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A Fortaleza de Juromenha

 

[As origens]  [Cadeia Comarcã]  [Planos de Fortificações]  [A explosão e o terramoto]

 

 

Os primeiros elementos conhecidos datam da romanização. Júlio César terá construído ali, em 54 a.c uma fortificação, tendo em conta a rota comercial do sul da Penísula Iberica para Mérida, e a proximidade  de Évora.

Desta época existem inscrições funerárias e diversos objectos guardados no Museu Nacional de Arqueologia.

Durante a presença árabe na Península, e devido à proximidade a Badajoz e a Évora, a qual já em posse dos cristãos, Juromenha tinha um papel muito importante na estratégia militar dos árabes, nomeadamente na altura das conquistas cristãs aos mouros.

O primitivo Castelo, ocupou assim um  lugar de relevo nas lutas da formação da nacionalidade, como praça de guerra avançada da coroa de D. Afonso Henriques, após a sua conquista em 1167. dele partiram as mesnadas mistas da malograda campanha contra Badajoz, em colaboração com Geraldo Sem Pavor, onde el-rei caiu prisioneiro de Fernado II de Leão, e  a vila perdeu-se durante a invasão almóada do califa Iaçube Almansor, em 1191, num altura em que já estava integrada na mílicia de S. Bento de Calatrava ou de Évora.

Reconquistada definitivamente por D. Paio Peres Correia, em 1212, sofreu então uma total reconstrução no reinado de D. Dinis, no ano que formou o seu concelho.

Conhecem-se os nomes de alguns alcaides de Juromenha:

  • Em tempo de D. Fernado I - Gonçalo Garcia
  • Em 1708- D. José de Menezes, conde de Viana, e cavaleiro da Ordem de Avis.
  • Em 1758- D. António de Azevedo, almirante de Portugal.

No recanto meridional de uma pequena praceta, que se alcançava por um portão de expessa alvenaria, vêem-se aparelhadas com o muro primitivo da fortaleza, a cadeia e a casa da guarda. Este últmio edifício ainda mantém as proporções originais : cavalariças térras e piso alto, com janelas de xisto, cuja entrada se fazia pela rua pública das duas igrejas.

A Cadeia Comarcã, no aspecto actual, é uma construção do séc. XVII, também de rés-do-chão e sobrados, cunhada de pilastras aparelhadas, rodapé, portada e janelas de mármore branco, sendo estas fortemente gradeadas. Na frontaria, vêem-se as armas reais de Portugal, decorada as em alto relevo, e mostrando vestígios de escaiolas coloridas. Rompente dos telhados, eleva-se uma chaminé cilíndrica de grandes dimensões.

No pano amuralhado da face norte subsistem as derradeiras casas cobertas - o chamado salão, que corre ao nível pavimentar da capela-mor da Matriz - formando no vasto terreiro que o centra, a Praça da vila, outrora dominada pelo Pelourinho, que era engalanado no topo precisamente sobranceiro, (hoje dominado por um marco geodésico e ainda desventrado com janelas exteriores),  pelos Paços do Concelho, em cuja frontaria, desmoronada na década de 1930 estavam assinaladas as históricas armas do concelho.

A praça de Juromenha, considerada no séc.XVII a chave do Guadiana e a porta de Vila Viçosa, Alandroal e Borba, teve três planos de fortificação, que foram submetidos ao estudo por parte do Conselho de Guerra de D. João IV, e foram todos concebidos por engenheiros militares estrangeiros, mercenários ao soldo da coroa portuguesa.

O primeiro foi desenhado pelo engenheiro italiano Pascoeli, de que se desconhecem os modelos, mas se sabe ter sido recusado porque, demasiadamente arrumado ao castelo, sacrificava a segurança da população da vila.

O segundo de 1644, deveu-se ao padre jesuita e coronel do éxercito João pascásio Cosmander, o qual, em  preincípio foi aprovado e teve começo, mas ao verificar-se a suam impraticabilidade tanto económica como técnica, foi interrompido, porque, além de destruir os arrabaldes habitados, a sua linha defensiva ganhava duas iminências distantes da praça, tornando-a tão extensa quanto indefensável pela falta de guarnição apropiada.

