, esta última própria de
climas mais frios do que o actual.
Num concheiro perto de Porto Covo, além de utensílios do
Mesolítico, havia uma vasta gama de ossos de peixes, de mamíferos e até
de alguns humanos, datados de 4.500 a.C.
No concheiro do Castelejo, a 15 km a norte do Cabo de S.
Vicente (Vila do Bispo), havia uma massa compacta de conchas de lapa,
mexilhão e outros moluscos. Escavações recentes nesta zona revelaram
várias estruturas rudimentares de habitações, a datação por rádiocarbono
localizou-as em 5.500 a.C., este era um acampamento sanzonal habitado
durante grandes períodos.
OS CONCHEIROS MESOLÍTICOS DO VALE
DO TEJO
Situados nas ribeiras de Muge e de Magos, na primeira
descobriram-se cinco concheiros, a pouca distância uns dos outros. A
escolha deste local permitia-lhes a exploração de uma enorme variedade
de recursos naturais, por um lado tinham a caça, a pesca e a recolha de
moluscos, por outro colhiam os frutos e plantas-5.500 a 5.000 a.C.
As escavações feitas na Moita do Sebastião, permitiram
detectar algumas estruturas habitacionais, que indicam que o grupo era
pequeno, entre 15 a 25 pessoas, talvez uma família alargada,
característica dos grupos de caçadores-recolectores.
Foi possível reconstruir alguns aspectos da vida quotidiana
e dos rituais fúnebres, dos últimos grupos que ocuparam o antigo
estuário do Tejo. Caçavam o veado, javali, corço, cavalo, coelho e
lebre; os moluscos mais consumidos eram a lameijinha e o berbigão;
pescavam a corvina e várias outras espécies; o pato, a perdiz e o pombo
eram algumas das aves que faziam parte da sua alimentação.
Os utensílios microlíticos (feitos a partir de lamelas),
foram os mais encontrados-fabricados na técnica do microburil, eram
pequenas peças de várias formas, como pontas de setas.
As sepulturas existiam em todos os concheiros, o ritual
fúnebre estava bem definido. Os corpos colocados em decúbito dorsal,
pernas semiflectidas e braços estendidos ou cruzados sobre o abdómen,
eram polvilhados com ocre vermelho e adornados com pequenos búzios, em
forma de colar. A esperança de vida média era de 30 anos. Nos quase 300
corpos encontrados, havia um elevado número de cáries dentárias, artrite
e lesões traumáticas.
OS CONCHEIROS DO VALE DO TEJO
Apresentam muitas semelhanças com os do vale do Muge. O de
Patancho, em muito mau estado devido a ser uma zona de cultivo, o outro
na Quinta de Baixo ou Cabeço dos Ossos ou Cabeço de Pez.
Ao contrário do vale do Tejo, a formação de concheiros do
Sado, foi feita por justaposição e não por sobreposição. A cada período
de ocupação, corresponde um montículo de conchas com menos de um metro
de diâmetro e outro de espessura. Para distinguir as diferenças entre as
várias culturas dos habitantes é necessário escavar extensões muito
vastas.
Em Poças de S. Bento, descobriram-se algumas estruturas de
habitações, sabemos através do radiocarbono que estes concheiros foram
ocupados ao longo de mais de um milénio entre 7.500 e 6.500 anos, no
período que corresponde ao início da fase Atlântica do Holocénico.
OS PRIMEIROS GRUPOS DE PASTORES E
AGRICULTORES
O Neolítico- período do aparecimento de uma nova
técnologia—a pedra polida e de uma nova economia—agro-pastoril.
Para explicar o abandono, de uma forma de vida que durante
dois milhões de anos foi plenamente satisfatório, dá-se uma série de
razões: modificações ambientais, pressão demográfica ou complexidade
social.
Os vestígios mais antigos do Neolítico no Mediterrâneo
Oriental, datam de cerca de 8.000 a.C., os do Levante espanhol de 4.750
a.C., os de Portugal, encontrados na Gruta do Caldeirão de 4.250 a.C..
parecem ter sido ao ar livre, sem defesas e de grupos pequenos. Em
Santarém encontrou-se um vaso de cerâmica decorada com impressões feitas
com uma concha de cardium, de onde lhe vem o nome—cerâmica cardial.
No Maciço Calcário da Estremadura, encontraram-se vestígios
do Neolítico, datados de 6.500-6.000 anos, mas por exemplo, na gruta do
Caldeirão, a vida agro-pastoril só foi adaptada muito mais tarde.
Nas jazidas de Comporta no estuário do Sado os vestígios do
Neolítico, datam do 3º milénio a.C.
O FENÓMENO MEGLÍTICO
A partir do 5º milénio a.C., as sociedades de pastores e
agricultores construíram monumentos, constituídos por enormes blocos de
pedra. As antas de Belas e os sepulcros Megalíticos dos arredores da
Figueira da Foz, são um exemplo. No norte também abundam este tipo de
monumentos. A maior parte dos que se conhecem em Portugal são
sepulturas.
Com uma camâra poligonal de 5, 7 ou 9 esteios, cobertos com
uma grande laje ou chapéu, um corredor de comprimento variável, com
esteios mais pequenos e também cobertos com lajes.
Os menires constituídos por blocos isolados, os cromeleques
por blocos agrupados, que dizem estar ligados à religião e a rituais de
fertilidade, outros também lhes dão um significado astronómico, devido à
sua locolização, configuração e posição dos blocos. Os primeiros foram
construídos no 5º milénio a.C. no Alto Alentejo, no 4º aparecem nas
Beiras e no norte do país. Na fase final já no Calcolítico, no sul do
país a construção megalítica é substituída pela técnica de falsa cúpula,
dando origem às chamadas thólos.
