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Anãozinho
da Indonésia é nosso parente remoto
Há muito, muito tempo, um homem pequenino – não media
mais de um metro – que tinha o crânio do tamanho de uma toranja habitou
a ilha indonésia de Flores. O homenzinho caçava elefantes anões e
lagartos gigantes quando o Homo sapiens, do qual descende a nossa
espécie, já praticava a agricultura. Os dois terão sido contemporâneos
Quem conta esta história não é um
escritor de prodigiosa imaginação, ao jeito de Tolkien, autor de ‘O
Senhor dos Anéis’, recentemente adaptado ao cinema, e criador de uma
espécie de homens pequeninos de grande coragem – os ‘hobbits’. O caso do
homem das Flores, com direito a nome em latim – Homo floresiensis – é
relatado nas páginas da ‘Nature’, uma das mais prestigiadas publicações
científicas, e decerto saltará em breve para os compêndios de
Antropologia. Por enquanto, a comunidade científica ainda não fechou a
boca, aberta de espanto, ante a descoberta de uma nova espécie humana.
Quando, há dois anos, Michael Morwood encontrou na gruta de Liang Bua,
nas Flores, o esqueleto incompleto de um homem miniatura, muitos
antropólogos estudiosos da origem da Humanidade não acreditaram que
pudesse tratar-se de uma nova espécie. Seria, talvez, o esqueleto de um
pigmeu ou de um indivíduo com alguma doença (nanismo ou microcefalia).
Mas não era.
Os investigadores liderados por Morwood acabam de apresentar ossos de
pelo menos nove indivíduos também em versão ‘hobbit’, pequenos e
assentes em dois pés. Os fósseis têm entre 12 mil e 95 mil anos.
Quem era afinal este homenzinho? Que relação tem com o Homo sapiens?
Deriva do Homo erectus, que abandonou África há milhões de anos? Ou
estará relacionado com os australopitecos? Morwood duvida que o homem
das Flores esteja associado ao sapiens ou ao erectus. Mas, à vista do
crânio e da mandíbula, não tem dúvidas: é cá dos nossos.
DIFERENÇA ESTÁ NO TAMANHO
O Homem das Flores tinha um metro de altura e um crânio tão grande como
o de um chimpanzé. E andou cá há 20 mil anos, pelo que os seres humanos
modernos devem tê-lo encontrado.
É verdade que o crânio do Homo sapiens era muito maior, mas não há
dúvida de que entre os dois não há grandes diferenças de feitio. Embora
assemelhado, no tamanho, ao de um chimpanzé, vê-se bem, nomeadamente
pela mandíbula, que o ‘hobbit’ das Flores é mesmo humano.
Na gruta onde deram com o primeiro esqueleto – uma mulher, que, aos 30
anos, pesaria 25 quilos – os antropólogos encontraram ferramentas para a
caça e vestígios de fogueiras, assim como restos de elefantes pigmeus,
já extintos, e de dragões de Komodo, lagartos com três metros que ainda
sobrevivem.
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