Apesar de dirigir quase todas as obras defensivas do Guadiana - incluindo os fortes de Elvas - parece que o motivo fundamental da anulação deste trabalho se deveu à circunstância do seu aprisionamento pelos castelhanos, em 1647.

O terceiro projecto, muito acarinhado pelo general governador das ramas da Província Joane Mendes de VAsconcelos, em concorrência com o anterior e devido ao talento da estratega françês Nicolau de Langres ( Engenheiro- mor das fortificações do Alentejo), foi afinal o aprovado oficialmente, embora não cumprido na intrega.

Parece que os primeiros estudos dos terrenos se verificaram em Setembro de 1646, com a licença do então governador das armas Matias de Alburquerque ( Conde de Alegrete e glorioso vencedor da ABtalha de Montijo), e após breve interrupção,a s obras recomeçaram em Janeiro do ano seguinte, já no governo do Conde de S. Lourenço Martim Afonso de Melo, superintendente das obras militares do Alentejo.

O seu orçamento alcançou a verba de 25.000 cruzados e dirigui os trabalhos essenciais, o engenheiro françês Jena Gillot, acolitado por António de Freitas.

As empreitadas arrastaram-se pelos anos da regência de D. Luisa de Gusmão, e ainda perduravam aquando da explosão do paiol de pólvora. O projecto de Alngres, de que se conhece o original (1655/57), também não teve cabal cumprimento, pois exclui dele a obra coroa reforçada do arrabalde de S. António e não com pletou a cintura do bairro de S. Lázaro.

Depois daquele desastre e ainda no séc. XVIII, como mostra a planta de Luis Miguel Jacob, a praça sofreu rectificações. Todavia, os operosos trabalhos militares não estavam terminados em 1662, facto que foi bem paroveitado pelo transfuga Nicolau de Langres, que no posto de Sargento-mor de batalha do Estado-Maior do Exército de Filipe IV, comandado pelo príncipe D. João de Austria, dirigiu os aproxes, traçou as linhas e comandou a artilharia inimiga, que conquistou a cidadela no verão daquele ano.

A 19 de Janeiro de 1659, durante uma visita efectuada por um grupo de estudantes de Évora, acompanhados pelo reitor daquela universidade, e por mais dois sacerdotes, deu-se então a grande explosão, que danificou uma grande paret da fortaleza e da vila. Um ínicio de fogo no paiol terá sido a causa mais aparente da explosão. Devido a tal tragédia e ao terramoto de 1755, a Praça Forte de Juromenha começou a adquirir o aspecto desolador que hoje tem.

A praça de guerra do séc.XVII, com ligeiros acrescentamentos do séc XVIII, sofreu também estragos consideráveis durante o terramoto de 1755, e jamais readquiriu a sua antiga importância militar, apesar de manter destacamentos próprios e das grandes obras de consolidação dá época Josefina e Pombalina, que abrangeram a reconstrução da casa do governador.

Actualmente a fortificação apresenta um estado de ruinas lamentável, embora lhe tenham sido feitos restauros nos baluartes da cortina principal da entrada, à ordem da Direcção-Geral dos Edificios e Monumentos Nacionais em 1972, e mais tarde em 1988, recebeu restauros, nomeadamente a igraja matriz.

No interior da cerca, actualmente, só existem ruínas. Delas são visíveis mas irrecuperáveis, os quartéis, situados nas imediações da alcaidaria, com saída rápida para a porta falsa, bloco de habitações construído em alvenaria, constituído por lojas, sobrados e chaminés do tipo corrente alentejano.

Nesta zona fica, hoje seca e entulhada com materiais adventícios, a Cisterna para águas pluviais. Trata-se de um grande depósito subterrâneo de planta rectangular, dividido por três naves tramos de arcadas plenas, apoiadas em robustos pilares de grossa alvenaria.

http://www.alentejodigital.pt/alandroal/j3total.htm

 

 

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