O NÚCLEO MEGALÍTICO DE REGUENGOS
Tem cerca de 150 monumentos de vários tipos e épocas, 136
eram sepulcros, o resto eram menires e cromeleques. A economia dos
povoados não é conhecida, pois não se conseguiram encontrar vestígios,
mas devido a várias circunstâncias, cr^-se que eram pastores, caçadores
e recolectores. Viviam em tribos, os sepulcros eram colectivos, daí
pensarmos ter sido uma sociedade igualitária.
Para construir os monumentos maiores, seriam necessárias, no
minímo 100 pessoas. Na fase final já terão havido diferenças sociais.
CONSTRUTORES DE MEGALÍTICO DO
NORTE E DO CENTRO
O 1º núcleo megalítico do norte do país, fica na Serra da
Aboboreira. O período final da sua utilização, terá sido no 2º milénio,
já durante a Idade do Bronze. Na Mamôa de Chã do Carvalhal,
encontraram-se dois punhais de lingueta de cobre, vários vasos de
cerâmica campaniforme, decorada em estilo pontilhado e inciso. Durante
este período, construíram-se pequenos Cairn, com enterros individuais.
A ARTE DO RUPESTRE DO VALE DO
TEJO
Em Fratel, no curso do Tejo, encontraram-se 12 núcleos cada
um deles constituído por centenas de petróglifos, espalhados por ambas
as margens do rio.
Representações de cervídios e caprídios, figuras
antropormóficas, símbolos solares, espirais ou geométricas, que foram
feitas por precussão directa ou indirecta, muito poicas por abrasão.
Houve 5 períodos: Arcaico—grandes animais, estilo subnaturalista;
Mesolítico—estilizado, estático, corpos de perfil dos animais, por
picotagem ou linhas;Neolítico inicial—estilizado,dinâmico,mais variedade
de representações, o sol e outros de significado ritual;
Meridional—símbolos solares, geométricos, armas; Atlântico—espirais,
círculos isolados ou agrupados (idade do bronze), linhas e
círculos,animais híbridos ou fantásticos (idade do bronze final).
OS PRIMEIROS METALURGISTAS
Chamadas sociedades do Calcolítico-3º milénio a.C., ainda
que no início, a tecnologia metalúrgica, estivesse a dar os primeiros
passos. Os povoados, tornaram-se mais estáveis, alguns já providos de
estruturas defensivas. No nosso país, os habitantes ainda se encontravam
muito atrasados no desenvolvimento,, mas grupos vindos do exterior,
ter-se-ão fixado, principalmente no litoral da Estremadura.
É lógico que a confusão de culturas só aumentou as
dificuldades para distinguir as diversas fases. As investigações
permitiram perceber, que os progressos da faixa atlântica se expandiram
para o norte e para o centro. A sul onde até há pouco tempo se
desconheciam espaços habitacionais, tem no entanto vestígios de uma
precoce aquisição da metarlugia.
Um dos elementos que revela o desenvolvimento diferente de
região para região, é o cultural. Na Estremadura a cerâmica era em forma
de copo, muito bem acabado e por vezes decorado com caneluras. Na
Península de Setúbal,eram as formas abertas,estilo prato, quase sempre
sem decoração.
Na segunda metade do 3º milénio, na Estremadura, torna-se
corrente o vaso campaniforme, com bordas pontilhadas. No sul a cerâmica
manteve-se lisa.
A prática do enterro colectivo, permanece, em grutas
naturais, dólmens ou escavadas na rocha. Apareceu um novo tipo de
monumento—o túmulo de falsa cúpula—os thólos—também eles colectivos. Na
Praia das Maçãs, foi encontrado um , deste tipo. No sul , nota-se um
menor cuidado na construção destes monumentos.
Nos vestígios encontrados ,nestes túmulos colectivos, dá-se
destaque a uma enorme variedade de objectos de calcário e um elaborado
universo de símbolos. O calcário era a matéria-prima mais usada nos
rituais funerários, na Estremadura e já revelam uma crescente
diferenciação social.
ARQUITECTURA E METALURGIA NO
CALCOLÍTICO DO ALGARVE
Os vestígios mais importantes são os diversos monumentos da
necrópole de Alcalar e de Monte Velho, no Algarve Ocidental, os de Nora
e Marela, na zona Oriental.
Na primeira, descobriu-se recentemente um povoado, que
demonstrou que a metalurgia e as estruturas defensivas aparecem no mesmo
período. Em Alcalar o que é raro, a povoação e a necrópole estavam muito
próximas, apesar de ser fortificada era muito simples, ao contrário da
arquitectura funerária. A figura do «Grande Homem» está presente nos
túmulos magnifícos, assim como na posse de bens que dariam prestígio aos
seus donos.
A variedade de monumentos, mostra a evolução da
arquitectura. O 1º túmuloera um tipíco monumento megalítico, constituído
por grandes blocos de grés, seguiram-se os de falsa cúpula de vários
tipos e por fim monumentos menores que marcariam os enterros individuais
da Idade do Bronze.
Os objectos encontrados deram sinais de uma nascente
indústria do cobre, eram funcionais—serras, machados, furadores e
escopros; os decorativos—fitas de cobre, etc.,os que eram feitos de
materais mais raros, eram o símbolo de posição social. As grandes
lâminas de sílex, não deveriam ter um uso prático, dada a sua
fragilidade, as elaboradas pontas de setas, encontradasem Alcalar, eram
quase de um barroquismo formal e só poderiam ser um símbolo de riqueza.
