1421-1424 - Quando os Chineses Descobriram Santa
Catarina
Em 9 de Maio de 1421 aconteceu em Beijing na China uma tragédia que
mudou a história da humanidade. Um raio atingiu a
"Cidade Proibida", recém construída com muito custo e
sacrifício humano. O incêndio que se seguiu queimou 250
quarteirões matando um número incontável de pessoas
inclusive a concubina favorita do imperador. O imperador
Zhu Di considerou-se abandonado pelos céus e algum tempo
depois iria morrer. O seu filho sucessor estava sob a
influência dos mandarins que aproveitaram a situação
para voltar ao poder. A construção da cidade tinha sido
impopular e custosa. Os mandarins para consolidar seu
controle decidiram então isolar a China do mundo. Em 7
de Setembro de 1424 o novo imperador Zhu Gaozhi ordenou
que todos os barcos que se haviam lançado ao comércio e
expedições, os chamados barcos do tesouro que tambem
haviam sido construidos com muito custo e sacrifício,
deveriam voltar à China. Consertos destes barcos e novas
construções estavam proibidas a partir de então. Em fim
o mandarim Liu Daxia, do ministério da guerra,
orgulhoso, ordenou que todos os registros, mapas,
livros, escritos e outros materiais associados às
expedições navais deveriam ser destruídos e queimados. A
China estaria por mais de 500 anos condenada à pobreza,
sofrimento e exploração.
Mas que grande navegações eram estas? Um pouco da
documentação sobreviveu e é isto que se encontra
documentado no sítio de internet
http://www.1421.tv
O sítio acompanha o livro de Gavin Menzies, 1421. The
Year China Discovered the World (Londres: Bantam Press,
2002), que se ainda não está traduzido para o Português,
deveria. O trabalho de Menzies não é importante por que
mostra que os Chineses chegaram à África. Isto eles
faziam desde o século sexto certamente e tinham bons
negócios com as minas de Sofala, na costa de Mozambique.
Também não é importante por mostrar que os Chineses
viajavam à Austrália. É bem conhecido que tinham
expedições de mineração, também desde o século sexto a
ilha continente. Os zoológicos chineses tinham cangurús
desde esta época. Também a presença Chinesa nas Américas
antes dos Europeus não é muita novidade. Nos últimos
tempos surgiram mais de mil livros (sem contar artigos e
relatórios) bem documentados sobre o tema. A difusão do
número zero desde a Índia até a América Central é apenas
um dos muitos exemplos das redes indiretas de comércio
vinculadas a China. E mesmo o "império" (agora
reservamos bem a conotação figurada) comercial
combinando os interesses da Índia e da China também é
muito bem conhecido. Com base comercial central em
Kerala na cidade de Calicute, era uma fonte de riquezas
enorme. Não é de surprender que o chefe comercial de
Calicute, o Samorim, desprezou Vasco da Gama que chegou
num barquinho e ofereceu de presente uma panela de
cobre. Mas o Samorim já estava sem a proteção dos
Chineses e em pouco cairia Calicute sobre o fogo e a
violência Portuguesa.
Mas o que Vasco da Gama tinha era barquinho mesmo. Os
barcos do tesouro, que faziam os trajetos de exploração
e o comércio Chineses eram de tamanho tão grande que
somente nas guerras Napoleônicas os Europeus tiveram
condições de construir algo do mesmo porte (foi o
L'Oriente de Napoleão). Apenas o leme de um dos barcos
Chineses tinha a altura de seis a sete pessoas. A
tripulação de toda a frota de Pedro Alvares Cabral
caberia em apenas em um dos barcos Chineses. Os barcos
não levavam apenas cavalos, mas em alguns casos unidades
inteiras de cavalaria. Apenas os barcos principais da
frota do almirante Zheng He, que partiu para mapear o
mundo e localizar estrelas que permitissem a navegação
exata em 1421 tinha 107 destes barcos gigantes com uma
tripulação de 28 mil homens. Cada barco podia carregar
mais de duas mil toneladas de carga. Ademais estavam
acompanhados de uma infinidade de outros barcos.
