Fazem parte do conjunto caiques à vela utilizados no
transporte de cereal e mármore e navios militares
bizantinos a remos.
O balanço da exploração,
iniciada em finais de 2004 no Eleuterion, porto
fundado pelo imperador Teodósio I (364-395) na
margem europeia do Mar de Marmara, ultrapassou todas
as expectativas.
"Nunca antes foram exumados tantos navios dos
séculos VI, VII, IX, X e XI. Eles tapam um grande
buraco no conhecimento que temos da tecnologia naval
na época bizantina", declarou Metin Gökçay, um dos
arqueólogos da missão.
Os navios, dos quais subsistem sobretudo os
cascos - atingindo alguns 25 metros de comprimento -
- fornecem igualmente preciosas informações sobre as
rotas marítimas de ligação da capital de um império
então no auge da sua potência com o resto do mundo.
"Os navios chegavam aqui vindos de todos os
cantos do império.Encontrámos objectos procedentes
do Egipto, de Chipre, da Crimeia, da Rússia, da
Roménia, da Bulgária...", assinalou o arqueólogo
Mehmet Ali Polat, segundo o qual "é excepcional
encontrar-se num mesmo local objectos de tantas
origens diferentes".
Durante vários séculos, assinalou Gökçay, o
Eleutérion recebeu o milho e a cevada enviados do
Egipto para alimentar Constantinopla, populosa
capital do império romano de 330 a 395 e, depois, do
Império romano do Oriente ou Império bizantino.
"Mas no século VII - referiu - os árabes
derrotaram os bizantinos, que perderam o controlo do
Egipto. E verifica-se que, no século IX, os
bizantinos estabelecem relações comerciais com os
russos, à medida que estes se convertem ao
cristianismo".
Além dos navios, os arqueólogos trouxeram à luz
do dia importantes vestígios do próprio porto: as
fundações de um farol, um quebra-mar, os alicerces
de uma igreja e cerca de 20 metros da muralha do
imperador Constantino I (274-337), até agora
conhecida unicamente pelos textos que sobre ela se
escreveram.
Por esclarecer continua o mistério que rodeia o
naufrágio de dezenas de embarcações no cais. Os
arqueólogos privilegiam, por agora, a hipótese de um
tsunami que teria varrido o porto no século VI.
RMM.
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2008-04-29 12:05:01