FORTIFICAÇÕES DE METALURGISTAS DO
SUL
No interior da serra algarvia, uma área pouco fértil, apesar
de se encontrar próxima da ribeira de Foupana (afluente do Guadiana),
foi o local escolhido por um grupo para se instalar. Escolheram uma
elevação bem destacada na paisagem, mas pouco ampla—1ª metade do 3º
milénio a.C.
Ao redor do cume,havia um muro com uma única porta de acesso
e duas torres em faces opostas, estas defesas foram sendo melhoradas ao
longo dos tempos.foram encontrados vestígios de várias actividades
económicas, no interior desta povoação (Santa Justa, em Alcoutim).A
metalurgia do cobre—cadinhos, moldes e pingos de fundição;
tecelagem—pesos de tear.
Apesar do solo agreste, dedicaram-se às actividades
agro-pastorícias. Na cerâmica a forma mais usada era o prato, quase sem
nenhuma decoração.
No Alentejo dá-se destaque à povoação de Monte da Tumba no
Torrão, instalada numa elevação em esporão, aí foram encontrados novos
aetigos de cerâmica, como os pratos de bordo espessado. Tinha muralhas
que foram sendo reedificadas, as casas eram circulares de pedra e adobe,
a subsistência assentava nas actividades agro-pastoris.
As relações entre regiões, existiam apesar de terem culturas
diferentes, pois havia fluxo de cobre para norte e de bens de prestígio
para sul.
Mas um caso especial foi sem dúvida, o amplo povoado,
desprovido de muralhas, de Ferreira do Alentejo, é provável que tenha
tido 100ha., aqui havia uma grande concentração de cerâmica campaniforme
e era o local onde era fabricada. Parece ter havido deslocação de
povoações. No sítio já escavado, encontrou-se vestígios de uma cultura
associada ao povo campaniforme: metalurgia do ouro e do cobre, botões de
osso, com perfurações em forma de V, braçais de arqueiros, enormes
quantidades de ossos de gado bovídeo, que podem ter sido usados na
alimentação e como força motriz na agricultura.
ZAMBUJAL—UMA FORTIFICAÇ
CALCOLÍTICA DA ESTREMADURA
No litoral português, em particular, nas penísulas de Lisboa
e Setúbal, há um elevado número de sítios arqueológicos. A maior dúvida
é se tiveram origem no Neolítico ou se foram povos vindos do exterior
que habitaram nesses sítios.
Conhecem-se vários exemplos de continuídade, como o
Zambujal, em Torres Vedras. Aparentemente estes habitantes não se
sentiram atraídos pelo litoral e concentraram-se no amplo planalto,
sobranceiro à ribeira de Pedrulhos, era fortificada e passou por cinco
fases de construção e reconstrução.
No que respeita há cultura, houve grandes transformações; a
cerâmica campaniforme, na fase inicial em forma de câmpanula, decorada
com faixas paralelas pontilhadas, dentro do povoado existia uma zona
específica de produção de objectos de cobre.
ECONOMIA E SOCIEDADE NO ZAMBUJAL
Semeavam: trgo, cevada e favas. Mas como o solo não era
muito fértil, supõe-se que a maior parte dos alimentos vinham de
comunidades situadas mais a montante. A proximidade da ria, onde as
águas salgadas penetravam com abundância, apanhavam uma enorme variedade
de moluscos.
O Zambujal não deve ter sido um centro recolector ou
administrativo, visto não haver sinais de locais de armazenagem ou de
poder.
Os animais domésticos tinham uma grande importância, os de
caça estão muito menos representados, não se crê ter havido exploração
de produtos secundários, como o leite e a força de tracção animal.
Mantinham relações supra-regionais, o cobre tinha de ser
adquirido, nas regiões do sul encontraram-se objectos raros de cerâmica,
que eram caractrísticos de outros povoados. Esses bens serviriam para
demonstrar o prestígio de uma comunidade ou de alguns dos seus membros.
As casas eram simples cabanas de forma oval, om uma base de pedra, as
paredes e tectos eram feitos de barro e ramagens.
O grupo de metalurgicos ocupava uma posição social superior.
OS POVOADOS CALCOLÍTICOS A NORTE
DO DOURO
A história do calcolítico a norte, era um grande vazio, até
há alguns anos atrás. Entre os povoados identificados, o de Soutilha
(Mairos), têm uma grande importância, até por serem de uma época de
transição. Uma comunidade que aproveitou a penedia que se ergue sobre um
vale, para aí construir cabanas.
As formas de cerâmica eram esféricas e semiesféricas,
ovóides e em calota, era quase toda decorada, mas a técnica mais
utilizada é a da incisão. A produção agrícola era boa, dá-se o
armazenamento dos excedentes, o que origina estabilidade nas povoações e
o aparecimento de novas formas de competição social assim como o aumento
demográfico.
Todas as povoações a norte do Douro, tinham como preocupação
a sua defesa de preferência integrada na paisagem. Tentavam também ter
acesso a vales férteis.
Em Pastoria, os espaços naturais abrigados, pouparam um
enorme trabalho de construção aos seus povoadores. No solo cravaram
postes que eram a estrutura básica das cabanas feitas de barro e
ramagens, não tinham fortificações.
Possuíam objectos de cobre, de sílex e de outros materiais
raros, tinham cerâmica campaniforme.
Em Vila Nova de Foz Côa, Castelo Velho, era um povoado
fortemente fortificado.