As vantagens dos chineses não pára ai. Tinham canhões e
morteiros. Também de importância, com uma experiência
naval de vários séculos em mares quentes a congelados,
os Chineses sabiam o que era o escorbuto (causado pela
falta de vitamina C) e levavam frutas suficientes além
de meios de plantarem brotos de arroz e outras plantas
dentro dos barcos. Os Europeus sofreram por séculos o
problema. Além disto enquanto os Europeus sofriam com a
falta de água no mar, tomando algo meio apodrecido
misturado com vinho, os Chinesas tinham desenvolvido a
tecnologia de dessalinizar a água do mar, a partir de
filtros de parafina. Água nunca faltou para os
navengantes Chineses.
O que é muito mais importante é a medição da posição. Os
Chineses tinham o conhecimento para medir não só a
latidude mas tambem a longitude, estando literalmente à
frente dos Europeus por séculos. Os Europeus não tinham
métodos precisos para calcular a longitude. Erros de
1500 milhas eram comuns. Os Chineses usam o método dos
eclipses de Hiparco. Podia fazer mapas exatos e com
poucos erros. E os fizeram, pois cartógrafos e
astrônomos acompanhavam as expedições Chinesas. De uma
certa forma não deixo também de admirar a coragem dos
nossos navegadores Portugueses e Espanhóis, que foram os
herdeiros dos grandes resultados Chineses correndo todos
os benefícios graças ao brilho de Henrique o Navegador.
A pessoa chave na busca destas informacões foi o irmão
de Henrique, Pedro que depois de anos de viagem pela
Europa, trouxe em 1428 um mapa mostrando o mundo. A
memória de Pedro foi quase apagado das crônicas oficiais
Portuguesas pois muitos anos depois iriam morrer em uma
revolta contra o rei de Portugal.
É por isto que o trabalho de Menzies é importante.
Mostrou de forma lógica e convincente a origem dos mapas
de Pizzigano de 1424, de Cantino de 1502, de
Waldseemüller de 1507. do famoso de Piri Reis feito em
1513 e muitos outros. Eram cópias, ou pelo menos muito
influenciados pelas medidas e observações Chinesas.
Menzies tem uma vantagem que muitos historiadores não
tem: o conhecimento técnico. Experiente comandante de
submarino da Armada Real Inglesa, pode olhar os mapas e
ver detalhes e marcos de informações técnicas que alguns
historiadores não perceberam. Mesmo que o livro tenha
muitos aspectos controversiais, não resta dúvida que
convence com a explicação das origens dos vários mapas
que começam a aparecer na Europa a partir de 1424. Os
Europeus simplesmente não tinham o conhecimento técnico
para fazer mapas a este nível, que muitas vezes não
apenas mostravam as Américas mas também a Austrália com
terras localizadas antes das navegações Européias.
Se o leitor quiser fazer uma comparação, veja o mapa
Ptlomaico de Ulm feito em 1482 por Leinhart Holle.

É na verdade um mapa inteligente e aprimorado
representando o melhor do conhecimento Europeu.
Veja agora os mapas de Cantino de 1502
http://www.1421.tv/pages/maps/cantino.htm
O de Waldseemüller de 1507
http://www.1421.tv/pages/maps/waldseemuller.htm
e o de Piri Reis feito de 1513.
http://www.1421.tv/pages/maps/piri_reis.htm
Estes três parecem ter sido feitos por outra
civilização que não a Européia. E este é o ponto de
Menzies. Foram mesmo. Se o leitor souber como usar as
técnicas de busca da internet pode encontrar outros
mapas com influência Chinesa. Veja por exemplo
http://www.henry-davis.com/MAPS/Ren/Ren1/Reno.html e
http://www.cristobalcolondeibiza.com/2eng/2eng12.htm
Com os instrumentos de ampliação de seu
computador pode tentar localizar os traços de Santa
Catarina.
