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  http://dn.sapo.pt/2008/05/04/artes/navio_achado_namibia_pode_nau_rota_i.html
Um relatório sobre as notícias e as fotografias que inundaram a Internet a propósito de um navio antigo encontrado ao largo da costa da Namíbia, possivelmente português, foi entregue a semana passada ao vice-presidente do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) do Ministério da Cultura.

O autor do documento, arqueólogo especializado e chefe da divisão da arqueologia náutica e subaquática do Ministério da Cultura, Francisco Alves, assim o decidiu, porque considerou que "o Governo português deve estar habilitado a tomar as decisões que achar convenientes", revelou ao DN o responsável.

É importante nesta altura acautelar a hipótese do navio ser português, garantindo que a peritagem feita no local possa ser acompanhada de especialistas nacionais. "Portugal ratificou a Convenção da Unesco em 2001 sobre a protecção do património cultural subaquático e, portanto, tem legitimidade para exigir as normas do estado da arte, das boas práticas e da ética aplicada a este tipo de bens. A grande arma do nosso País é pedir que os seus navios não sejam alvo de pilhagem".

Francisco Alves coloca a hipótese do navio descoberto ser uma nau portuguesa que regressava da Índia. "Uma das moedas que vem nas fotografias foi investigada e comparada na numismática portuguesa. Concluiu-se que é posterior a Outubro de 1525, e seria pela cunhagem da moeda, do reinado de D. João III", assegura o arqueólogo subaquático, acrescentando que o naufrágio só poderia ter sido posterior a essa data.

Hipótese de ser uma nau

Vários achados foram encontrados na zona marítima que entretanto foi posta sob vigilância para evitar a proximidade dos "caçadores de tesouros": duas mil presas de elefantes, lingotes de cobre e canhões de retrocarga e astrolábios. "O cobre servia para lastro dos navios. Já a especificidade dos canhões, carregados pela culatra, revela estarmos perante canhões portugueses típicos do século XVI. Ainda há muito para se saber sobre o navio, nomeadamente o país de bandeira, mas eu colocaria a hipótese de se tratar de uma nau que regressava da Índia".

Se assim for a descoberta tem valor incalculável. "Seria excepcional estarmos perante uma carreira da Índia que está no âmago da Expansão Portuguesa", diz o responsável.

Francisco Alves chama a atenção para o facto da equipa estrangeira que está a dar apoio na Namíbia não ser constituída por pessoas habilitadas e peritas em modelos específicos de arqueologia náutica".

Por outro lado, o arqueólogo português percebeu, pelos comunicados da empresa prospectora de diamantes que fez a descoberta, que eles estão abertos à colaboração. Mas até ontem ao fim da tarde, segundo Eduardo Saraiva, porta-voz da Secretaria de Estado das Comunidades, "não houve qualquer contacto oficial com a embaixada portuguesa na África do Sul."

Recorde-se que o achado foi feito por uma expedição de geólogos envolvida numa prospecção de diamantes na costa sudoeste da Namíbia que pertence a uma empresa sul-africana, De Beers, que possui uma joint-venture com o governo daquele país africano, através da Namdeb Diamond Corporation.

A descoberta foi divulgada no passado dia 1. Em breve, de acordo com informações da De Beers, o governo namibiano, através do seu Conselho da Herança Nacional e os arqueólogos, darão uma conferência de imprensa.|

 

 

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