Pode-se concluir que no norte havia uma vasta variedade de
situações que aponta que as povoações tiveram bases semelhantes mas
evoluções diferentes. Fez no entanto partye de um processo que envolveu
toda a fachada Atlântica da península.
AS CIVILIZAÇÕES DA IDADE DO
BNRONZE
O território ocupado por estas civilizações não se
confinavam só ao território de Portugal, continuava mais para norte e
para o interior,
Estavam organizados em pequenos chefados, hierarquizados e
exploravam os recursos naturais. Tinham as actividades: agro-pastoris,
metalurgica e mineira.
Em zonas r5icas há uma maior concentação de jóias.
O clima seria muito próximo do que se faz sentir hoje. Havia
duas zonas distintas, uma a norte do Tejo e outra a sul, o
desenvolvimento da Idade do Bronze vai ser diferente nas duas regiões,
uma vai ser a dominante.
A Idade do Bronze está dividida em: I, II e III ou Bronze
Final.
--O Bronze I ou Inicial—de 1.500 a 1.200/1.000 a.C.---aparece o
Bronze-arsénico (liga intencional de cobre e arsénico), com mudanças a
todos os níveis. Enterros indivíduais por imunação, faziam-se acompanhar
por objectos de formas pouco habituais. Adornos em lâminas de ouro,
obtidos por martelamento, uma influência de regiões do norte da Europa
(Irlanda, Escócia e Inglaterra) assim como o rebordo a cinzel e a
punção, encontraram-se exemplos destes objectos em Viana do Castelo.
A sul do Tejo era mais frequente encontrar tesouros em
espirais de fio de ouro, por vezes encadeados. As regiões a sul
encontram-se mais desenvolvidas, a partir de 1500 a.C., começa a
aparecer o bronze própriamente dito—liga de cobre e estanho.
Os povoados são escassos, situados em zonas planas, sem
muralhas ou qualquer outro tipo de protecção. Os enterros perderam a
monumentalidade e o carácter colectivo. Aparecem poucas sepulturas
juntas, excepto no caso de Donalda em Portimão ou Alcaria em Monchique.
Mas todas as sepulturas são individuais, em construções simples, lajes
de xisto, formando uma caixa. Os objectos encontrados eram de cerâmica,
armas (facas de lâmina curta e pontas de setas em metal)
A PLENA IDADE DO BRONZE
A partir de 1100 até cerca de 800/700 a.C.OS objectos de
cerâmica e bronze, são mais complexos, nos cemitérios, no limite do
túmulo com forma quadrangular, aparecem grandes pedras que sustentam o
peso do túmulo. Uma das características deste período é o aparecimento
de lápidas sepulcrais, com as representações das armas dos guerreiros,
na superfície.
Existem grandes povoados fortificados. A cerâmica é fina,
bem acabada e a sua decoração requintada (desenhos geométricos ou
nervuras) em garrafas e taças altas. As armas eram de bronze e muto
variadas—machados de forma alongada com rebordos salientes e talão, como
os que foram descobertos em Elvas e Alcobaça. A ourivesaria atinge um
grau muito elevado.
A maioria dos corpos ainda eram enterrados em posição
fetal, mas muitos aparecem com disposição diferente, o que leva a crer
que quando eram sepultados, já só existiam os ossos.
BRONZE FINAL MEDITERRÂNEO
Ás influeências do Atlântico e do MediterrÂneo, juntam-se as
que chegam pelo interior, através da Meseta (influências de Hallstatt).
As diferenças entre o norte e o sul do Tejo, acentuam-se. A sul o
contacto entre povos é muito maior, as trocas comerciais, de ideias e
religiosas, aumentam.
O guerreiro, talvez o chefe tem cada vez mais mportância, o
seu caixão era enterrado em pé. Os cemitérios perdem a sua imponência e
os povoados vão ser postos em relevo, o seu tamanho aumenta e há vastos
recintos junto à zoma de habitações, para o gado.
O povoado de Corôa de Frade, está rodeada por um forte
amarulhado de 2,7 m de espessura, a altura era de 3,4 m, nas zonas mais
vulneráveis era de 4,2 m.
A cerâmica mais característica, é a de retícula brumida, a
mais encontrada em Portugal é do tipo mais antigo, vasos de formas altas
e cónicas com carena alta, decoração geométrica simples de triângulos e
linhas paralelas ou cruzadas. A maior parte destes vasos tinham paredes
altas quase verticais.
BRONZE FINAL ATLÂNTICO
A região a norte do Tejo, tem características diferentes.
Quase não se encontraram necrópoles, mas depósitos de fundidor eram em
grande número, a maior parte compostos por machados, sem sinal de uso,
por isso, deviam de ser depósitoa ou refugo de fundições, de objectos
mal fundidos ou partidos.
Os povoados eram construídos em altura, rodeados por
muralhas e fossos, havia sinais de uma intensa exploração agrícola,
criação de gado, seguida da extração e tratamento de metais .
Não se notaram trocas importantes de produtos com o sul, mas
sim com o oeste de França, Bretanha, Irlanda e sul da Inglaterra, zonas
que também eram ricas em estanho. O que trocariam?
As características culturais da Europa Central, rituais
fúnebres, está bem presente na região a norte do Tejo. A cerâmica é do
tipo brumida e carenada. As armas comuns às duas zonas, foram as espadas
pistiliformes e em língua de carpa. Os primeiros espetos de bronze,
aparecem quer a norte quer a sul. No norte são espetos mais elaborados,
articulados, provavelmente usados em rituais especiais, como sugere o
simbologismo das figuras que se apresentam sobrepostas á articulação. No
sul são do tipo Hallstattico, também eles associados a rituais
religiosos ou ao enterro de heróis.
