|
Paleontólogos portugueses vão à Patagónia
estudar dinossauros
13.04.2005 -
13h42 Lusa
Investigadores portugueses vão participar
pela primeira vez numa expedição para
estudar dinossauros na Patagónia, uma zona
que exerce grande fascínio sobre
paleontólogos de todo o mundo, pelos
exemplares que tem fornecido daqueles
animais pré-históricos.
Luís Azevedo Rodrigues e Vanda Faria dos
Santos, paleontólogos do Museu Nacional de
História Natural (MNHN), em Lisboa, partem
sexta-feira para a Argentina para participar
em campanhas de prospecção, escavação e
estudo de dinossauros e pegadas, na
Patagónia e em Buenos Aires.
Trata-se da primeira participação portuguesa
e uma das primeiras europeias a uma
expedição na Patagónia, disse à Lusa Luís
Rodrigues, explicando que esta é "uma das
zonas a nível de fauna e de paleontologia
que mais fascínio exercem sobre os
investigadores".
Revelando-se "muito satisfeito" por
participar nesta expedição, o paleontólogo
afirmou ter grandes expectativas em relação
a uma "zona que nos últimos anos tem
fornecido excelentes exemplares de
dinossauros".
A Argentina, e particularmente a Patagónia,
constitui actualmente uma das principais
áreas mundiais a contribuírem com novas e
importantes espécies destes animais, entre
as quais o maior dinossauro do mundo: o
Argentinosaurus,
com 40 metros de comprimento e mais de cem
toneladas, descoberto em 1993.
De acordo com o investigador, foi também na
Patagónia que se encontraram ovos com
embriões de saurópodes
(dinossáurios quadrúpedes de cauda e pescoço
comprido), numa jazida denominada
Auca
Mahuevo, bem
como vestígios dos mais antigos dinossauros
que se conhecem.
Luís Rodrigues manifestou ainda "bastante
curiosidade em estudar, ver e mexer em
exemplares com características muito
próprias, de uma zona com faunas muito
diferentes das existentes na Europa e
América do Norte".
Durante as jornadas argentinas, para além do
trabalho de campo, Luís Azevedo Rodrigues
vai ministrar um curso de Técnicas de
Morfometria
Geométrica (imagens tridimensionais de
dinossauros, que simulam a sua locomoção).
Segundo Luís Rodrigues, o MNHN é pioneiro
nestas técnicas de
morfometria geométrica, razão pela
qual a Universidad
Nacional de Neuquén/Museu
Cármen Funés,
que lidera esta expedição, aproveitou a
presença do especialista na Argentina para o
convidar a participar no curso.
Para o paleontólogo, a participação de
investigadores do MNHN é cientificamente
honrosa, uma vez que normalmente as
campanhas de escavação e prospecção de
dinossauros envolvem exclusivamente
importantes instituições americanas.
Nesta expedição, que termina a 15 de Maio,
além dos paleontólogos portugueses e
argentinos, deverão participar também
investigadores de norte-americanos.
|