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Escavações arqueológicas em cena no Teatro Romano
museu Trabalho de pesquisa pode ser acompanhado ao vivo pelos visitantes, na sua maioria estudantes Suportes multimédia não estão traduzidos, faltando informação para estrangeiros 

Ana Fonseca Textos

Talhas de armazenamento do século XVII pertencentes ao Celeiro da Mitra, do Cabido da Sé de Lisboa, foram recentemente descobertas durante as escavações que estão curso no Museu do Teatro Romano. Ali, além da observação do espólio e património deixado pelos adoradores de Baco, os visitantes poderão seguir de perto os trabalhos arqueológicos que recomeçaram no passado mês de Junho.

O objectivo dos arqueólogos é pôr a descoberto os vestígios da presença romana na encosta do castelo. Porém, a viagem rumo aos obreiros do teatro, ali edificado na primeira metade do século I d.C., tem revelado ocupações posteriores. Nesta nova fase dos trabalhos, confirmando os vestígios encontrados em 2001, numa zona contígua e já em exposição, foi identificado, sob a estrutura de um edifício do século XIX, o prolongamento do Celeiro da Mitra, explicou ao JN a arqueóloga Lídia Fernandes.

Visível é também a continuação da muralha romana, "que segurava a fachada palaciana do teatro e sustentava a própria colina" e que, adiantou aquela técnica, "é reveladora da capacidade construtiva dos romanos". Durante os trabalhos, que decorrem das 8 às 19 horas, foi também descoberto um tanque do século XIX.

Todo este manancial histórico e arqueológico está patente, em exposição e ao vivo, no Museu do Teatro Romano que, "este ano, tem registado uma percentagem de 3500 visitantes por mês", segundo João Mourão, do Museu da Cidade, dependente do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa. Esta média tem, no entanto, como base os grupos de jovens e de estudantes que visitam o equipamento durante o ano lectivo.

Relativamente ao fluxo de turistas, o cenário não é tão positivo. Segundo informações recolhidas no local, anteontem (dia em que por volta das 15 horas apenas se vislumbravam duas pessoas), o número de visitantes estrangeiros tem sido bastante reduzido relativamente a anos anteriores.


Só em português

 

Embora o museu - inaugurado em 2001 - esteja equipado com suportes multimédia, estes não podem ser utilizados por estrangeiros, por uma única e simples razão os conteúdos informativos só estão em português. Questionado sobre esta questão, João Mourão explicou que "a tradução dos conteúdos" dos denominados quiosques "está em curso". E o folheto, traduzido em inglês, "está já em fase de produção".

Além deste aspecto, e apesar de dispor de uma vista privilegiada sobre aquela parte da cidade e do Tejo, o museu carece de um equipamento de apoio , tipo cafetaria ou bar, embora estivesse prevista, inicialmente, a adaptação da chamada "sala de frescos" a um salão de chá. "Em relação a projectos de cafetaria e outros, estamos dependentes dos avanços das escavações. Há vontade, mas o museu não comporta fisicamente essa valia", adiantou João Mourão.

Em todo o caso, quem visita o Museu do Teatro Romano acaba por se deixar fascinar pelo espólio patente na sala de entrada, vestígios das estruturas que têm sido reveladas e pelo teatro propriamente dito, visível ao se atravessar a Rua de S. Mamede. Foi ali que os visitantes Maria José e o filho, David Crisóstomo, manifestaram ao JN o seu interesse pelo recinto. Porém, sugeriu a progenitora, "deveriam existir mais explicações e em várias línguas, assim como mais luz e até uma música de fundo".


Interesses

 

Teatro

São visíveis partes das bancadas, da orquestra, da frente de cena e do pavimento subjacente ao palco. De acordo com os especialistas, a utilização do mármore na ornamentação arquitectónica terá ocorrido em 57 d.C., na altura do imperador Nero.

Museu O núcleo museológico encontra-se instalado em parte de um edifício do século XVII - as antigas cavalariças do Cabido da Sé de Lisboa. Integra um suporte multimédia onde pode ser observada uma proposta de reconstituição do monumento.

Escavações Recomeçaram em Junho as escavações no local para identificação de mais estruturas romanas que, no entanto, têm revelado épocas posteriores. Os trabalhos arqueológicos são outra das atracções do museu, pois qualquer visitante as pode observar.

 

 
 
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