Na ourivesaria dominam as técnicas novas de moldagem, para
o fabrico de torques ocos, a decoração é pela punção ou incisão na
superfície das jóias. A imaginação celta, manifesta-se na decoração
dessas jóias, a norte do rio Tejo.
CIVILIZAÇÃO TARTÉSSICA
Sudoeste da
penísula Ibérica, na última fase do bronze final, por volta de 700 a.C.,
é um estado muito conhecido, com uma enorme riqueza mineira, os autores
clássicos escreveram sobre ele, com enorme respeito e admiração.
Tartessos era rico em ouro, prata e outros minerais. Cedo estabeleceram
relações comerciais com povos do Mediterrâneo e do Atlântico.
Este reino teria tido uma região nuclear e uma região mais
vasta periférica, dependente do núcleo—Alentejo, Algarve, Andaluzia
Ocidental e Estremadura espanhola.
Habis terá sido o primeiro monarca de Tartessos, era um rei
poderoso, fez um conjunto de leis para regular e unir o seu povo. A
agricultura e a pastorícia estavam muito desenvolvidas, as condições de
vida melhoraram. A população estava distríbuida por sete cidades, o
centro mais antigo e importante teria sido Cerro Salomon em Rio Tinto.
Huelva passaria a centro no séc. VII a.C. A população do primeiro centro
deveria ser céltica. A tendência foi deslocarem-se das montanhas para as
planícies, onde a vida era mais fácil.
Os contactos comerciais com as colónias gregas do
Mediterrâneo Oriental, deram origem a profundas aculturações, como por
exemplo, terem adaptado o alfabeto grego, as lápides funerárias, etc. Os
túmulos eram rectangulares, justapostos, alguns com uma moldura em
círculo mais ampla. As oferendas eram compostas de vários objectos
orientais:: anéis com escaravelhos (de Naucratis), vasos rituais obeloi,
armas diversas, aros de rodas de carros, jóias, etc.
Os rituais religiosos e fúnebres também mudaram, só a
aristrocacia e os heróis tinham direito a enterros magnifícos.
CIVILIZAÇÃO CÉLTICA
No fim do séc. VIII, princípio do VII a.C., o sudoeste
peninsular, apresenta indícios de mudanças profundas. Vastos povoados
fortificados, cultos das actividades guerreiras e dos heróis, com as
suas sepulturas evidenciadas, os escudos de chanfradura em V, o controlo
das vias comerciais, a escrita, a troca de presentes diplomáticos entre
as potências do tempo, complexa organização social.
No séc. VI a.C. o auge da civilização tartéssica,
observa-se duas áreas de influência na zona:
--uma orientalizante, vinda através da costa e dos contactos com o sul
da Península,
--outra celtizante, que chega ao sudoeste através da Meseta.
No séc. V Tartessos entra em declínio, assim como as
colónias fenícias do Ocidente, n Península dá-se o inverso, com a
evolução de pequenos reinos.
Em Portugal, de influência céltica, tivemos dois cultos
religiosos: Endovellico e Ataegina. Do primeiro encontraram-se estátuas
humanas em tamanho natural, de bronze e prata, assim como inscrições em
Mármore. Adoravam uma divindade oracular, tinha apenas um templo, estava
ligada ao mundo subterrâneo—ao javali e a Cernunos, este da mitologia
céltica.
Do culto de Ataegina, encontraram-se inúmeras inscrições e
dedicatórias à deusa em pequenos bronzes votivos, era um culto de
fertilidade, do renascer da Primavera e da natureza, não foi encontrado
nenhum templo.
As cerâmicas eram decoradas através de matrizes; a
ourivesaria estava bastante desenvolvida, com o disco de Bensafrim, onde
já apareciam caracteres da escrita tartássica e símbolos em colchete,
próprios da imaginação célta.
CIVILIZAÇÃO IBÉRICA
Surge logo a seguir da queda de Tartessos e passa por dois
momentos distintos:
--expansão e consolidação-fim do séc.V-IV e parte do III.
--pertubação e desagregação-desde III até à romanização.
Nos dois momentos a cerâmica era Ibérica, revestida de
engobe alanrajado, bandas paralelas, pintadas a vermelho-escuro, traços
direitos, ondulados e semicírculos, era a loiça mais fina. Também
importaram cerâmica grega e púnicas, que são copiadas pelos oleiros
ibéricos
Os vários reinos emergentes a seguir à queda de tartessos,
ao simultâneamente, semelhantes e diferentes, os autores clássicos
descrevem a Hispânia e os seus povos.
Todos os reinos mantinham entre si relações comerciais e
culturais.
Em Alcácer do Sal encontrou-se um carro de rodas de bronze
com quatro raios cruzados ao centro, de origem grega, era o mais arcaico
e menos funcional de todos os carros encontrados na Grécia.
A vinha terá vindo da região céltica, o vinho era muito apreciado e
cultivado em Santa Olaia, na Figueira da Foz.
A partir do séc. III, os pequenos reinos, sofrem
pertubações com a vinda dos exércitos de Cartago, as guerras púnicas,
onde os jovens iberos lutavam como mercenários e para as quais todos os
povos contríbuiam com pesados impostos.
A estrutura e a organização pouco foi alterada, mas começa o
longo e lento processo que vai resultar na submissão a Roma.
