Castelo de Torres Vedras
IPA : Monumento
Nº IPA :
1113130013
Localização :
Lisboa, Torres Vedras, Santa Maria do
Castelo e São Miguel
Acesso : Lg.
Coronel Morais Sarmento
Protecção : IIP,
Dec. nº 41 191, DG 162 de 18 Julho 1957
Enquadramento :
Urbano. Implanta-se no cimo de um monte
escarpado e íngreme, sendo envolvido por
cintura urbana e arborização. Pequeno
largo junto à Porta Nova da muralha.
Planta do castelo e
sua implantação topográfica
Descrição :
Cintura de muralhas, de planta oval,
reforçado a SE. e SO. por alguns cubelos
de face exterior semicilíndrica e com
torre do portão, de planta quadrada,
saliente da muralha, com adarve, tendo
acesso por escada de pedra, e sendo
encimada por largos merlões
quadrangulares rasgados por seteiras;
entrada em arco quebrado sobrepujada por
escudo real e 2 esferas armilares com
cruz da Ordem de Cristo. Rampa de acesso
às escadas que conduzem à igreja (v.
111313007
) e à alcáçova, no cimo do morro.
Esta última tem planta rectangular
irregular, com torre de menagem no
ângulo SE., de planta sensivelmente
ultra-semicircular, com 1 sala
abobadada, com 2 canhoeiras e porta
exterior; é rematada por merlões
quadrangulares. Na cortina S. e canto da
N., portas de acesso ao interior, onde
se organizava o paço e dependências de
serviço, de 2 pisos (como mostram os
vestígios), criando pátio central, onde
se vêem ainda as clarabóias das 3
cisternas, 1 delas com abóbada de
tijolo.
Utilização Inicial
: Militar. Castelo para defesa
Utilização Actual
: Cultural / Turística
Propriedade :
Pública: estatal
Afectação :
Câmara Municipal de Torres Vedras, auto
de 11 Julho 1940
Época Construção : Séc.
13 / 14 / 16
Cronologia :
Islamitas estabelecendo em torres sede
da Circunscrição da província da Belate
levantaram muralhas; 1288 - D. Dinis
ampliou-o; 1382 - D. Fernando manda
reparar muros da vila; 1384 - Mestre de
Aviz cerca-o sob instâncias de Nuno
Álvares; 1516 - reconstruído por D.
Manuel; 1519 - prosseguiam reparações
nas muralhas da vila; 1586 - D. António,
Prior do Crato, penetra no castelo; 1589
- M. Martins Soares e Cap. António
Pereira, quase sem combate reduzem-no à
obediência de Filipe II; 1604 - muro do
castelo em muitas partes quebrado e
caído e barbacã toda desmanchada; 1755 -
terramoto faz abater as edificações
interiores e o remate das muralhas; 1790
(depois de) - Câmara deixa de arrendar
zona junto às ameias do castelo para
sementeira, devido ruína da muralha;
1792 - vereação ordena que ninguém
tirasse pedra alguma do castelo, muros,
casas ou cisternas; séc. 19 (princípios)
- devido construção das Linhas de Torres
para quebrar ímpedo das tropas
francesas, foi restaurado, artilhado, e
passou a ser o reduto nº 27 do distrito
1 das mesmas; 1830 - sob direcção do
Cor. Lourenço Homem da Cunha de Eça,
reparou-se muralha do lado E. e alguns
torreões do lado N.; 1846 -
bombardeamento por Marechal Saldanha,
seguida de explosão do paiol, leva à sua
rendição; 1866 - trecho da muralha do
lado da R. dos Pelomes foi reparada por
soldados sapadores.
Tipologia :
Arquitectura militar, gótica e
manuelina. Castelo gótico e manuelino,
implantado num monte, aproveitando
possibilidades de terreno e constituído
por: a) muralha - de planta oval,
reforçada em apenas metade do pano por
cubelos semicilíndricos, e torre de
portão quadrada; b) capela - isolada em
lugar sobranceiros dentro da cintura de
muralhas; c) alcáçova - de planta
quadrada irregular, de 2 pisos e torre
de menagem; d) cisternas - três.
Dados Técnicos :
Estrutura mista e de paredes
autoportantes.
Materiais :
Calcário com aparelho "mixtum vittatum"
e cimento.
Intervenção
Realizadas : 1947 - Obras de
restauro; 1957 - Reparação da muralha;
1962 - Consolidação de muralhas
exteriores; 1963 - Obras de
consolidação; 1965 - Obras de
consolidação e restauro; 1969 -
Reconstrução da parede da residência do
alcaide; 1973 - Reconstrução e
consolidação da parede de residência do
alcaide; 1974 - Obras de consolidação e
conservação; 1980 / 1981 - Reconstrução
das muralhas N. e nascente; Reconstrução
das muralhas; 1984 - Beneficiação de
muralhas poente e diversas; beneficiação
e valorização de muralhas; IPPC
supervisiona várias campanhas de
escavações arqueológicas, com a intenção
de aliviar a pressão das terras junto às
muralhas; 1985 - Beneficiação das
Muralhas; 1986 - Beneficiação das
muralhas - 1º termo adicional; 1994 /
1995 - beneficiação das muralhas
(abertura e limpeza das juntas,
refechamento em profundidade, acabamento
exterior com argamassa de cal e areia);
consolidação das fundações do torreão;
1996 / 1997 - beneficiação das muralhas
(refechamento das juntas da muralha,
execução de boieiros para escoamento de
águas pluviais); reconstrução de um pano
da muralha, superior ao caminho de
Ronda, com alvenaria de pedra;
recuperação da sala ogival do Torreão
Redondo; 1999 - pavimentação em
tijoleira, do terraço do Torreão
Redondo.
Observações :
Apesar dos longos antecedentes
históricos, o castelo de Torres Vedras
resultou das campanhas de obras
efectuadas no séc. 13 / 14, em estilo
gótico, e no 16, em manuelino, estas
últimas assinaladas sobre o portão pelas
armas e emblema de D. Manuel.
Vicissitudes históricas prejudicaram-no
muitíssimo e dificultam a sua análise.
Bibliografia :
TORRES, Manuel Agostinho Madeira,
Descripção Histórica e Económica da
Villa e Termo de Torres Vedras, Coimbra
1861; VIEIRA, Júlio, Torres Vedras
Antiga e Moderna, Torres Vedras, 1962;
REGO, Rogério de Figueiroa, O Castelo de
Torres Vedras, sep. do Boletim da Junta
de Província da Estremadura, Lisboa,
1949; AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO,
Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos
e Edifícios Notáveis do Distrito de
Lisboa, Lisboa, 1963; GIL, Júlio, Os
Mais Belos Castelos e Fortalezas de
Portugal, Lisboa, 1986; HUMBERTO, Jorge,
Os Castelos também se abatem..., Frente
Oeste, Torres Vedras, 24 Março 1994,
MIGUEL, Fernando, Castelo de Torres
Vedras em obras, Frente Oeste; 3 jun.
1994, p. 7; Torres Vedras, Passado e
Presente, vol. I, Torres Vedras, 1996.
Documentação Gráfica :
DGEMN: DRML, DSID
Documentação Fotográfica
: DGEMN: DRML, DSID
Documentação
Administrativa : DGEMN: DRML, DSID