Associação pede à Câmara de Vila Franca e ao Ippar medidas
de protecção
A associação cívica Os Amigos do Forte está
preocupada com o "abandono" a que julga que
têm sido votados muitos dos antigos fortes das
Linhas de Torres.
Em moção aprovada na sua última assembleia
geral, a associação manifesta a sua profunda
preocupação pela "situação de incúria e risco"
em que se encontram particularmente os antigos
fortes situados na freguesia do Forte da Casa,
concelho de Vila Franca de Xira, onde este
grupo foi criado há cerca de três anos.
O documento apela à Câmara de Vila Franca de
Xira, à Junta de Freguesia do Forte da Casa e
ao Instituto do Património Arquitectónico
(Ippar) para que "tomem, de imediato, as
medidas de emergência adequadas e necessárias
à minimização dos riscos e ameaças que
impendem sobre este património e determinem,
em tempo útil, as acções correctivas que ainda
é possível levar a cabo".
Os Amigos reclamam ao Ippar que trate da
imediata classificação legal destes conjuntos
monumentais como património de interesse
público. Solicitam, ainda, a mobilização
imediata dos recursos necessários à
concretização do programa de salvaguarda e
valorização já delineado.
A moção, enviada às autarquias locais e ao
instituto, recorda que desde 2000 que um
núcleo de habitantes do Forte da Casa - vila
cujo nome deriva de um dos fortes ali
existentes - tem "insistentemente" chamado
atenção para "a imperiosa necessidade de
medidas de protecção e valorização do que
resta dos fortes".
O núcleo constituiu-se, posteriormente, em
associação, mas diz que este património - numa
freguesia urbana como o Forte da Casa, onde
escasseiam vestígios históricos - "continua
sujeito a ameaças várias e a sofrer uma
acelerada degradação, por via do imobilismo da
câmara e dos interesses da promoção
imobiliária".
Reconhecendo que alguns dos vestígios dos
antigos fortes já sofreram danos
irreversíveis, Os Amigos do Forte acham que
"importa corrigir licenciamentos camarários
que não tiveram em conta a relação entre as
fortificações e a preservação das suas linhas
de vista - fundamentais para a compreensão da
sua localização e enquadramento paisagístico".
"Tudo isto é ainda mais difícil de aceitar se
consideramos que se aproximam, a passos
largos, as comemorações internacionais do
bicentenário das invasões francesas", concluem
Os Amigos do Forte.