CIVILIZAÇÃO CASTREJA
Delimitada a sul pelo rio Vouga, a este pelos rios Navia e
Esla, a norte e ocidente pelo Atlântico (norte de Portugal e Galiza).
Era uma civilização da Idade do Ferro Tardia, com numerosos povoados de
altura, com origem auctóne, tinham uma ou mais muralhas defensivas,
habitações em forma cilíndrica e construídas em blocos de Granito.
A necessidade de defesa, mostra que eram povos beligerantes.
A sua evolução teve 3 fases distintas:
Fase 1—ligada ao bronze Atlântico e à Idade do Ferro Inícial—com alguns
vestígios de origem mediterrânica.
Fase 2—características celtas e mediterrâneas.
Fase 3—quando se integra no império romano.
Nesta civilização os cultos eram essencialmente célticos:
dos heróis, da fertilidade e de iníciação. Associados a este último, os
célebres monumentos com uma camâra isolada, por uma «Pedra Formosa», do
resto das salas, que formavam um edifício alongado, fora do povoado,
junto a um curso de água, que era utilizada nos rituais.
A ourivesaria era de enorme beleza, a técnica de filigana,
era já utilizada.
DA ÉPOCA ROMANA À REVOLUÇÃO
INDUSTRIAL
A CIVILIZAÇÃO ROMANA
As tropas de Cneu Cornélio Cipião, desembarcaram no porto da
cidade mediterrÂnea de Ampúrias (actual província espanhola de Gerona),
em 218 a.C.. a finalidade era o controlo económico da região.
Expandiram-se por toda a Península.
Aqui os povos do norte, baseavam a sua economia na pecuária
e na guerra de pilhagem associada à actividade pastoril. Os povos do
sul—iberos, os do centro e do norte—celtas e celtiberos. No primeiro
contacto os romanos preocuparam-se em anular a resistência das povoações
hostis e fomentarem a colaboração com as cidades, com as quais tinham
interesses comuns
Em 201 a.C. depois da segunda guerra púnica estenderam a sua
influência a Myrtillis—Mértola, Salacia—Alcácer do Sal e a
Olisipo—Lisboa, todas elas portos fluviais. As regiões do Baixo Alentejo
e do Algarve, já há muito que mantinham relações com as civilizações do
Mediterrâneo, onde os romanos tinham os seus aliados naturais.
A coabitação de romanos e de índigenas, estimula o uso da
moeda que dá origem ao acumular de riquezas em numerário e em artigos de
luxo. As lutas entre romanos e lusitanos na Beira interior acabam quando
Viriato e Fábio Máximo Serviliano, acordaram a paz—140 a.C.
O Imperador Augusto fez o reordenamento administrativo de
todo o território peninsular, delimitou as cidades e os seus territórios
e criou divisões administrativas. Nem todas as cidades tinham o mesmo
estatuto jurídico.
A reforma Flávia traz uma nova organização de tipo judicial
e religioso, os conventos jurídicos, a Lusitânia foi dividida em três:
Beja, Santarém e Mérida eram as capitais.
O Imperador Domiciano alarha o direito latino a toda a
Hispânia. Algumas cidades passam à categoria de Município, Olisipo, não
possui esse estatuto porque era um Município de cidadãos romanos. Essa
reforma permitia aos habitantes participar na vida pública e ocupar
cargos políticos ao nível do poder central.
A consequência foi a substituição das elites locais por uma
nova camada social.
AS ACTIVIDADES ECONÓMICAS
A actividade extractiva, transformadora e conserveira,
tornavam lucrativa a exploração do território. Havia minérios, pedras
ornamentais, peixe e muitos outros recursos naturais.
É lógico que essa exploração era condicionada pelas
capacidades técnicas, pela disponibilidade de recursos e pela
organização social. A exploração mineira romana, da qual temos dois
fortes exemplos, ainda hoje causa admiração, as minas de Aljustrel e
Três Minas.
Os produtos abasteciam os mercados internos e eram
exportados. A exploração das pedreiras de mármore era muito importante,
quase todos os monumentos utilizavam esse material.
A transformação do pescado em garun e na indústria
tintureira (tecidos de púrpura). A colheita de ostras, que eram muito
apreciadas, assim como a madrepérola. O peixe mais rentável era o
salmonete, quer pelo seu sabor quer pelo seu tamanho.
A agricultura intensiva proporcionava excedentes. O azeite e
o vinho, eram transportados em recipientes, cujo fabrico era de origem
local.
AS CIDADES
Cada cidade era governada por um orgão colectivo—o senado
(ordo decurionum), que era composto pelas famílias mais importantes e
por um conjunto de cidadãos eleitos.
Havia dois chefes, os duúnviros, eleitos anualmente entre os
membros do senado. Acabavam por ser as famílias mais importantes a
dividir o poder entre si.
O centro da vida pública era o Fórum—uma grande praça
rodeada por um pórtico, onde existia um templo, erguido em honra da
divindade local ou para o culto imperial. Havia disputas entre os
habitantes mais ilustres para aí colocarem as suas estátuas.
As multas, custas judiciais e a cobrança de impostos eram as
receitas dos cofres do Município. O cargo de duúnviro não era muito
pretendido, já que as regalias oferecidas não eram suficientes para
tornar o cargo aliciante.
AS VIAS DO COMÉRCIO
A diversidade de produtos, num carregamento, que fosse
transportado por via maritíma, facilitava o comércio, durante a viagem,
os romanos viajavam sempre com terra à vista e por vezes recolhiam a um
porto durante a noite.
As viagens por terra eram mais dificeis, lentas e inseguras.
