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Vila Viçosa
Classificado Monumento Nacional, o Castelo é o
monumento mais antigo de Vila Viçosa. Apesar de
mutilado, conserva a traça primitiva de planta
trapezoidal.
O
castelo, restaurado durante o Estado Novo, foi
defesa vigilante da independência de Portugal
nos momentos duvidosos do interregno de 1383/85
e depois da Revolução de 1640. Além disso, desde
a época medieval que o castelo de Vila Viçosa e,
posteriormente, no século XVI, a sua
fortaleza-artilheira, foi de importância
estratégica indiscutível e fundamental, em
particular na defesa da fronteira portuguesa e
nas guerras com o vizinho castelhano. A sua
importância estratégica não se resumiu só apenas
a questões de defesa de posições, mas também é
devida ao apoio desempenhado em acções de cariz
ofensivo numa faixa entre o Alandroal e Estremoz
e entre Terena e Reguengos. O seu papel foi
determinante nas vitórias alcançadas na sua
região de intervenção contra o invasor espanhol.
Exemplar de arquitectura militar raro, a sua
Fortaleza-Artilheira moderna edificada pelos
Duques de Bragança no local da alcáçova do
castelo medieval, tornou-se célebre após o cerco
de 1665. Se a primitiva fortificação se deve ao
Rei D. Dinis, em obra feita no final do século
XIII, a subsistente fortificação quinhentista
deve-se aos duques brigantinos D. Jaime e D.
Teodósio I. Esta última foi construída segundo o
tipo italiano, seguindo o modelo das praças
africanas e industânicas que os portugueses
haviam introduzido nas suas conquistas
ultramarinas.
Da
cintura muralhada erguida ao redor da vila por
D. Jaime nada resta a não ser curtos lanços.
A
longa Guerra da Independência motivou a que o
Castelo, dada a posição geográfica da vila, se
transformasse em cidadela, edificada pelos
Duques de Bragança no local da alcáçova do
castelo medieval, e fosse envolvido, como a
povoação, por uma extensa linha abaluartada
estrelada de 8 pontas.
Ao
complexo antigo e moderno estão ligados
acontecimentos relevantes da história militar de
Portugal, como as guerras contra Castela, as de
entre 1381 e 1385, culminando com a valorosa
resistência ao exército invasor que aqui
antecedeu a vitoriosa Batalha de Montes Claros
de 1665, assim como um papel fulcral na derrota
do exército invasor espanhol aquando da Guerra
da Sucessão de Espanha, em 1711. À Fortaleza de
Vila Viçosa muito se deve a Independência de
Portugal.
Após
ter chegado a apresentar adiantado estado de
ruína, foi o Castelo e suas dependências
restaurado a partir da década de 30 do século
XX, recuperando-se elementos de arquitectura
militar valiosos, sendo o espaço militar
readaptado às exigências culturais e utilitárias
do nosso tempo, apesar de orientação infeliz no
sacrifício da 2ª linha bastonada seiscentista e
das torres fernandinas em favor da cenografia
urbana segundo propositada intenção do Eng.
Duarte Pacheco, seguindo os modelos de exaltação
propagandística do Estado Novo, por essa altura
aplicados a inúmeros Monumentos Nacionais.
Nesta edificação castrense, tudo se subordina à
essencial função militar. É fortificação
renascença concebida a pensar em grandes e duros
cercos. O fosso, os poderosos torreões
cilíndricos avançados, as largas rampas
interiores, dão a respirar, como raramente
acontece, e nunca tão intensamente, uma
atmosfera bélica.
Em
dependências do castelo da vila, devidamente
preparadas para o efeito e sob os auspícios da
Fundação da Casa de Bragança, está instalado o
museu da caça, sem dúvida o mais notável núcleo
museológico desta especialidade que se conhece,
quer pela quantidade e variedade das peças
expostas, quer pela excepcional qualidade de
quase todas elas.
Também no castelo, ocupando o piso térreo, está
instalado o museu de arqueologia, reorganizado e
aberto ao público em Maio de 1999. São dignos de
realce a série de cerâmica romana e outras peças
encontradas na região, onde os romanos
exploraram pedreiras de mármore e deixaram
vestígios bem visíveis. Merecem especial atenção
as colecções arqueológicas dos reis D. Fernando
II e D. Luís I, com peças de variadas origens.
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