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Portugal tem desde 2000 uma equipa de arqueólogos a trabalhar no Egipto. O Supreme Council of Antiquities (Conselho Superior de Antiguidades) – entidade que regulamenta, entre outras actividades, a exploração arqueológica no país dos faraós – concedeu, há sete anos, autorização à equipa da Egiptóloga Maria Helena Trindade Lopes (professora na Universidade Nova de Lisboa) para fazer escavações numa área de 220 mil metros quadrados em Mênfis, antiga capital do Antigo Império, facto inédito para a arqueologia portuguesa.

A novidade, agora, é a de que a equipa portuguesa já tem uma página na internet e quem quiser poderá aceder ao seu historial de trabalho, bem como às fotos que documentam as descobertas em solo egípcio.

Os achados que têm sido feitos nestes últimos anos não podem sair do Egipto. Isso é ponto assente: tudo o que for encontrado pertence do Governo daquele país. Mas os portugueses têm direito à “propriedade intelectual”, ou seja, podem reclamar--se, em qualquer parte do Mundo, os descobridores das ‘relíquias’, assinar artigos sobre o assunto em revistas especializadas e fazer conferências internacionais sobre a matéria. Por outras palavras, podem pôr (e têm-no feito) Portugal no mapa da arqueologia mundial
Internamente, para além do acesso ao desenvolvimento do seu trabalho (na internet), a equipa prepara também um CD para enviar para as escolas, explicando a História do Egipto, os avanços da arqueologia actual e o interesse que um projecto desta natureza acarreta.

À beira da sexta campanha – que deve começar entre este mês e o próximo –, o Projecto Apries aguarda, porém, com expectativa e alguma ansiedade, que lhe seja atribuído o precioso financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que lhe tem permitido levar esta empresa a bom porto.

“O que a professora Maria Helena Trindade Lopes conseguiu foi uma autêntica lança em África”, comenta Teixeira Pinto, consultor na área da engenharia do Projecto Apries.

“O Supreme Council of Antiquities só lida com a nata da arqueologia mundial e atribuiu à equipa portuguesa uma zona nobre de Mênfis: as ruínas do Palácio de Apries, o quarto Faraó da XXVI Dinastia. Ora Mênfis é, para os antigos egípcios, o que Roma era para os romanos... Se um projecto destes acabasse por causa de falta de financiamento, estou convencido de que os portugueses não voltariam a pôr o pé no Egipto nos próximos cem anos...”, adiantou.

Teixeira Pinto desmistifica ainda a ideia segundo a qual partir em campanha arqueológica pelo Egipto é uma aventura excitante como se vê nos filmes. Com uma equipa reduzida – apenas seis ou sete pessoas – o que há a fazer é escavar, escavar e escavar, com enorme cuidado para que nada se perca e nada se deteriore, aguentando o pó, o calor e as moscas e vivendo em situação espartana.

“É um trabalho de sapa e tudo tem de ser identificado, estudado, catalogado... Durante dois meses vive-se com o básico numa casa alugada mesmo junto ao deserto e cozinhando a maior parte das refeições”, explica. Depois, já em Portugal, é o trabalho de casa, o estudo aprofundado, a colocação de hipóteses, a elaboração dos relatórios, a preparação dos mapas, dos desenhos, a organização dos processos que se têm de entregar ao Supreme Council, e também à FCT.

EM HONRA DO FARAÓ

A equipa de Maria Helena Trindade Lopes autodenomina-se Projecto Apries em honra do faraó com o mesmo nome pertencente à XXVI dinastia que habitou um palácio sepultado na zona de exploração atribuída aos portugueses. As imediações do palácio têm, aliás, contribuído com os vestígios mais relevantes encontrados até ao momento: restos de cerâmica, pequenos artefactos como um anel, moedas, um escaravelho... Importante, também, é revelar a estrutura do edifício, como foi construído e com que materiais, como se estabilizaram as fundações. O que está actualmente à vista são algumas ruínas. É a próxima missão do grupo. Visite o site:

Projecto Arqueológico
Palácio de Apriés

 http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=260747&idselect=13&idCanal=13&p=200

Ana Maria Ribeiro

 

 

 

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