A construção do gigantesco sistema viário, foi o resultado de um
processo gradual. A frase “Todos os caminhos vão dar a Roma”, era uma
realidade.
Há vários vestígios de vias romanas em Portugal, a que se
encontra em melhor estado é a Geira que atravessa o norte do actual
Parque Natural do Gerês.
Compactavam os caminhos, com camadas sucessivas de materiais
de diversos calibres, sobre os quais colocavam um lajeado. Em todas as
vias, havia informações nas bermas, em colunas de pedra para os
viajantes (marcos miliários), de mil em mil passos, dizendo quanto
faltava para a próxima cidade e o nome do imperador que reinava na
altura da sua construção.
O pavimento facilitava o movimento dos carros, havia postos
de portagens, na entrada das cidades ou em locais em que fosse
obrigatório passar. Havia também um bom número de albergues, casas de
comida, mudas de cavalos e postos de policiamento.
OS CENTROS RELIGIOSOS
Os romanos tinham a noção que a religião, era um dos
melhores meios de poderem controlar social e políticamente, os povos
dominados, por isso nunca hostilizaram abertamente os chefes religiosos.
Em Portugal havia cultos de tipo indígena, romano e
orientais. O imperador Augusto, impõe às cidades o culto ao imperador, o
chefe era sempre escolhido nas elites locais, era um cargo de prestígio.
A tolerância dos romanos fez com que divindades e rituais,
fossem adaptados por eles e também pelas povoações indígenas. Os cultos
destes últimos são conhecidos através de inscrições em latim, o que nos
permite saber dos deuses: Banda, Nabia e Reva, que na região de Idanha
tem o epíteto de Langanitaeco e Ategina na cidade de Turobriga, etc.
Conhecem-se alguns locais de culto, no monte de São Miguel
da Mota, o santuário de Endovélico, na «cidade santuário» de Miróbriga
dedicado a Esculápio e a Vénus. Em cada casa havia um altar, para a
prática de cultos familiares.
Um dos cultos de grande expressão pública era o de Júpiter,
deus dos imperadores divinizados. Havia deuses para todos os tipos de
actividades, até para os caminhos.
CRISTIANIZAÇÃO DO TERRITÓRIO
PORTUGUêS
Os primeiros vestígios datam do séc. III, mas é possível que
já existissem antes dessa data, entrou pelo sul e coabitou pacifícamente
com a religião pagã, em especial nas zonas do interior.
Apareceram templos de planta basical mas as práticas
religiosas, como produto acabado só aparecem no séc. IV.
Os Bárbaros (Visigodos), tomaram contacto com o império
romano e tornaram-se seus aliados. Assimilaram várias características
romanas, como por exemplo o cristianismo. A pedido de Roma dirigem-se
para a Hispânia para lutar contra os Vândalos e os Alanos, em troca os
romanos permitiam o saque, davam-lhes um subsídio alimentar e por vezes
terras para que nelas se instalassem.
Depois de vencer os inimigos de Roma dirigem-se para Ravena
na Itália, onde o chefe se opõe ao domínio romano. Mas muitos deles
ficaram no nosso território onde se instalaram. A cristianização
peninsular dá-se já com a presença dos visigodos.
O PERÍODO ISLÂMICO
A islamização faz-se na área da antiga Lusitânia, parte
substancial de Portugal e uma pequena área da Estremadura espanhola, a
região fica a ser conhecida pelo nome de Garb al-Andalus, ou seja,
ocidente de Andaluz.
Estabeleceram consentos e acordos mas havia um constante
estado de revolta no Garb. As tentativas de centralização do poder por
parte dos emires e califas, só acentuaram o descontentamento. Houve
movimentos unificadores à escala regional, como: as lutas da tribo
Yashubi- na segunda metade do séc. VIII; o processo autonómico dos Banu
Marwan- na segunda metade do séc. IX; as taifas do séc. XI-na aparência
por motivos religiosos, mas na realidade eram políticos e a aventura
política de Ibn qasi- meados do séc. XI.
AS CONSTRUÇÕES RELIGIOSAS
Não se deu uma ruptura significativa na arquitectura,
herdada do mundo tardo romano, foram-lhe acrescentadas algumas
características da cultura moçarabe e muçulmana. Todos os monumentos são
semelhantes na Alta Idade Média.
Não seriam por certo as comunidades locais a construírem
esses monumentos, visto não terem recursos económicos para tal, eram as
famílias endinheiradas a fazê-lo, por isso se notam ligeiras diferenças
entre construções, que marcariam o cunho pessoal dos que davam o
dinheiro.
No séc. XI com a expansão demográfica, a consolidação do
poder e a adopção dos costumes de Cluny, o panorama arquitectónico
alterou-se profundamente. Oa novos templos são patrocionados por reis e
condes, logo imitados por todos os que tinham possibilidades económicas,
pois era um factor de prestígio.
Há um surto construtivo, sobretudo nos grandes centros, por
artistas de origem moçarabe, lombardos, borgonheses e outros. É a época
do Românico português.
AS CONSTRUÇÕES MILITARES
Nos séculos XI e XII, na região de entre Douro e Minho,
constrói-se uma enorme mancha regular de fortificações, em locais
estratégicos—castros, castelos, torres, fachos, faros, guardas e
custóias.
Vinte por cento das povoações identificadas de 1258, tinham
fortes estruturas defensivas. Podiam ser obra colectiva ou iniciativa do
senhor local. Serviriam oara abrigo em caso de necessidade, possuiam
normalmente locais específicos para o gado.