A expedição Chinesa que nos interessa no momento é uma
das componentes frotas do almirante Zheng He, que saiu
junto com as outras em 1421. Foi a viagem do almirantes
Hong Bao e Zhou Man. Entre várias escalas, saiu na costa
Chinesa, perto de Beijing, indo a Málaga. Dai rumou a
Calicute, indo então a Sofala. Dobraram a África no Cabo
da Boa Esperança, indo às ilhas de Cabo Verde. Deste
ponto, se separando do resto da expedição, rumaram para
o Sul, seguindo as correntes. Sabe-se que aportaram no
Cabo Blanco no Sul da Argentina. Seguiram para o Sul,
cruzando o Estreito de Magalhães. Por isto o mapa de
Piri Reis mostra o estreito antes de Magalhães o ter
cruzado. Depois disto a frota Chinesa se dividiu em
duas. Uma a de Zhou Man seguiu pelo Pacífico indo a
Austrália e depois seguindo para as Américas. A outra de
Hong Bao em vez de seguir para o Pacífico, deu a volta
pelo sul da Terra do Fogo, navegando para a Antártica.
Entre isto haviam chegado também as Ilhas Malvinas. De
ai costearam a Antartica, rumando às Ilhas Kerguelen
subindo então para a Austrália. Voltaram para uma China
que não os queria mais.
Que evidência poderemos encontrar de que teriam chegado
em meio a isto a Ilha de Santa Catarina. Como sabe
qualquer navegador ou marinheiro hoje, as correntes e
ventos que trazem ao sul batem nas praias da ilha. Por
isto a Ilha teve importância estratégica. A
probabilidade de uma visita Chinesa não é pequena.
Que sinais devemos procurar para demonstrar a
presença Chinesa?
Entre outros estes:
1. Povos de tez mais clara que a maior parte dos índios
do Brasil, resultados de uma possível missigenação com
Chineses que ficaram, descritos em textos e documentos
dos navegadores. Hoje isto pode ser acompanhado de
estudos de DNA.
2. Entre estes povos, a descrição de certos elementos da
cultura Chinesa: Por exemplo plantar algodão e criar
patos.
3. A descrição de animais de origem asiática, por
exemplo galinhas. As galinhas Européias eram diferentes
das Asiáticas. Mas plantas são também importantes. Os
estudos genéticos podem auxiliar aqui tambem.
4. Roupas ou vestimentos que estão associados a cultura
Chinesas, por exemplo roupas de algodão que cubram o
corpo todo, do pescoço para baixo, sendo circulares em
trono do pescoço.
5. Objetos obtidos a partir da arqueologia de terra ou
naval. Os Chineses (assim como outros navegantes depois)
perderam muitos barcos.
6. A possível existência de plataformas de observação,
em geral pirâmides com patamares, mas também podiam ser
construídas em pontos altos, isto semi-pirâmides. Como
as pirâmides são objetos arquitetônicos comuns em muitas
culturas, foram desenvolvidas independentemente em
muitos lugares. Mas neste caso podem estar associados a
nomes registrados pelos navegadores a partir do que os
índios informaram. Estes nomes deveriam estar ligados ao
universo Chinês. Seriam por exemplo o lugar da serpente
ou caverna ou morro do dragão.
7. A existência de simbolos marcados em pedras ou outros
lugares. Estes simbolos podem mistificar muito se não se
leva em conta a complexidade cultural das expedições
Chinesas. Levavam muitos intérpretes e devido a grande
presença budista entre a população Chinesa, são símbolos
associados não ao Árabe ou ao Chinês (apesar de também
poderem ser). Os símbolos serão mais possivelmente em
Tamil ou então na lingua de Kerala, onde estava a grande
cidade de Calicute. Os símbolos serão portanto em
caracteres curvilíneos, parecendo pinturas estilizadas.
8. Finalmente, a descrição de estátuas ou figuras.
Muitas vezes os portugueses chamavam estas de Santos ou
Santinhos. São em geral figuras Hindus ou Chinesas.
Vasco da Gama confundiu estátuas Hindus com santos
cristãos, reforçando a idéia da aliança com reinos
cristãos na África e na Ásia.
Portanto, caro leitor, aqui está o desafio: Quem será o
primeiro a descobrir evidência da presença Chinesa na
Ilha de Santa Catarina entre 1421 e 1424? |