Um dos primeiros castelos a possuir estruturas para a
permanência de uma pequena guarnição foi o de Lanhoso, séc. XI, sob a
influência da arquitectura muçulmana.
No séc. XV deu-se outra vaga construtiva, de reparações e de
remodelação, o que tornou difícil a posterior distrinça, das
contribuições românicas e góticas, nesses edifícios.
PONTES, ESTALAGENS E HOSPITAIS
O legado da idade média ficou também patente nestas
construções, nessa época eram consideradas caridade. Os reis muitas
vezes deixavam dinheiro em testamento para a construção de pontes.
Os hospitais eram pequenos, com poucos recursos, feitos por
norma numa antiga casa de habitação. Afonso V considerava o hospital de
Jesus Cristo em Santarém, uma instituição modelo, mas só tinha camas
para 13 pessoas, cinco homens e oito mulheres.
No fim do séc. XIV, as instituições atravessam uma grave
crise, devido ao uso abusivo dos recursos por parte dos administradores
e provedores, D. João I, toma as primeiras medidas, para evitar este
estado de coisas, funde várias casa de benificiência, o que anos mais
tarde levaria à criação do Hospital Real de Todos-os-Santos e à fundação
das Misericórdias.
AS RESIDÊNCIAS SENHORIAIS
No séc. XIII, com a colonização das terras do sul, o fim da
reconquista, a dinamização do comércio, a difusão da moeda, a expansão e
deslocação demográfica, há uma mudança radical na sociedade.
A guerra era até aí uma actividade de suma importância, vai
dar lugar À procura de soluções racionais com base na escrita e no
dinheiro.
Aparece a casa senhorial fortificada, instalada em terrenos
agrícolas férteis, a torre de pedra era o símbolo do poder e riqueza do
senhor. O segundo piso das torres iluminado e ventilado por uma ou mais
janelas, era a área residêncial, o primeiro piso, alto, longe do chão,
funcionava como prisão ou armazém, às torres, pegadas a uma das paredes
juntaram, anexos em madeira ou pedra que serviriam para alojar os
criados, cozinhas, adegas e cavalariças.
AS CONSTRUÇÕES URBANAS
Raramente tinham mais do que um piso, nas cidades não havia
espaço, nos bairros de mais prestígio, algumas casas, dos ricos tinham,
chegavam a ter quatro pisos.
As divisões estavam separadas por tabiques de madeira ou
pano, a maior parte só apresentava duas divisões, nos casos em que havia
cinco ou mais divisões, eram utilizadas como lojas, tendas ou boticas.
As casas senhoriais urbanas, eram construções amplas e altas com um
pátio e uma ou duas torres. Eram mais cómodas, tinham chaminés e algumas
possuíam «privadas» ou uma «casinha de mijar».
As casas-torres dos membros das elites locais, eram torres
pegadas às casas de habitação, os seus donos pretendiam alcançar
prestígio e ascensão social.
As igrejas com as suas torres, ao estilo gótico, eram cada
vez mais altas. Ao seu redor, em geral realizavam-se feiras, assembleias
municípais mais concorridas, etc.
ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL EM
PORTUGAL
Esta é uma disciplina recente em todo o mundo, pois sempre
se encontrou ligada à história das técnicas. A Grã-Bretanha foi o
epicentro da primeira revolução industrial e os primeiros arqueólogos
industriais são britânicos.
Inicia-se o estudo de sítios industriais e as realidades
técnicas como os moinhos de maré, de papel, as manufacturas de vidro,
alguns altos-fornos, as primeiras fábricas têxteis, a máquina a vapor, o
abastecimento de água, as pontes metálicas, etc. Desenvolvem-se as
primeiras experiências no campo da museologia.
A revolução industrial deu origem a um novo tipo de
sociedade, organizada segundo parâmetros racionais, técnico-cientifícos
e económicos até então nunca vistos. Exerceu um impacto mais violento
sobre o ambiente, a cidade e o homem, criaram um novo monumento adequado
às nessecidades—a fábrica.
A arqueologia industrial usa métodos de análise científica
de estratigrafia vertical e espacial, com técnicas de observação e
experimentação, que lhe conferem uma grande objectividade.
INTERVENÇÕES EM SÍTIOS
INDUSTRIAIS
Data de 1982-83 a primeira escavação industrial no nosso
país, numa oficina da Companhia das Fábricas de Vidros da Amora,
concelho do Seixal. Produziam garrafas e garrafões de vidro verde,
através de um processo semi-mecanizado, de moldagem.
De 1983-1990, decorreram seis campanhas de secavação na
antiga Real Fábrica de Vidros de Coina, aqui uma das descobertas mais
importantes foi o vidro plano. Diversos fragmentos revelam que fundiam
vidro para espelhos e vidraças. O vidro era estendido numa mesa de
bronze, para formar uma grande placa que depois se cortava com diamante.
Na Marinha Grande já ninguém se lembrava da existência de
uma fábrica metalurgica, que aí existiu por volta de 1864, apesar da sua
alta chaminé ter conseguido sobreviver até ao séc.XX.
Várias outras escavações, tiveram lugar, revelando: objectos
de trabalho, matérias-primas, bocados de máquinas, peças de encaixe e
até vestígios da forma como foi destruído o equipamento técnico ( à
marretada), no momento do encerramento de uma siderurgia.
MUSEALIZAÇÃO DE UNIDADES
INDUSTRIAIS
O aproveitamento dos espaços é uma ideia generosa, em muitos
museus, a unidade industrial, convive com as histórias das empresas mais
antigas, preservando o património industrial.
Estes museus encontram-se espalhados por todo o país.
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